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Onda de imigração recente ajudou EUA crescer mais rapidamente, diz economista do Barclays

Redação30 de janeiro de 2025
Onda de imigração recente ajudou EUA crescer mais rapidamente, diz economista do Barclays
© Foto: ISTOÉ DINHEIRO

O fluxo migratório dos últimos anos nos Estados Unidos contribuiu para que o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, promovesse cortes nas taxas de juros e direcionasse a inflação para uma trajetória de queda.

O fluxo migratório dos últimos anos nos Estados Unidos contribuiu para que o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, promovesse cortes nas taxas de juros e direcionasse a inflação para uma trajetória de queda. Ao site IstoÉ Dinheiro, Marc Giannoni, economista-chefe do Barclays nos EUA, explica que houve um aumento na imigração do país nos últimos três anos que ajudou a consolidar o mercado de trabalho local.

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Segundo Giannoni, entre 2022 e 2024, o setor privado anunciava 12 milhões de vagas para serem preenchidas, enquanto o país registrava seis milhões de desempregados. “Realmente faltavam seis milhões de pessoas para vagas que as empresas queriam preencher imediatamente”, com o aumento da imigração, houve também, por consequência, um aumento na força de trabalho local, em torno de dois milhões ao ano, calcula, “o que ajudou a fechar a lacuna, aliviar e normalizar o mercado de trabalho”, diz. “O que também foi associado a um crescimento salarial “acomodado”, ou seja, com média salarial mais baixa do que em um cenário com baixa oferta de mão de obra.

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Como consequência, salários mais “achatados” e mercado de trabalho estabilizado, ajudaram a arrefecer a pressão inflacionário e permitiu ao Fed cortar pontos na taxa de juros ao longo dos últimos anos, após os Estados Unidos chegar aos 5,5% ao ano em 2023, um patamar alta em um país que registrar juros próximos a zero (0,25%) até 2022. Na quarta-feira, 29, o banco central americano manteve os juros na faixa de 4,50% a 4,75%.

“Os salários gradualmente chegando a níveis mais sustentáveis [mais baixos] ajudaram a inflação a caminhar para a meta de 2% ao longo dos últimos tempos. Isso permitiu que o Federal Reserve cortasse as taxas de juros. Então, essa grande onda de imigração ajudou a economia a crescer mais rapidamente”.

Agora, o receio é que todo esse processo retroceda com a política anti-imigração do novo presidente Donald Trump, que está atuando para tirar do país milhões de imigrantes. ” A preocupação agora é que veremos mais aperto novamente no mercado de trabalho, talvez crescimento mais lento e ganhos salariais mais rápidos que podem impedir o Fed de cortar ainda mais a taxa de juros por algum tempo.”

O banco central dos Estados Unidos tem entre seus focos, além do controle da inflação, o mercado de trabalho no país, que deve ser mantido no patamar máximo sustentável de empregabilidade. Em um cenário de alta demanda por mão de obra, os salários tendem a subir, levando a alta de inflação, o que por sua vez impacta nos juros em patamar mais elevado, com potencial de carregar seus efeitos para outras economias, como o Brasil.

Entra nesse cenário as novas regras tarifárias anunciadas por Trump, que também devem ter efeito inflacionário no país. “Isso força o Fed a manter os juros em patamares mais altos”. Giannoni projeta que o Fed vai manter o patamar atual dos juros no primeiro semestre e faça um corte no segundo. “Não mais do que isso’.

*A jornalista acompanha a conferência a convite da organização da GLMC.

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