Quase metade das famílias ainda recusa doação de órgãos; cenário acende alerta em Alagoas

Adecisão de uma família pode ser determinante entre a perda de uma vida e a possibilidade de salvar outras. No Brasil, aproximadamente 45% das famílias abordadas após a morte de um potencial doador não autorizam a retirada de órgãos, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde e repercutidos pela Agência Brasil.
O percentual significa que, em praticamente metade dos casos em que existe a possibilidade de doação, a autorização não é concedida pelos familiares. O cenário representa um dos principais obstáculos para a ampliação dos transplantes no país.

Em Alagoas, o assunto também tem impacto direto. O Estado possui uma estrutura de captação e transplantes e já registrou casos de doações realizadas no Hospital Geral do Estado (HGE), com órgãos destinados a pacientes que aguardavam por um transplante. Em maio deste ano, por exemplo, captações realizadas na unidade beneficiaram oito pessoas.
Decisão precisa ser tomada pela família
Um dos principais pontos para quem deseja ser doador é comunicar essa vontade aos familiares.
Isso porque, no Brasil, mesmo que uma pessoa manifeste em vida o desejo de doar seus órgãos, a autorização para a doação após a morte precisa ser dada pela família. A Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau) reforça justamente a importância de conversar previamente com os parentes sobre essa decisão.
Na prática, a falta de diálogo pode fazer com que familiares, diante de um momento de forte abalo emocional, tenham dúvidas ou não saibam qual era a vontade do paciente.
Por que a autorização é tão importante?
A doação pode beneficiar pessoas que aguardam por órgãos para continuar vivendo ou recuperar a qualidade de vida. Uma única pessoa pode contribuir para salvar até oito vidas, dependendo dos órgãos e tecidos que possam ser aproveitados.
Por isso, cada recusa representa uma oportunidade que deixa de ser concretizada para pacientes que estão na fila de transplantes.
O problema não está necessariamente na falta de potenciais doadores. A recusa familiar é apontada pelas autoridades de saúde como uma das barreiras para aumentar o número de transplantes realizados no país.
Reflexo em Alagoas

Para Alagoas, ampliar a conscientização sobre o tema pode significar mais oportunidades para pacientes que aguardam por um transplante.
A rede estadual conta com serviços relacionados à captação e transplantes, e o Governo de Alagoas vem divulgando casos de doações que possibilitaram novos transplantes. Em julho, a Sesau também destacou o caso de uma paciente que recebeu um transplante de fígado no Hospital do Coração Alagoano.
Os números mostram que a discussão não deve ficar restrita aos hospitais. Para especialistas e profissionais envolvidos na área, a conscientização começa dentro de casa.
O que fazer para ser doador?
Não é necessário realizar um cadastro específico para manifestar a intenção de doar após a morte.
A principal recomendação é conversar com os familiares e deixar clara a vontade de ser doador. No momento em que houver a possibilidade de doação, os parentes poderão autorizar ou não o procedimento.
A conversa antecipada pode ajudar a família a tomar uma decisão de acordo com a vontade que foi manifestada pela pessoa em vida.
Um gesto que pode continuar depois da morte
O índice de 45% de recusa familiar mostra que ainda existe um grande espaço para ampliar a informação sobre a doação de órgãos no Brasil.
Em Alagoas, onde pacientes também dependem da rede de transplantes, cada autorização pode representar uma nova chance para quem espera por um órgão.
Mais do que uma decisão tomada em um momento de luto, a doação de órgãos envolve uma escolha que pode permitir que outras pessoas tenham a oportunidade de continuar vivendo.
Por isso, a orientação das autoridades de saúde é simples: quem deseja ser doador deve conversar com a família enquanto estiver vivo.
Fonte: Redação com assessoria




