Destinos Remotos: Por Que a Elite Mundial Está Navegando até os Extremos do Planeta?

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
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No convés do Lamima, um dos maiores iates à vela de madeira do mundo, com 65,2 metros de comprimento, o diretor de cruzeiro Ali coordena a descida de um jet ski em águas de um azul-turquesa profundo. Dois hóspedes já deslizam em direção a um manguezal próximo em pranchas de paddle, enquanto outro grupo veste equipamentos de mergulho, pronto para explorar um recife nas proximidades.
O iate está ancorado em uma ampla baía em Raja Ampat, um arquipélago com mais de 600 ilhas apelidado de “o último paraíso na Terra”. Não há nenhum outro barco à vista — nem pessoas. Mas há uma abundância de natureza espetacular, desde formações cársticas cobertas de vegetação e repletas de aves até águas que escondem recifes de corais multicoloridos.

Navegar por essa riqueza de biodiversidade sempre foi popular, mas o interesse cresceu ainda mais à medida que o público do iatismo passou a evitar pontos saturados como o Mediterrâneo em busca de refúgios mais silenciosos e remotos.
Navegando até os confins da Terra
A EYOS Expeditions, empresa especializada em “expedições aos confins do mundo”, registrou um aumento significativo na demanda por destinos remotos.“Vimos um aumento de interesse por regiões polares, cadeias de ilhas isoladas e itinerários focados em conservação, à medida que os viajantes priorizam experiências que parecem raras, autênticas e muito distantes do turismo tradicional”, afirma o CEO Ben Lyons por e-mail. “Também há um interesse crescente por jornadas que ofereçam um envolvimento mais profundo com o destino, seja por meio de encontros com a vida selvagem, exploração ou tempo com cientistas, guias e especialistas em expedições.”
O Ártico também aparece no topo das listas de desejos, com viajantes deslizando por paisagens geladas de geleiras e fiordes profundos, habitados por ursos-polares, morsas, baleias, renas e raposas-do-ártico. Dependendo da estação, essas expedições podem acontecer sob o sol da meia-noite ou sob espetáculos da aurora boreal.
“Esses destinos oferecem uma sensação real de conexão e realização que não se encontra em locais mais convencionais — essa profundidade vem de sair da zona de conforto”, acrescenta Lyons.
Um “reset” remoto em Raja Ampat
A Indonésia tem registrado uma “demanda enorme” por expedições de iate, diz Lyons, especialmente em Raja Ampat. Dominique Gerardin, diretor-geral e coproprietário do iate Lamima, concorda. “Muitos hóspedes já alugaram iates em destinos mais tradicionais e agora buscam algo totalmente diferente, que combine vida selvagem excepcional, riqueza cultural e verdadeira remoteness”, afirma.
As águas do arquipélago são ricas em pontos de mergulho únicos, incluindo estações de limpeza de arraias-manta, um “mundo subaquático” conhecido como Jardim de Melissa e passagens naturais para natação. Entre mergulhos e snorkel, é possível passar horas observando criaturas marinhas, de golfinhos a peixes-palhaço.

O timing também é essencial para evitar multidões. Ao amanhecer, a equipe do Lamima leva os hóspedes para trilhas em formações cársticas cobertas de floresta, com vistas de lagoas azul-turquesa e aves-do-paraíso em exibição antes da chegada de outros barcos de turismo. A tripulação também conhece pequenas ilhas “desertas estilo náufrago”, onde montam jantares na praia sob luzes penduradas, além de cavernas ideais para explorações de caiaque. 
A bordo do Lamima, a experiência também é exclusiva: o iate é fretado integralmente, permitindo que no máximo 14 hóspedes usufruam de um amplo convés com espreguiçadeiras, salão interno espaçoso, bar e área de spa. Há ainda uma grande variedade de brinquedos náuticos, incluindo jet skis, wakeboard, pranchas de paddle e infláveis. A tripulação de 20 pessoas inclui massagistas, instrutor de ioga e mestre de mergulho.
Do Parque Nacional de Komodo à Patagônia Chilena
O Lamima também navegará pelo Parque Nacional de Komodo neste verão, outro destino indonésio em alta, segundo Lyons. O itinerário inclui mergulho e snorkel em alguns dos recifes mais biodiversos do país, com avistamentos frequentes de arraias-manta, tubarões de recife e golfinhos, além de nado com tubarões-baleia na Baía de Saleh. Em terra, os hóspedes fazem trilhas pelas ilhas dramáticas de Komodo, incluindo encontros guiados com dragões-de-komodo e caminhadas até mirantes panorâmicos.Outro destino remoto que vem ganhando atenção é a Patagônia chilena. A EYOS organizará expedições a bordo do OCTOPUS no final de 2026 e início de 2027, durante as quais os hóspedes poderão explorar fiordes majestosos, caminhar por paisagens glaciais e florestas de lenga, além de encontrar leões-marinhos e condores. Voos panorâmicos de helicóptero oferecem uma perspectiva alternativa das vastas geleiras e cadeias montanhosas, enquanto passeios de Zodiac permitem acesso a áreas inacessíveis a embarcações maiores.
Em agosto deste ano, a Expedição do Eclipse da EYOS a bordo do Aqua Lares oferece a rara oportunidade de testemunhar um eclipse solar total em Scoresby Sund, na Groenlândia Oriental. A viagem pode ser reservada por cabine e contará com a presença da astronauta da NASA Dr. Kathy Sullivan, que fornecerá insights sobre a ciência e o fascínio da exploração celeste. O renomado fotógrafo de expedições David Wright também participará, ajudando os hóspedes a registrar o eclipse em um dos cenários árticos mais dramáticos do mundo.
A EYOS não é a única empresa focada no Ártico. Em 2025, a COMO Hotels estreou itinerários para Svalbard, que esgotaram rapidamente. A HX Expeditions dobrou suas viagens para a região em 2026, enquanto a Atlas Ocean Voyages adicionou 27 novos portos árticos para 2027.
*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com
Fonte: Forbes Brasil




