Entenda o impacto da taxa de administração do fundo na sua rentabilidade
A taxa de administração funciona como uma espécie de preço cobrado pelo seu fundo de investimento para gerir o seu dinheiro e remunerar não apenas os gestores, mas também os distribuidores.
A taxa de administração funciona como uma espécie de preço cobrado pelo seu fundo de investimento para gerir o seu dinheiro e remunerar não apenas os gestores, mas também os distribuidores. Em tese, quanto mais sofisticada a estratégia, tempo, infraestrutura e talento empregados para entregar o melhor retorno aos cotistas, maior será esse valor, e vice-versa.
Mas o fato é que nem sempre é assim, e não são poucos os casos de fundos "mico", em que o investidor vê uma parte importante do seu rendimento ser comido por taxas de administração excessivas, seja em fundos de renda fixa, seja em fundos multimercado e de ações.
"Taxas mais altas podem corroer os rendimentos ao longo do tempo, especialmente em fundos com rentabilidade mais conservadora", alerta Maria Levorin, diretora de distribuição e suitability da Multiplica Crédito & Investimentos.

Por isso, o Bora Investir conversou com especialistas para colher dicas de como o investidor pode identificar quanto as taxas são muito elevadas para o serviço prestado. Confira abaixo.
- Avalie o tipo de fundo e o seu potencial de retorno
De acordo com os especialistas, os fundos de investimento conservadores, que costumam ter como referência o CDI (Certificado de Depósito Interbancário), devem oferecer taxas de administração menores, ainda mais em um momento de alta da taxa básica de juros, a Selic.
"Em fundos de renda fixa, a taxa de administração deve ser cuidadosamente avaliada, pois pode reduzir significativamente o retorno", aponta Mathias Teixeira, diretor de originação da Ecoagro.
É a mesma avaliação de Levorin, especialista da Multiplica. "Eles geralmente oferecem retornos mais previsíveis e conservadores. Uma taxa de administração alta pode comprometer significativamente a rentabilidade, especialmente em cenários de juros baixos."
Fundos multimercado e fundos de ações costumam cobrar taxas maiores, já que pedem mais estratégia, tempo e experiência do gestor, mas fique de olho em excessos – é possível encontrar fundos que cobram taxas de até 8%.
- Compare a taxa de administração com a média do mercado
A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) informa mensalmente a taxa de administração média cobrada dos fundos distribuídos. Em setembro, último dado disponibilizado, a taxa média de fundos de renda fixa ficou em 0,62%; a dos fundos multimercado, em 0,95%; e os fundos de ações, em 1,54%.
"É importante comparar as taxas e verificar se elas estão adequadas ao serviço oferecido, como gestão ativa e análise personalizada", diz a especialista da Multiplica.
Olhar e compara a lâmina de diferentes fundos de investimento é essencial, já que é um documento padronizado, que reúne as principais informações sobre o fundo de forma clara e objetiva.
- Entenda o impacto da taxa na sua rentabilidade
Considerando-se uma taxa do CDI de 11,15%, por exemplo, a rentabilidade de um fundo com taxa de administração de 1% para resgate em 6 meses seria de 0,62% ao mês. As mesmas condições para um fundo com taxa de administração de 2% reduziria esse retorno mensal a 0,55%.
- Olhe o desempenho histórico do fundo

"Uma das principais recomendações é que o investidor analise o histórico de desempenho do fundo, verificando se ele supera o benchmark ou outros fundos equivalentes, com perfis de risco e retorno similares, no longo prazo", diz Denis Omati, diretor de soluções de Investimentos da Constância Investimentos.
Ele lembra que a rentabilidade apresentada pelo fundo já é descontada da taxa de administração e de performance, facilitando a comparação.
- Há casos em que a taxa de administração alta se justifica
"Há fundos com acesso a mercados exclusivos ou alocação em ativos complexos que demandam maior expertise", diz Levorin, da Multiplica. "Por exemplo, fundos multimercados ou de ações com gestores renomados podem justificar um custo mais alto, desde que entreguem resultados consistentes acima do benchmark."
Teixeira, da Ecoagro, diz que o investidor deve analisar o perfil do fundo de investimento antes de realizar aportes.
"Taxa de administração pode ser elevada a depender do tipo de fundo, estratégia de investimento e ao nível de serviço oferecido. Por exemplo, fundos alternativos investem em ativos mais complexos e frequentemente possuem taxas mais elevadas, assim como fundos multimercado, que envolvem um serviço de gestão mais ativa e podem justificar taxas mais altas."
- Tome cuidado com as taxas de performance
"É importante verificar se a cobrança é transparente e justa", aconselha Levorin.
"Diferentemente da taxa de administração, a cobrança da taxa de performance é menos previsível, pois é aplicada apenas quando a gestora entrega um desempenho superior a um benchmark pré-definido, como CDI, Ibovespa, IMA-B, entre outros", lembra Omati.
- Observe se o fundo cobra taxas de entrada e saída
"Essas taxas são aplicadas em alguns fundos para entrada ou resgate de recursos", afirma Levorin. "Avaliar a existência e o valor dessas taxas é essencial para evitar surpresas.
- Fique de olho em outras taxas
Confira abaixo algumas delas:
Taxa de custódia: cobrada em alguns fundos por manter os ativos sob custódia. "Geralmente já está inserida na taxa de administração, quando o player presta ambos os serviços", diz a especialista da Multiplica.
Taxa de distribuição: cobrada quanto algum outro agente distribui o fundo. Em geral, é deduzida da taxa de administração, impedindo que o investidor seja cobrado adicionalmente.
Taxa de cobrança: aparece em fundos de crédito, e remunera o agente de cobrança do fundo.
Fonte: ISTO É DINHEIRO




