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?Não adianta ser negacionista sobre (o tema) diversidade?, diz diretora da Potencia Ventures

Redação23 de fevereiro de 2025
?Não adianta ser negacionista sobre (o tema) diversidade?, diz diretora da Potencia Ventures
© Foto: O Globo

São Paulo, 22/02/2025 – Estratégias de diversidade e inclusão trazem resultados financeiros e de maior produtividade para as empresas, por isso a “desidratação” dessa agenda no cenário atual pode trazer efeitos negativos futuros que obrigarão as empresas a voltar atrás na decisão.

São Paulo, 22/02/2025 – Estratégias de diversidade e inclusão trazem resultados financeiros e de maior produtividade para as empresas, por isso a “desidratação” dessa agenda no cenário atual pode trazer efeitos negativos futuros que obrigarão as empresas a voltar atrás na decisão. A análise é da economista e investidora Itali Collini, diretora da Potencia Ventures, grupo focado em investimentos de impacto. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Como está o cenário para investimentos de impacto no Brasil?

Estamos vendo uma desidratação da pauta (de diversidade) nos últimos dois anos, por conta de alguns fatores. O primeiro é a mudança na abordagem política. Muitas discussões sobre diversidade e inclusão começaram a ser politizadas demais e afastadas do que realmente é importante, e, com isso, se criaram estereótipos. O segundo ponto, mais relacionado ao dinheiro, é que muitas empresas começaram essas políticas há cinco anos, e (desde então) não existe um método acordado sobre como fazê-las e como mensurar seus resultados. Assim, uma empresa que viu a onda acontecer e, após dois anos, não atingiu o que achou que deveria atingir acaba cancelando (investimentos na área).

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Qual o marco temporal dessa ‘desidratação’?

Está mais intensificado de 2023 para cá. Estou receosa com o novo cenário político nos EUA, onde a liderança política (Donald Trump) rechaça essas pautas. Tem muito do empresariado e dos investidores do mercado corporativo que se aliam com essa visão. Às vezes, parece que damos dois passos para frente e um para trás. Estamos nesse passo para trás nesse momento.

Desde o ano passado havia um temor de que a volta de Trump à Casa Branca reforçasse um movimento anti-ESG, agravando os investimentos de impacto…

Esse temor faz sentido. O que me impede de ser uma pessoa temerosa são alguns resultados de pesquisas nos quais não adianta ser negacionista sobre se a diversidade tem impacto positivo ou negativo na produtividade ou no resultado de uma empresa. Há muitas pesquisas acadêmicas, discutidas em termos estatísticos, mostrando que diversidade traz mais dinamismo para o time, um potencial de receita melhor, mais lucro. É como olhar para a política de cotas no Brasil. Não tem como falar que não funcionou. Funcionou, e ponto. Várias empresas, no que diz respeito a diversidade e inclusão, estão repensando algumas coisas. Porém, o ponto é que diversidade e inclusão dá resultado prático e financeiro. Não se pode ignorar o fato de que, nos últimos dez anos, houve tantas empresas testando isso e que temos dados para mostrar que faz diferença não só na cultura organizacional, mas no lucro da empresa. O ponto é que existem argumentos que mantêm a agenda dentro da importância que ela merece. O que vai acontecer nos próximos anos é que as empresas que desidratam a pauta vão sentir esse efeito e vão ser obrigadas a voltar atrás.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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