Evangélicos rejeitam uso eleitoral de igrejas, aponta pesquisa

"O voto deveria ser do cidadão e não da religião", afirma o pastor Lucas Oliveira, 30 anos, que atua em uma igreja batista de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A frase do pregador evangélico, em conversa com a Agência Brasil, sintetiza uma das principais contradições reveladas pela pesquisa nacion...
Uma pesquisa do Instituto de Estudos da Religião (Iser) e Quaest Pesquisa e Consultoria, divulgada na semana passada, revela que a maioria dos evangélicos e cristãos no Brasil rejeita o uso de igrejas para campanhas eleitorais. Segundo o levantamento, 83% são contra a indicação de voto por líderes religiosos, 82% rejeitam discussões políticas durante cultos e missas, e 90% são contra campanhas eleitorais em espaços religiosos.
A pesquisa, realizada com 15 mil entrevistas em 412 municípios, destaca que a influência religiosa na política ocorre mais pela formação de valores e identidades do que pela indicação direta de votos. A politização dos templos, comum desde os anos 1990, gerou divisões nas comunidades, com fiéis formando opiniões políticas sem influência direta das lideranças.
Pastores como Lucas Oliveira e Moisés Blanco observam uma reação à politização dos templos. Blanco, da Igreja Batista Peregrina, participa da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, que se opõe ao uso político dos templos. Ele destaca a tradição protestante de defesa da liberdade de consciência e separação entre Igreja e Estado.
A pesquisa também mostra que 29% da população brasileira é evangélica, com a Assembleia de Deus sendo a maior denominação. O catolicismo representa 50% da população, distinguindo praticantes de não praticantes. A religião influencia o comportamento político, especialmente no ambiente digital, com 66% usando o WhatsApp para articulação religiosa.
O estudo indica que, embora a religião não determine automaticamente o voto, ela participa da construção de valores e identidades. Pautas morais são marcadores de identidade, mas convivem com posições menos polarizadas sobre temas sociais concretos.
Fonte: Agência Brasil - Política




