Uber se junta a 99 e volta a oferecer serviço de mototáxi em SP

A Uber anunciou que irá retomar seu serviço de transporte com moto na cidade de São Paulo a partir desta quarta-feira, 22.
A Uber anunciou que irá retomar seu serviço de transporte com moto na cidade de São Paulo a partir desta quarta-feira, 22.
+Trump diz estar aberto para que Musk compre TikTo: 'Se ele quiser'
Segundo comunicado da gigante de mobilidade, o serviço de Uber Moto estará presente apenas fora do centro expandido – decisão que a empresa justifica como necessária para ‘analisar cuidadosamente a demande e utilização’.

O lançamento ocorre em um contexto em que o serviço de aplicativos por moto já opera na cidade há uma semana e depois de uma decisão da Justiça na tarde de terça-feira, 21, que negou liminar do município solicitando a suspensão desse tipo de serviço.
Assim, já a partir desta quarta, 22, os usuários podem ver a modalidade de viagens de moto como uma das opções de viagem disponível no aplicativo do Uber. Em todas as viagens o uso de capacete será obrigatório.
A modalidade de motos foi lançada pela companhia já em meados de 2020, mas não estava operando em São Paulo atualmente.
"O Uber Moto é uma alternativa de mobilidade que está presente de Norte a Sul do Brasil e tem se estabelecido como alternativa em especial onde o transporte público é menos presente, principalmente nas regiões periféricas das cidades, com os preços em média 40% mais baixos do que o UberX", afirma Laura Lequain, head de Uber Moto no Brasil.
"Um dos seus principais usos é justamente no papel complementar ao serviço público: muitas viagens são a chamada última milha, do ponto de ônibus ou estação de metrô até a casa ou vice-versa”, completa.
No lado dos motoristas, é necessário comprovar que se tem CNH definitiva nas categorias A ou AB e se enquadrar nos requisitos da legislação federal em vigor.
Levantamento de Uber e Datafolha mostram demanda grande na capital paulista
A empresa contratou uma pesquisa junto ao instituto Datafolha que mostrou que a demanda pelo serviço na capital paulista é relativamente grande.O estudo apontou que 85% dos paulistanos concordam que o serviço de moto por aplicativo é uma boa alternativa, e 84% dos entrevistados são a favor da regulamentação do serviço de transporte de pessoas, com a criação de regras por parte de órgãos governamentais.
Além disso, os dados mostraram que 94% dos entrevistados concordaram que moto por app tem menor tempo de deslocamento e 88% entendem que o serviço é ideal para percursos curtos.
No levantamento em questão o Datafolha entrevistou 1.807 pessoas de 16 anos ou mais de todas as classes econômicas na Capital e cidades da Região metropolitana de São Paulo. A margem de erro máxima da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.
Decisão da companhia vem após polêmica com a 99
O anúncio do serviço de Uber Moto vem dias após um imbróglio entre a 99 e a Prefeitura de São Paulo.
A plataforma, concorrente da Uber, começou a oferecer transporte de moto na capital paulista no dia 14 de janeiro – contrariando um decreto (62.144/2023) da Prefeitura, emitido em 2023, que suspende a atividade de mototáxi na cidade.
Com uma semana de operação, a empresa de transporte por aplicativo disse que já ultrapassou a marca de 200 mil viagens dessa modalidade em SP.
A empresa defender que o decreto é "inconstitucional" e cita lei federal – a Lei 13.640 – para rodar com os motociclistas. + 99 retoma serviço de moto por app em São Paulo, mesmo sem aval da prefeitura.
O prefeito da cidade, Ricardo Nunes, chegou a chamar a empresa de ‘assassina’ em coletiva de imprensa.
"Nós não vamos permitir que essa empresa venha para cá e faça uma carnificina. São assassinos. Essas empresas são empresas assassinas e irresponsáveis e não vão fazer na cidade de São Paulo aquilo que elas pretendem, só buscando o lucro", declarou.
Durante esse período a 8ª Vara da Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo chegou a suspender o serviço de mototáxi da 99 na capital paulista, mas as motos seguiram circulando.
A Prefeitura pedia à Justiça uma multa de R$ 1 milhão por dia à 99, por a empresa oferecer o serviço – que agora é visado pela Uber.
Todavia, a Justiça de São Paulo indeferiu esse pedido de tutela antecipada feito pela Prefeitura da capital para multar a 99 pelo serviço de transporte de passageiro por motocicletas. A decisão foi do juiz Josué Vilela Pimentel, da 8ª Vara de Fazenda Pública, a partir de uma ação civil pública apresentada pela Prefeitura.
De acordo com o magistrado, "resta pacicado pelo julgamento do Tema 967 do STF que é inconstitucional a proibição ou restrição de transporte privado individual por motorista cadastrado em aplicativo, por constituir violação aos princípios da livre iniciativa e da livre concorrência”.
Entenda abaixo a cronologia das decisões:
- A 99 pediu na 8ª Vara da Fazenda Pública um pedido de mandado de segurança para proteger as viagens contra as ameaças da Prefeitura
- A 8ª Vara indeferiu o pedido da 99 sem analisar a legalidade. O tribunal não considerou que existe ameaça urgente contra a empresa
- A Prefeitura passou a apreender motocicletas em São Paulo com base no decreto nº 62.144/2023, que é ilegal pois contraria legislação federal
- Também passou a multar condutores em mais de 7 mil reais utilizando a lei municipal 16.344/16, que não trata de corridas privadas intermediadas por aplicativos, mas sim de mototáxis – uma categoria diferente
- A 99 fez pedido de agravo no TJSP contra a decisão da 8ª Vara. Posteriormente, esse agravo foi indeferido porque o magistrado não enxergou ameaça ao serviço. A decisão não tratou da legalidade da modalidade
- É publicada na terça-feira, 21, a primeira decisão sobre o caso que trata sobre o mérito da categoria
Mototáxi chegou a ser lançado em 2023
O serviço em questão chegou a ser lançando na capital paulista – e também na cidade do Rio de Janeiro – em meados de janeiro de 2023. Já nessa época a gestão municipal de São Paulo se mostrava contrária à atividade.O Comitê Municipal de Uso Viário (CMUV) notificou a 99 sobre a suspensão das viagens feitas por motocicletas. O comitê ainda sinalizou que quem oferecesse o serviço estaria sujeito a sanções administrativas, multa e até perder a licença para operar na cidade.
Depois disso, foi publicado o decreto municipal em questão, por Ricardo Nunes, que então suspendeu esse tipo de transporte na cidade.
Fonte: ISTO É DINHEIRO




