Os Jardins Ganham Uma Nova Galeria – Com Uma Nova Postura

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Forbes, a mais conceituada revista de neg?cios e economia do mundo.
A Mazzucchelli Cardoso abre ao p?blico em 16 de maio, naRua Bar?o de Capanema, 440, com uma proposta na contram?o da pressa do mercado. Por tr?s dela, duas trajet?rias que se cruzaram em uma galeria e decidiram seguir juntas em endere?o pr?prio. ?Nasce da combina??o do desejo de criar um espa?o com rigor curatorial com uma vis?o de longo prazo e de uma rela??o muito pr?xima com artistas, colecionadores, curadores e p?blico em geral?, definem as fundadoras.
?Somos uma galeria interessada em pesquisa, experimenta??o e constru??o de trajet?rias consistentes, mas tamb?m em criar um espa?o vivo, acolhedor e perme?vel para conversas e trocas.?
O encontro
Kiki Mazzucchelli tem 30 anos de curadoria, sendo 22 deles no circuito internacional, com networking consolidado entre institui??es e mercado. Luciana Cardoso vem de mais de 25 anos como profissional de comunica??o e ? colecionadora atenta e atuante h? mais de 20 anos ? repert?rio que ela traduz numa obsess?o pela experi?ncia de quem entra na galeria. As duas se conheceram trabalhando juntas na Luisa Strina, perceberam a afinidade e decidiram abrir uma sociedade.?
Sobre como se conheceram, s?o diretas: ?A Luisa ? uma figura muito importante para o sistema da arte brasileira, e trabalhar com ela foi uma experi?ncia extremamente rica?, contam. ?Nos marcou muito a abertura para experimenta??o e para projetos mais arriscados intelectualmente.? A sociedade foi formalizada em 2026, mas come?ou a tomar corpo ao longo de 2025, quando as duas passaram a atuar juntas. ?A conex?o e a vontade de fazer algo juntas surgiram r?pido, mas a constru??o foi e est? sendo bastante cuidadosa?, diz Luciana. Kiki complementa: ?Desde o in?cio, havia a preocupa??o em construir uma galeria com identidade pr?pria e uma atua??o sustent?vel no longo prazo.?
A diverg?ncia, quando aparece, ? parte do jogo. ?Falamos que ?o que nos diferencia nos complementa?. Como viemos de trajet?rias diferentes, cada uma percebe aspectos distintos do trabalho dos artistas?, explicam. ?Mas existe uma confian?a muito grande no olhar uma da outra. Todo nome que trazemos para a mesa ? olhado com aten??o e carinho para entender se faz sentido para a hist?ria que queremos contar atrav?s do nosso programa.?
O programa
A galeria estreia com a representa??o de seis artistas: Luisa Matsushita, Heloisa Franco, Felipe Seixas, Camila Sposati, Fran Chang e biarritzzz ? e novos nomes a serem anunciados. A escolha n?o obedece ? l?gica de giro r?pido: o programa contempla artistas em diferentes momentos de carreira, com ?nfase em pesquisa e constru??o de trajet?ria. N?o h?, segundo as galeristas, uma tese curatorial fechada. ?Acreditamos que a produ??o contempor?nea hoje ? muito fragmentada e plural?, diz Kiki. ?O que conecta esses artistas ? a profundidade da pesquisa e a constru??o de linguagem pr?pria. S?o artistas muito diferentes entre si em termos de meio e abordagem, mas todos t?m trabalhos que resistem a leituras r?pidas e superficiais.?Luciana acrescenta um crit?rio menos racional: ?Existe um interesse comum por artistas que constroem universos muito ?nicos. E talvez o mais importante seja o fator ?frio na barriga?, aquela sensa??o maravilhosa de ser arrebatada ao olhar para o trabalho de um artista.?
A abertura mostra essa l?gica. Na vitrine voltada para a rua, biarritzzz apresenta uma s?rie desenvolvida a partir de pesquisa no Marrocos, conectando o Saara ao sert?o do Cariri. Na sala principal, Mat?ria da Mat?ria, de Camila Sposati, re?ne cer?mica, desenhos e t?xteis em uma exposi??o que j? passou por museus europeus e chega in?dita ao Brasil. ?A Camila ? uma artista com uma pesquisa extremamente sofisticada, muito respeitada institucionalmente, mas que n?o era mostrada no Brasil h? mais de 10 anos?, dizem. ?Nos interessava come?ar a galeria com uma exposi??o que tivesse densidade conceitual, mas tamb?m uma for?a material e sensorial muito forte.?
Colocar biarritzzz e Sposati lado a lado, em registros t?o distintos, ? deliberado. ?Gostamos muito da conversa que acontece entre as duas pesquisas, embora elas operem em registros muito diferentes?, explicam. ?A Camila trabalha numa escala mais imersiva, ligada ? mat?ria, ao subterr?neo, ? geologia e a temporalidades profundas. J? a biarritzzz investiga tecnologia, imagem e circula??o cultural contempor?nea, mas de uma forma muito pouco ?bvia, aproximando cultura digital a tecnologias ancestrais.? A escolha de colocar a artista digital na vitrine tem inten??o clara de abertura para a rua: ?Durante a instala??o, j? percebemos os transeuntes encantados com a obra dela.? 
O espa?o
O projeto arquitet?nico ? assinado pelo Est?dio Palma, de Cleo Döbberthin e Lorenzo Lo Schiavo, e foi pensado para escapar da f?rmula do cubo branco. A galeria tem vitrine voltada para a rua, sala principal de exposi??o, jardim, varanda e viewing room ? ambientes que ampliam as possibilidades de montagem e abrem espa?o para trocas mais demoradas entre artistas, colecionadores e p?blico.?Muitas vezes, as galerias podem parecer espa?os intimidadores ou excessivamente silenciosos, o que ? compreens?vel?, diz Luciana. ?Mas acreditamos que o espa?o deve ser justamente o contr?rio: um lugar onde as pessoas tenham vontade de ir e ficar. Levamos esse ponto em considera??o para criar os ambientes da galeria, tanto os expositivos quanto os de conviv?ncia. O projeto do Est?dio Palma foi fundamental para chegarmos a esse objetivo.?
Mais do que receber, os ambientes prop?em ritmos diferentes. ?Esses espa?os ampliam muito as possibilidades expositivas e tornam a experi?ncia mais fluida, mas tamb?m refletem uma vis?o de galeria menos r?gida?, dizem as s?cias. ?Hoje, colecionar arte passa muito pela experi?ncia e pela constru??o de v?nculo. Curatorialmente, isso tamb?m ? muito interessante, porque permite diferentes ritmos de exposi??o e de rela??o com as obras.?
A Mazzucchelli Cardoso abre ao p?blico em 16 de maio, na Rua Bar?o de Capanema, 440, S?o Paulo. O endere?o ? novo. A aposta, de longo prazo.
Fonte: Forbes Brasil




