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ONS aponta risco crescente de cortes de geração de energia no Brasil nos próximos anos

Redação04 de setembro de 2025
ONS aponta risco crescente de cortes de geração de energia no Brasil nos próximos anos
© Foto: Diário do Comércio

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) enxerga uma situação “administrável” para operar o setor elétrico no momento, mas alerta para riscos crescentes de cortes de geração e perda de carga no sistema nos próximos anos, em meio à falta de recursos flexíveis, como usinas de rápido acionamento, para atender adequadamente o suprimento de energia.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) enxerga uma situação “administrável” para operar o setor elétrico no momento, mas alerta para riscos crescentes de cortes de geração e perda de carga no sistema nos próximos anos, em meio à falta de recursos flexíveis, como usinas de rápido acionamento, para atender adequadamente o suprimento de energia.

Em evento nesta quinta-feira, o diretor de Planejamento do ONS, Alexandre Zucarato, ressaltou que a operação do sistema elétrico brasileiro está cada vez mais complexa em função da alta penetração das energias renováveis intermitentes, mas disse que o órgão consegue garantir o funcionamento do setor de forma “desotimizada”, ou seja, operando apesar das ineficiências”.

Zucarato enfatizou que há riscos cada vez maiores de cortes da ordem de vários gigawatts de geração e carga no Brasil, enquanto o governo avança lentamente na contratação de mais capacidade para o sistema elétrico.

“Minha equipe de planejamento já consegue enxergar o dia em que a gente vai ter que cortar geração, em escala de dezena de gigawatt de manhã, e cortar carga em escala de unidade de gigawatt na noite do mesmo dia. Independente do cenário hidrológico, se está chovendo, se está atrasado o período chuvoso”, alertou o diretor de Planejamento do ONS, durante participação em evento da MegaWhat.

O sistema elétrico precisa operar com um equilíbrio entre geração e consumo de energia. Quando há desbalanços, para evitar problemas sistêmicos, o ONS precisa ou reduzir a geração, limitando a produção dos geradores, ou até mesmo cortar a carga, interrompendo o fornecimento de energia para unidades consumidoras.

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Ele mencionou relatório do órgão que aponta uma probabilidade de 96% de que, em 2029, haja algum tipo de perda de carga por insuficiência de potência no sistema elétrico.

“É assustador você olhar que existe 96% de probabilidade de você perder carga por insuficiência de recursos, em todos os cenários… Era para você correr risco de 5% de ter problema, a gente está com 5% (de probabilidade) de dar certo.”

Citando outro relatório, Zucarato apontou que, em um horizonte de cinco anos, haverá necessidade de cortes de geração em mais de 80% das horas diurnas, de 9h às 16h.

Ele ressaltou a importância da realização, pelo governo, do leilão para contratar mais capacidade para o setor elétrico. O certame, que já está atrasado, teve suas regras colocadas em consulta pública no mês passado.

Segundo o diretor do ONS, preocupa o fato de que ainda há muitos passos para o certame efetivamente se concretizar, enquanto a indústria já começa a sinalizar gargalos para entrega de equipamentos.

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“A gente ainda tem que garantir que a consulta pública termine, que saia a portaria de diretrizes, a turma não resolva judicializar novamente a portaria de diretrizes porque não gostou do resultado da consulta pública, que o leilão aconteça, que não dê vazio, que a cadeia de suprimento consiga entregar…”

“Não tem mais espaço de hesitação. Estamos chegando muito perto de um ponto de não retorno que preocupa.”

Falta de flexibilidade

O diretor do ONS também observou que o grau de flexibilidade da matriz elétrica brasileira está “aquém do desejável”, mas é possível operar “a custo de desotimização”.

“Se cortar tudo que tem, bateu na inflexibilidade total, vai ter algum colapso, sobrecarga, vai apagar tudo? Não, abre o vertedouro (da hidrelétrica) e está tudo certo. A gente vai operar com os recursos que estiverem. O vertedouro não é pra ser operado como uma ‘antitérmica’, não é pra isso que ele foi feito, mas se o sistema for colapsar… Solução tem, mas a questão é, que eficiência tem essa solução?”, afirmou Zucarato.

A falta de flexibilidade na matriz brasileira tem feito com o setor conviva com uma série de situações indesejáveis e que elevam os custos de operação. Por exemplo, térmicas que só são necessárias apenas no fim do dia, para compensar a saída da energia solar, são ligadas várias horas antes devido à sua rampa de operação, agravando os cortes de geração de outras fontes, como renováveis.

Zucarato disse que o ONS está mobilizando todos os recursos no atual período seco, com manobras operativas hidráulicas e aproveitando o “máximo possível” dos ativos existentes, o que tende a elevar os custos.

Uma das ações é o acionamento de grandes térmicas movidas a gás natural liquefeito (GNL) que tiveram regras flexibilizadas, já que contratualmente o despacho desses empreendimentos têm que ocorrer com 60 dias de antecedência.

“Em Porto Sergipe, estamos falando de 1.500 MW rodando na base, 24/7, durante algumas semanas nessa transição do período seco para o período chuvoso… Quando se pensou no modelo de contrato com 60 dias para viabilizar a entrada de GNL, anos atrás, não se tinha visibilidade à época do que a gente precisaria (hoje)”.

Tags:
Economia

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