Bárbara Braga, as viagens e a nomeação: quando a cobrança vira ataque.

Viagens de Bárbara Braga divulgadas nas redes durante sua gestão agora são usadas para levantar suspeitas sobre ela. Fiscalizar gastos públicos é necessário; transformar uma agenda conhecida em insinuação exige outra resposta.
Quando uma mulher sobe, sempre aparece alguém para perguntar quem segurou a escada. Quando um homem sobe, raramente perguntam quem abriu a porta.
Não tenho relação pessoal com Bárbara Braga e discordo de algumas falas dela, especialmente das dirigidas a Marina JHC. Cada pessoa tem o direito de decidir como quer ser chamada. Reduzir essa escolha a marketing também é uma forma de diminuir uma mulher.
Mas discordar de Bárbara não me obriga a ficar em silêncio diante das publicações que tentam transformar sua trajetória numa suspeita permanente. Ela é advogada, construiu uma carreira no serviço público e comandou o Turismo de Alagoas sem herdar um sobrenome político, com indicação técnica do Trade turística de Alagoas.

Agora, suas viagens ao exterior e sua nomeação na Assembleia Legislativa viraram assunto nas redes. São fatos que podem ser fiscalizados.
As viagens? Estavam no Instagram, o pessoal e o institucional, com feira, reunião e palestra. Ela levava Alagoas na mala. E o resultado apareceu, porque os números do turismo estão aí, até cego lê.
Virginia Woolf escreveu sobre a importância de uma mulher ter um espaço próprio para criar. Na política alagoana, muitas ainda precisam provar que têm o direito de entrar pela porta da frente. Bárbara entrou. Isso não a torna imune a críticas, mas exige que sejam feitas com fatos, e não com insinuações.
Eu não defendo Bárbara por amizade, assim como não defendo Marina por concordar com tudo o que ela diz. Defendo o direito das duas de ocupar espaços de poder sem serem reduzidas à aparência, ao nome que usam ou a suspeitas sem prova. Nós, mulheres, podemos discordar umas das outras e ainda assim nos apoiar quando a crítica atravessa essa linha. Se não abrirmos espaço umas para as outras, a velha política agradece e continua segurando a chave da porta.
O resto é microfone.
Wanessa Costa




