Vendas no Varejo Brasileiro Sobem Mais do Que o Esperado em Junho

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
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O varejo brasileiro encerrou o segundo trimestre com vendas acima do esperado em junho. O setor avançou 0,5% na comparação com maio, acelerando o ritmo de crescimento, informou nesta quinta-feira (13) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado superou as expectativas do mercado. Economistas consultados pela Reuters projetavam alta de 0,3% no mês.
Apesar do desempenho positivo em junho, o varejo acumulou queda de 0,4% no segundo trimestre frente aos três meses anteriores. No primeiro trimestre, as vendas haviam crescido 1,2%.
Em maio, o setor avançou 0,3% na comparação mensal, após recuar 1,5% em abril.
Na comparação anual, as vendas cresceram 2,9% em junho. O resultado também ficou acima da projeção de analistas consultados pela Reuters, que esperavam avanço de 2,35%.
"O comércio não está num momento de inflexão. O único ponto de queda foi em abril, com retração forte. O primeiro trimestre marcou o pico da série, e ficar nesse ponto ou até superar é cada vez mais difícil", afirmou Cristiano Santos, gerente da pesquisa do IBGE.
Segundo ele, o desempenho no acumulado do ano ainda é positivo. "No primeiro semestre temos um crescimento significativo. 2025 todo fechou em alta de 1,5% e, nesse semestre, o comércio avançou 1,9%", acrescentou.
Juros altos pressionam o varejo
Economistas esperam uma moderação do consumo nos próximos meses. A perspectiva acompanha a desaceleração esperada da economia brasileira em um cenário de política monetária restritiva, com a Selic atualmente em 14%.
O varejo, porém, ainda encontra suporte no mercado de trabalho aquecido e em medidas de estímulo ao consumo. A desaceleração da inflação, especialmente dos alimentos, também favorece o setor.
Em junho, o IPCA desacelerou para 0,16%. Os preços de alimentos e bebidas recuaram 0,24% no período.
"Enquanto a desaceleração econômica e o menor nível de renda disponível das famílias nos períodos vindouros devem prejudicar o consumo de bens industriais e serviços, a tendência é que o gasto das famílias se concentre cada vez mais no comércio, principalmente no segmento de alimentação", afirmou Matheus Pizzani, economista do PicPay.
Quatro atividades avançam em junho
Das oito atividades pesquisadas pelo IBGE, quatro registraram crescimento no mês. O maior avanço ocorreu em outros artigos de uso pessoal e doméstico, com alta de 2,4%.
Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo cresceram 1,1%. Móveis e eletrodomésticos avançaram 0,4%, enquanto artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria tiveram alta de 0,2%.
Na outra ponta, livros, jornais, revistas e papelaria registraram a maior queda, de 9,9%. Tecidos, vestuário e calçados recuaram 2,6%, enquanto combustíveis e lubrificantes caíram 1,7%. Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação tiveram retração de 1,3%.
Varejo ampliado recua e pode pesar sobre o PIB
No comércio varejista ampliado, o cenário foi mais fraco. O segmento inclui veículos, motos, partes e peças, material de construção e atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo.
As vendas recuaram 1% em junho.
Segundo André Valério, economista sênior do Inter, o desempenho do segmento deve pesar sobre a atividade econômica no período.
"O varejo ampliado, mais relevante para o cálculo do PIB, terá contribuição negativa para o PIB do segundo trimestre, tendo retraído 0,96% frente ao primeiro trimestre de 2026", afirmou.
O Inter projeta crescimento de 0,5% para o PIB brasileiro no segundo trimestre e de 1,8% em 2026. Segundo Valério, a expansão deve ser sustentada principalmente pelo setor externo.
Fonte: Forbes Brasil




