Maioria dos deputados tenta reeleição, mas cresce busca por outros cargos em 2026

437 dos 513 parlamentares em exercício disputarão novo mandato na Câmara; número de candidatos ao Senado dobrou em relação a 2022
A maioria dos deputados federais em exercício vai tentar permanecer na Câmara dos Deputados nas eleições de outubro. Dos 513 parlamentares que atualmente ocupam uma cadeira na Casa, 437 disputarão a reeleição, o equivalente a 85,19% da composição.
Apesar da predominância das candidaturas à Câmara, o número é menor do que o registrado nas eleições de 2022. Naquele ano, 448 deputados tentaram renovar o mandato. A redução de 11 candidaturas pode abrir espaço para uma maior renovação da Casa a partir de 2027, embora o resultado dependa do desempenho dos atuais parlamentares nas urnas.
Uma das principais mudanças neste ano está no aumento do número de deputados que decidiram disputar outros cargos. A quantidade de parlamentares que concorrerão ao Senado dobrou em relação à eleição anterior: passou de 21, em 2022, para 42 em 2026.

Também cresceu o número de deputados que tentarão uma vaga nas assembleias legislativas. Em 2022, seis parlamentares fizeram esse movimento. Neste ano, são 11.
Além deles, cinco deputados disputarão governos estaduais, um será candidato à Vice-Presidência da República – Alfredo Gaspar (PL), da chapa de Flávio Bolsonaro – e outro concorrerá ao cargo de vice-governador. Outros três parlamentares tentarão uma vaga como primeiro suplente de senador.
Há ainda 13 deputados em exercício que não disputarão nenhum cargo eletivo em 2026.
Por que deputados buscam a reeleição
Na avaliação do diretor de documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Neuriberg Dias, os deputados que já exercem mandato partem de uma posição vantajosa em relação a quem tenta entrar na política institucional pela primeira vez.
Entre os fatores estão o acesso ao Fundo Eleitoral e a possibilidade de destinar emendas parlamentares individuais. Esses recursos podem ser direcionados para municípios e programas que atendem às bases eleitorais dos deputados.

Segundo Dias, as emendas impositivas mudaram a relação dos parlamentares com o Executivo e se tornaram um fator importante para quem busca permanecer no cargo.
“Na nossa avaliação, as emendas (impositivas) são um divisor de águas. De 2015 para cá, houve uma mudança nessa dinâmica da relação com o Executivo, de que se dependia mais e hoje depende menos. Os parlamentares conseguem, de fato, executar esses recursos e transferir de forma direta para as prefeituras, para uma série de programas, para projetos que beneficiam o cidadão de forma geral nas suas bases eleitorais. As condições para que ele se mantenha no mandato se diferenciam daqueles que vão tentar pela primeira vez um cargo”Neuriberg Dias
Mesmo com essas vantagens, a redução no número de deputados que tentarão a reeleição indica uma movimentação maior de parlamentares em direção a outros cargos em 2026.
Renovação da Câmara depende das urnas
O número de deputados que deixará de disputar a Câmara não significa, por si só, que haverá uma renovação de 11 cadeiras no próximo ano. Isso porque parlamentares que buscam a reeleição podem não conseguir votos suficientes, enquanto novos candidatos podem conquistar as vagas abertas.
A composição da Câmara dos Deputados a partir de 2027 só será conhecida após o resultado das eleições. Além do desempenho dos atuais deputados, a disputa para o Senado, governos estaduais e assembleias legislativas também poderá influenciar a formação da próxima legislatura.
*Com informações da Agência Câmara




