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Setor Petrolífero Venezuelano Pode Atrair Investimentos de US$ 100 Bilhões

Redação05 de janeiro de 2026
Setor Petrolífero Venezuelano Pode Atrair Investimentos de US$ 100 Bilhões

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

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A transição política na Venezuela após a prisão do ditador Nicolás Maduro vai movimentar o mercado mundial de petróleo. O país é a nação petrolífera com maior potencial do mundo, e as mudança de governo pode alterar fluxos comerciais e o equilíbrio geopolítico global no médio e no longo prazo.

A Venezuela tem as maiores reservas provadas de petróleo do planeta – aquelas em que há pelo menos 90% de probabilidade de sucesso na extração. As jazidas venezuelanas são estimadas em quase 300 bilhões de barris, ou 20% do total global. A US$ 60 por barril, esse volume representa US$ 18 trilhões em riqueza potencial. O país já foi um dos líderes globais do setor, mas atualmente produz apenas 1 milhão de barris por dia, cerca de 1% da oferta global.

Esse colapso está diretamente ligado à intervenção do ex-presidente Hugo Chávez na estatal petrolífera venezuelana, a Petroleos de Venezuela S.A. (PDVSA). Até o início dos anos 2000, a empresa era considerada uma das estatais petrolíferas mais bem administradas do mundo, ajudando a Venezuela a garantir a marca de 3,3 milhões de barris por dia, volume superior ao dos Estados Unidos. A partir de 2007, o governo chavista alterou contratos, elevou royalties e impostos, exigiu controle majoritário da PDVSA nos projetos da Faixa do Orinoco e expulsou empresas americanas como ExxonMobil e ConocoPhillips.

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Para retomar a antiga relevância, o setor petrolífero venezuelano teria de investir quantidades maciças de dinheiro. Uma estimativa de Gustavo Vasquez, gerente de petróleo e GLP da Argus (empresa especializada na produção de relatórios e análises de preços para o mercado de commodities), é de que custaria ao menos US$ 100 bilhões. No entanto, esse número ainda é preliminar. “A infraestrutura petrolífera da Venezuela levaria anos — e possivelmente centenas de bilhões de dólares — para se aproximar de sua antiga capacidade, no melhor ambiente de investimentos”.

Incertezas

Apesar de autoridades americanas terem conversado com as lideranças do setor petrolífero nos últimos dias, alertando as empresas que poderiam ser convocadas a fazer investimentos na Venezuela no curto prazo, o quadro tem suas nuances. ExxonMobil e ConocoPhillips saíram do país, mas a Chevron permaneceu, aceitando fazer parcerias com a PDVSA. Além disso, petrolíferas chinesas vêm investindo na prospecção e extração de petróleo, e dificilmente vão abrir mão dos contratos. Sem contar que a Venezuela ainda deve cerca de US$ 12 bilhões à China por antigos esquemas de empréstimos garantidos por petróleo.

Há outros pontos. A saída das empresas estrangeiras retirou capital, tecnologia e capacidade de gestão de uma indústria baseada em petróleo extrapesado, cuja exploração exige equipamentos e conhecimento técnico sofisticados. O resultado foi a rápida deterioração da infraestrutura, queda acentuada da produção, corrupção crescente e perda de eficiência operacional. Para completar, o país sofreu uma grande fuga de cérebros em sua indústria de petróleo desde os anos 1990, quando funcionários foram expurgados da estatal PDVSA por razões políticas ou deixaram o país em busca de melhores condições. A aposta é que a reconstrução da infraestrutura permita elevar gradualmente a produção e reinserir a Venezuela no mercado internacional de energia.

Impacto no longo prazo

No curto prazo, os mercados ainda tratam o ocorrido na Venezuela como um choque tático, não sistêmico. A curva do petróleo segue sem sinais de escassez, os estoques globais permanecem elevados e a Organização dos Países Exportadores de Petróleo mais a Rússia, organização conhecida como Opep+ (e da qual a Venezuela faz parte) mantém capacidade ociosa. Apesar da instabilidade política, não houve reprecificação estrutural do risco energético.

O interesse americano, porém, vai além do curto prazo. Cerca de 70% do petróleo importado pelos Estados Unidos é de tipo pesado, compatível com o óleo venezuelano. A reativação da produção venezuelana reduziria dependências externas, ampliaria a segurança energética e enfraqueceria a influência de outros grandes detentores desse tipo de petróleo, como a Rússia. Ao mesmo tempo, diminuiria o espaço de manobra da China, hoje uma das principais compradoras do petróleo venezuelano.

Além do petróleo, a reestruturação logística abre caminho para a exploração de outros ativos estratégicos. A Venezuela possui cerca de 4 bilhões de toneladas de minério de ferro, avaliadas em mais de US$ 400 bilhões, além de depósitos relevantes de terras raras no Arco Mineiro do Orinoco, com potencial econômico estimado em centenas de bilhões de dólares. Para os Estados Unidos, a recuperação da infraestrutura energética funcionaria como alavanca para ampliar a presença em cadeias críticas de matérias-primas.

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