Cripto Avança no Brasil e Entra na Briga com a Poupança e a Bolsa
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
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O Brasil tem 29 milhões de investidores em criptomoedas. O número corresponde a 17,2% da população, e é uma cifra maior do que toda a população de Minas Gerais, o segundo estado mais populoso do país, com 21,4 milhões de habitantes. E a maioria não está no topo da pirâmide de renda. Entre quem investe, 77,6% ganham até três salários mínimos.
Os números são da 2ª Pesquisa Nacional de Criptomoedas, feita pelo Datafolha a pedido da Paradigma Education, e apontam um mercado que saiu do nicho especulativo. O levantamento ouviu 2.004 pessoas em 137 municípios em maio de 2026. Teve patrocínio de Coinbase, ABCripto e Hashdex, três empresas que atuam no mercado de ativos digitais.
“A intenção dessa pesquisa é colocar o Brasil no mapa global das criptomoedas, pois esta é uma das tecnologias definidoras da nossa era, e a gente não pode ficar para trás”, diz, em nota, Felipe Sant Ana, cofundador da Paradigma Education.
O avanço da adoção veio acompanhado de mais informação. Dois em cada três brasileiros (66,4%) dizem conhecer criptomoedas, alta de 10,1 pontos percentuais em um ano. O maior salto veio de quem tem só o ensino fundamental. Entre os que conhecem, mas ainda não investiram, as barreiras são a complexidade do uso (77%) e a falta de informação (42%).
A pesquisa mostra uma mudança de leitura sobre o ativo. As criptomoedas deixam de ser vistas só como investimento ou especulação e passam a ser associadas ao uso na economia real. A maior expansão da adoção foi no Centro-Oeste, puxada pelo agronegócio. A percepção de risco sobre o setor caiu.
No entanto, a volatilidade é uma característica dos ativos. Nos últimos dias, o bitcoin disparou e superou os US$ 70 mil, empurrado pelo cenário macroeconômico nos Estados Unidos. Nesta quinta-feira, 20 de agosto, a moeda já era negociada acima dos US$ 71,5 mil.
A adoção agora passa pelo banco
O que move a curva é a aproximação entre cripto e o sistema financeiro tradicional. Numa pergunta de múltipla escolha, 83% dos investidores apontaram o aplicativo do banco como principal porta de entrada. A carteira própria vem depois, com 26%. Outros 20% compram os ativos direto em exchanges ou corretoras.
“O aumento da sensibilização para as criptomoedas e a expansão da adoção mostram que o mercado brasileiro está amadurecendo. O futuro das finanças está sendo construído através de pagamentos com stablecoins e da tokenização do sistema financeiro. Existe um enorme potencial para mais crescimento e adoção no Brasil. Em breve, cada vez mais brasileiros irão utilizar a tecnologia blockchain no dia-a-dia”, afirma Fabio Plein, diretor regional da Coinbase para as Américas.
A disputa pelo dinheiro do brasileiro
Cripto entra numa competição em que a poupança perde terreno. Entre os que conhecem o ativo, 43% apontam as ações na bolsa como a aplicação de maior potencial de retorno. A poupança aparece com 30% e as criptomoedas, com 24%.
O apetite indica espaço para o mercado crescer. Três em cada dez brasileiros familiarizados com o tema pretendem investir nos próximos dois anos. Entre quem já tem ativos digitais, o porcentual sobe para 63%.
“O aumento do conhecimento sobre criptoativos, a expansão da adoção entre diferentes perfis de renda e o avanço das aplicações no dia a dia mostram que o setor está deixando de ser um nicho para se consolidar como parte da realidade financeira dos brasileiros. À medida que educação, infraestrutura e integração com o sistema financeiro evoluem, o potencial de crescimento do mercado tende a ser ainda maior”, afirma Samir Kerbage, CIO da Hashdex.
Fonte: Forbes Brasil




