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Paulo Dantas roda mais por Renan Filho do que Renan Filho corre por si mesmo

Wanessa Costa23 de setembro de 2026
Paulo Dantas roda mais por Renan Filho do que Renan Filho corre por si mesmo

Minha avó dizia que é o olho do dono que engorda o gado.

Demorei a entender que ela não estava falando só de criação. Estava falando de uma regra simples da vida: aquilo que importa para você exige presença.

Na política também. E talvez seja essa a parte mais interessante da eleição para o Governo de Alagoas, a doze dias das urnas: Paulo Dantas não é candidato, não indicou o vice e, ainda assim, faz campanha como se o nome dele estivesse na cédula.

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A pesquisa Paraná, divulgada nesta segunda-feira, colocou JHC sete pontos à frente de Renan Filho. É vantagem. Não é sentença. E agora Lula desembarca em Alagoas na quinta-feira — mas ninguém precisa apresentar Lula a Renan, nem Renan a Alagoas. Ele foi ministro, governou o estado duas vezes e hoje é senador. Conhece prefeito, liderança, estrada, voto e os atalhos da política alagoana.

Por isso minha atenção está em outro personagem: Paulo Dantas.

Quem conhece os bastidores do governo sabe que Paulo tem uma característica pouco comum para quem chegou ao topo do poder: é acessível. Seu gabinete recebe deputado e prefeito, claro. Mas recebe também vereador, liderança do interior, conselheiro tutelar e gente que chega simplesmente com um problema debaixo do braço. Paulo ouve. Nem sempre resolve — ninguém resolve tudo —, mas recebe. E política também é memória de como fomos tratados quando precisamos de alguém.

Maquiavel percebeu isso há mais de cinco séculos: existe poder em estar perto. Quem está presente sente o problema antes, conhece as pessoas e entende o território de um jeito que relatório nenhum entrega. Paulo talvez tenha aprendido Maquiavel sem nunca ter lido O Príncipe. Está rodando Alagoas palmo a palmo, e o curioso é que não faz isso por si: não é candidato à reeleição, não indicou o vice. Mesmo assim, é difícil lembrar de um governador alagoano recente tão pessoalmente empenhado em eleger o sucessor.

Enquanto todo mundo olha para o avião que vai pousar trazendo Lula, eu continuo de olho no carro que não para de rodar.

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Lula tem peso. Renan tem história. Paulo tem acesso. E a doze dias da eleição, os três podem fazer diferença.

Do outro lado, Alfredo Gaspar também foi para a estrada pedir voto para Flávio, falando em enterrar a era dos Calheiros — mesmo sem JHC ter declarado formalmente apoio a ele. Mais um daqueles detalhes que tornam a política muito mais interessante nos bastidores do que no palanque.

Minha avó talvez resumisse tudo isso sem pesquisa, cientista político ou marqueteiro: é o olho do dono que engorda o gado. Só que, desta vez, Paulo nem é o dono. E talvez seja justamente isso que torne sua movimentação tão interessante.

Faltam doze dias. Tempo suficiente para muita coisa acontecer. Porque campanha tem pesquisa, palanque, presidente e fotografia. Mas voto ainda mora na casa de alguém.

O resto é microfone.

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