Jornalistas criticam GloboNews por correção sobre Nossa Senhora Aparecida

Profissionais alegam que apuração de Maria Cristina Fernandes era verídica e questionam decisão da emissora de se retratar
Jornalistas criticaram a GloboNews após a emissora corrigir uma declaração da comentarista Maria Cristina Fernandes sobre a reação da Igreja Católica a uma suposta mobilização de evangélicos para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
A GloboNews pediu desculpas na madrugada de 25 de setembro de 2026, esclarecendo que a proposta mencionada foi apresentada em dezembro de 2007 pelo então deputado federal Professor Victório Galli e arquivada em agosto de 2008. A fala de Fernandes passou a circular nas redes associada ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), embora não haja projeto de autoria dele sobre o assunto.
Durante o programa Em Pauta, na noite de 24 de setembro, Maria Cristina afirmou: “Tem um movimento na Igreja Católica de reação a uma parcela de evangélicos que está mobilizando um projeto de lei para tirar Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira que pode sim surtir efeito, entre os católicos, a favor do Lula”.

Guga Noblat afirmou que a Globo “pipocou com medo de bozoloide” e sustentou que a informação de Fernandes era baseada em bastidores de arcebispos preocupados com a possibilidade de Flávio ressuscitar a antiga proposta.
Paulo Motoryn, jornalista investigativo, também contestou a retratação, afirmando: “Uma errata não tem razão de existir se não há erro”. Segundo ele, a apuração tratava da percepção de católicos sobre um compromisso de Flávio com a retirada do título.
As postagens, porém, não apresentaram evidência pública de um projeto atual ou de um compromisso formal do candidato nesse sentido.
Neste sábado (26 de setembro), o bispo diocesano de Piracicaba (SP), dom Devair Araújo da Fonseca, criticou a circulação de notícias falsas relacionadas à devoção religiosa, sem citar diretamente a controvérsia envolvendo Flávio Bolsonaro. Ele afirmou: “Às vezes, ameaçam a nossa devoção, fazendo crescer entre nós notícias que são falsas. Isso nos entristece e também nos surpreende”.
O episódio também envolveu um funcionário da Secom (Secretaria de Comunicação Social) da Presidência. O coordenador-geral de Estratégia e Informação do órgão, George Marques, republicou uma mensagem orientando usuários a não divulgar a retratação da GloboNews e a deixar o assunto “rolar”. O compartilhamento foi posteriormente apagado. Marques disse ao Poder360 que não concordava com o conteúdo e que, caso tivesse feito a republicação, teria sido por engano. A Secom declarou que a manifestação em perfil pessoal não representava a posição da secretaria.
Fonte: Poder360




