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Dados do IPCA-15 vieram melhores, mas não geram conforto, diz Campos Neto

Redação28 de agosto de 2024
Dados do IPCA-15 vieram melhores, mas não geram conforto, diz Campos Neto

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. Adriano Machado/Reuters

Atualmente, a Selic, taxa básica de juros do Brasil, está em 10,50%

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse nesta quarta-feira (28) que os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de agosto, divulgados na véspera, vieram melhores do que números anteriores. No entanto, ainda não forneceram conforto, reiterando que a autarquia fará o que for preciso para atingir a meta de inflação.

O IBGE informou na terça-feira que o IPCA-15 desacelerou em agosto marcando uma alta de 0,19%, em linha com o esperado. Em 12 meses, o índice chegou em 4,35%, próximo do teto da meta do BC, de 4,50%.

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“Tivemos número de inflação ontem que veio um pouco melhor, o IPCA-15, mas não nos dá conforto”, disse Campos Neto, durante a 25° Conferência Santander, em São Paulo.

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Ao analisar o cenário, Campos Neto afirmou que o processo de desinflação no Brasil desacelerou e que as inflações implícitas nos ativos “subiram muito”, o que gera “grande desconforto” para o Banco Central. Segundo ele, há uma desancoragem adicional recente nas expectativas de inflação.

“O BC vai fazer o que for preciso para atingir a meta”, acrescentou na sequência. O centro da meta de inflação do BC é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.

Campos Neto também aproveitou o evento para reforçar algumas das mensagens recentes em relação à política monetária, pontuando que, além de o BC fazer “o que for preciso” para levar a inflação à meta, a assimetria no balanço de riscos da instituição não significa um guidance (orientação) para a próxima reunião.

“Entendemos que não ter guidance às vezes eleva um pouco a volatilidade, mas tem momentos que dar guidance tem valor negativo”, afirmou. “Entendemos que existe ansiedade no mercado neste momento e que o mercado tem prêmio de risco em relação à comunicação dada, que foi fruto de convergência da diretoria”, acrescentou.

ATIVIDADE ECONÔMICA

O presidente do BC destacou ainda o bom desempenho da atividade nos diferentes setores, o que tem levado o mercado a errar projeções de desemprego ao longo do tempo.

“Eu acho que tem uma percepção de que a economia brasileira está mais forte, o que é verdade, tem uma percepção de que a mão de obra continua bastante apertada, com alguns sinais, ainda incipientes mas mais claros, de que pode ter uma transmissão para preços de serviços de uma forma mais prolongada”, afirmou.

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Atualmente, o Ministério do Trabalho e Emprego projeta a geração de 2 milhões de novas vagas com carteira assinada no Brasil em 2024. Já no relatório Focus mais recente a projeção para o crescimento do PIB este ano passou de 2,23% para 2,43%.

EQUILÍBRIO FISCAL

Durante o evento, Campos Neto também disse que, em todos os momentos da história em que houve queda de juros de maneira sustentável no Brasil, havia um equilíbrio na área fiscal. Segundo ele, a ancoragem da expectativa fiscal permite a ancoragem monetária.

O presidente do BC aproveitou ainda para fazer novos alertas sobre a dinâmica fiscal no Brasil.

“Apesar de ter evolução de receita boa, as despesas no Brasil têm subido acima da receita. Isso tem sido realidade nos últimos meses e nos últimos anos”, alertou.

Na terça-feira o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou, também no evento do Santander, que o esforço do governo no segundo semestre permitirá o cumprimento da meta fiscal de 2024.

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A meta do governo é de resultado primário zero este ano, mas com margem de tolerância de 0,25 ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB).

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