Países ricos ampliam ajuda climática e superam meta de US$ 100 bilhões pelo terceiro ano seguido

Continua após a publicidade Os países desenvolvidos voltaram a ultrapassar a meta internacional de financiamento climático para nações em desenvolvimento e destinaram US$ 136,7 bilhões (cerca de R$ 697 bilhões) em 2024 para ações de combate e adaptação às mudanças climáticas, segundo novo relatório divulgado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
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Os países desenvolvidos voltaram a ultrapassar a meta internacional de financiamento climático para nações em desenvolvimento e destinaram US$ 136,7 bilhões (cerca de R$ 697 bilhões) em 2024 para ações de combate e adaptação às mudanças climáticas, segundo novo relatório divulgado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
O valor representa o terceiro ano consecutivo em que os países ricos superam a meta de US$ 100 bilhões anuais (aproximadamente R$ 510 bilhões) acordada em negociações da ONU sobre clima.
Em 2023, o montante havia alcançado US$ 132,8 bilhões (cerca de R$ 677 bilhões). A marca já tinha sido superada pela primeira vez em 2022, quando os recursos chegaram a US$ 115,9 bilhões (aproximadamente R$ 591 bilhões). Continua após a publicidade
Meta virou símbolo da disputa climática entre países ricos e emergentes
O compromisso dos US$ 100 bilhões foi firmado originalmente em 2009, durante negociações da Convenção do Clima da ONU, como forma de ajudar países em desenvolvimento a reduzir emissões e enfrentar impactos climáticos como secas, enchentes e ondas de calor.
A meta se transformou, ao longo da última década, em um dos principais pontos de tensão das conferências climáticas internacionais. Países emergentes e pobres acusavam as economias ricas de não cumprir promessas feitas durante as negociações do Acordo de Paris.
O atraso no cumprimento da meta alimentou críticas sobretudo de países africanos, latino-americanos e pequenas ilhas vulneráveis ao aumento do nível do mar.
Dinheiro cresce, mas ainda há críticas sobre distribuição
Apesar do aumento do volume total, especialistas e organizações climáticas apontam que a distribuição dos recursos continua desigual.
Segundo o relatório da OCDE, a maior parte do dinheiro continua concentrada em países de renda média, enquanto o financiamento destinado às nações mais pobres caiu nos últimos anos. Continua após a publicidade

Em 2024, os países de baixa renda receberam US$ 9,6 bilhões (cerca de R$ 49 bilhões), abaixo do pico registrado em 2022.
Também persistem críticas sobre a composição dos recursos. Parte relevante do financiamento climático ainda ocorre por meio de empréstimos, e não de doações diretas, aumentando o endividamento de países vulneráveis.
Recursos para adaptação avançam em ritmo mais lento
O relatório mostra que os investimentos voltados à adaptação climática — como obras contra enchentes, sistemas de alerta, infraestrutura hídrica e proteção agrícola — seguem crescendo, mas em velocidade menor do que a necessária.
Os recursos destinados à adaptação responderam por cerca de um quarto do financiamento climático total em 2023 e 2024.
O tema ganhou peso nos últimos anos após uma sequência de eventos extremos em diferentes regiões do mundo, incluindo enchentes históricas, secas prolongadas e ondas de calor recordes. Continua após a publicidade
Especialistas afirmam que países pobres enfrentam hoje impactos climáticos mais severos justamente por terem menor capacidade de infraestrutura e resposta a desastres.
Investimento privado ganha espaço
Um dos movimentos mais relevantes identificados pela OCDE foi o avanço do capital privado dentro do financiamento climático.
Os recursos mobilizados junto a empresas e investidores chegaram a US$ 30,5 bilhões em 2024 (aproximadamente R$ 156 bilhões), o maior crescimento anual desde 2016.
O avanço foi impulsionado principalmente por bancos multilaterais de desenvolvimento, que vêm usando garantias e instrumentos financeiros para atrair investidores privados para projetos de energia limpa, infraestrutura e transição energética.
Pressão deve aumentar nas próximas negociações climáticas
O debate sobre financiamento climático deve ganhar ainda mais relevância nos próximos anos. Continua após a publicidade
Durante as últimas conferências da ONU, países aprovaram a criação de uma nova meta internacional de financiamento climático para o período entre 2026 e 2035.
A discussão agora gira em torno do tamanho desse novo compromisso e da pressão para que países ricos ampliem os recursos diante da aceleração dos impactos climáticos no planeta.
Economistas e especialistas em clima afirmam que os valores atuais ainda estão muito abaixo das necessidades estimadas para adaptação, transição energética e reconstrução após desastres extremos.
Brasil tenta ampliar protagonismo climático
O tema tem peso crescente para o Brasil, que busca ampliar protagonismo internacional nas negociações climáticas antes da COP30, prevista para ocorrer em Belém.
O governo brasileiro vem defendendo aumento de recursos para preservação florestal, transição energética e adaptação climática em países em desenvolvimento, especialmente na Amazônia.
Ao mesmo tempo, especialistas alertam que parte relevante do financiamento internacional ainda enfrenta dificuldades para chegar efetivamente a projetos locais, sobretudo em áreas vulneráveis e municípios com menor capacidade técnica. Publicidade
Fonte: Veja Abril




