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Renan 45, JHC 44: a pesquisa desta segunda desmente quem já encomendou a faixa.

Redação28 de setembro de 2026
Renan 45, JHC 44: a pesquisa desta segunda desmente quem já encomendou a faixa.

Primeira pesquisa da última semana, a DataTrends confirma o empate técnico, mostra JHC com o voto mais firme e Renan com o governo mais bem avaliado. A faixa, por enquanto, fica na gráfica.

Minha avó nunca leu uma pesquisa eleitoral na vida, mas acertava mais prognóstico que muito instituto, porque tinha uma regra para tudo: não se conta com o ovo antes de a galinha botar. A primeira pesquisa desta última semana saiu hoje cedo e deu razão a ela. Quem passou o fim de semana encomendando faixa de vitória pode ir ligando para a gráfica e pedindo para segurar o serviço.

A DataTrends ouviu 1.200 eleitores entre 23 e 25 de setembro e encontrou Renan Filho com 45% e JHC com 44%. A margem é de 2,83 pontos para mais ou para menos, o que faz daquele ponto de diferença um detalhe estatístico, e não uma liderança. No segundo turno simulado, o placar quase não se mexe: 47% a 46%. Somada às pesquisas de sexta-feira, a fotografia fica completa. A Quaest mostrou JHC à frente, com 43% contra 41%. O Real Time Big Data pôs Renan na frente, com 47% contra 44%. São três institutos, dois líderes numéricos diferentes e uma única conclusão honesta: empate técnico. Cada torcida vai pendurar no status a pesquisa que lhe agrada, mas quem lê as três de cabeça fria sabe que ninguém tem essa eleição no bolso.

A pergunta que interessa agora não é quem está na frente, e sim quem ainda consegue crescer e quem já bateu no teto. A DataTrends trouxe o dado que faltava para responder. JHC tem 39% de eleitores que dizem votar nele com certeza, e Renan tem 37%. Mesmo aparecendo um ponto atrás no total, JHC tem o voto mais amarrado, enquanto uma fatia maior do voto de Renan ainda mora na casa de quem apenas "poderia votar". Voto certo é casamento no cartório. Voto possível é namoro de São João, e todo mundo aqui sabe quantos desses chegam inteiros ao Natal.

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Na rejeição, as três pesquisas, que discordam na ordem, concordam no mesmo ponto: Renan é o mais rejeitado. Na DataTrends, 37% dizem que não votariam nele de jeito nenhum, contra 34% de JHC. Na Quaest, a distância é maior, de 37% a 29%. No Real Time Big Data, fica em 41% a 36%. Somando voto certo e voto possível, JHC alcança um teto de 61% e Renan, de 58%. Parece pouco, mas numa eleição decidida no detalhe, três pontos a mais de espaço para crescer valem ouro.

Seria desonesto, porém, contar só metade da história. A mesma DataTrends mostra o governo Paulo Dantas aprovado por 64% dos alagoanos, contra 34% que desaprovam. É esse o vento que empurra a candidatura de Renan: quem tem um governo aliado bem avaliado não precisa convencer o eleitor de que o estado vai bem, só de que o trabalho merece continuar. Rejeição maior é ladeira, governo aprovado é motor, e a urna vai dizer qual dos dois pesa mais na subida.

Resta ainda um pedaço do eleitorado que não escolheu ninguém. Na DataTrends, 5% dizem que votam branco, nulo ou em nenhum dos candidatos, e outros 5% não souberam responder. Na Quaest, esse grupo chega a 16%. Numa disputa de um ponto, isso não é sobra, é o juiz da partida.

O fim de semana mostrou que essa briga também se trava nos tribunais. No sábado, 26, uma decisão de urgência mandou suspender a programação regular de nove rádios e bloquear dez perfis nas redes, numa investigação sobre suposto favorecimento à candidatura de JHC, com as acusações ainda sujeitas à defesa dos investigados. Na outra ponta, o TRE-AL derrubou o bloqueio do Instagram de Renan Filho: como o conteúdo questionado já tinha sido retirado, tirar o perfil inteiro do ar a essa altura seria desproporcional. São casos diferentes, com pesos diferentes, mas os dois mostram que, na reta final, o direito de falar e de responder virou peça da disputa. Quando faltam seis dias, cada hora fora do ar vale o que uma semana valia em agosto.

Enquanto os advogados discutem até onde vai a boca de cada um, os candidatos disputaram a fotografia. Renan e JHC levaram suas caminhadas para a orla de Maceió no domingo, e cada grupo jura que o seu foi maior. Se tamanho de multidão decidisse eleição, o favorito seria o vendedor de água de coco, que esteve nas duas. Multidão mostra organização e entusiasmo de quem foi, mas não diz nada sobre quem ficou em casa esperando o Fantástico. Esse eleitor não veste camisa, não comenta publicação e não aparece na imagem do drone, e vota do mesmo jeito.

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Cesmac

Aprendi em muitas campanhas, algumas ganhas e outras perdidas, que a certeza gritada no grupo de WhatsApp é a mais perigosa de todas. Dentro da bolha, a mensagem repetida dá sensação de unanimidade. Fora dela, bate na indiferença, na dúvida ou na rejeição, e o comitê só descobre isso na apuração.

Até sábado, pelo menos meia dúzia de novas pesquisas estão registradas para sair em Alagoas. Vai chover número, e cada um vai ser comemorado como gol. Na minha avaliação, porém, esta eleição vai ser decidida por três coisas: quem consegue transformar voto possível em voto certo sem perder o que já tem, quem leva o eleitor até a urna e quem reage melhor ao imprevisto desta semana. Pode ser uma resposta convincente, uma contradição exposta ou um ataque que passa do ponto e volta como bumerangue na testa de quem atirou. E, debaixo de todo esse barulho, há uma pergunta que ninguém respondeu à altura: depois de tanta acusação, quem oferece ao eleitor um motivo concreto para confiar no próximo governo?

Eleição apertada raramente se decide no vídeo mais visto ou no discurso mais bravo. Ela se decide em movimentos pequenos, somados em muitos lugares, justamente naquilo que não rende foto bonita. Entre o possível e o provável cabe uma eleição inteira, e quem já está tirando a medida da faixa faria bem em ouvir minha avó: a galinha ainda não botou.

O resto é microfone.

 

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