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Cresce o número de jovens dependentes de apostas no Brasil

Redação20 de setembro de 2026
Cresce o número de jovens dependentes de apostas no Brasil

Pesquisa mostra que 9,5% dos estudantes entrevistados fizeram a 1ª aposta aos 11 anos; especialistas alertam para fácil acesso

Um número crescente de jovens busca ajuda para superar a dependência de apostas, segundo Luiz Carlos*, do grupo Jogadores Anônimos. Ele relata que adolescentes a partir de 14 anos já procuram apoio para lidar com o vício.

“Hoje, quem chega à irmandade é muito jovem. Já chegou até de 14 anos acompanhado pelo psiquiatra”, afirma Luiz Carlos.

Gustavo Pereira, de 24 anos, é um exemplo de quem enfrentou sérios problemas financeiros e de saúde mental devido à compulsão por apostas. Ele começou a apostar online aos 18 anos e perdeu R$ 500 mil em seis anos.

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“O vício faz isso, te enche de ganância”, diz Gustavo, que agora tenta recomeçar a vida vendendo café nas ruas de Lages (SC) e compartilha sua experiência nas redes sociais.

Especialistas apontam que o fácil acesso a plataformas de apostas pelo celular aumenta a exposição dos jovens. Dados do Unicef indicam que uma em cada cinco pessoas começa a apostar até os 11 anos, com 78% iniciando a partir dos 12 anos.

Uma pesquisa recente no Brasil revelou que 9,5% dos estudantes do ensino médio e fundamental fizeram a primeira aposta aos 11 anos. A psicóloga Mariana Kehl explica que os jovens são mais vulneráveis a esses apelos devido ao desenvolvimento incompleto do cérebro, que ainda não controla impulsos adequadamente.

“O adolescente sente intensamente o prazer de ganhar uma aposta, mas ainda não tem o aparato para frear o impulso da aposta seguinte”, afirma Mariana.

Luiz Carlos, que começou a jogar na década de 1980, observa que a dependência atual é semelhante à sua, mas com a diferença de que hoje é possível apostar a qualquer momento pelo celular.

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Relatórios indicam que 24 milhões de brasileiros apostaram em 2024, com quase metade endividada. Rogério, outro frequentador do grupo, relata que as apostas inicialmente pareciam inofensivas, mas logo comprometeram seu orçamento.

“Começaram a comprometer o meu orçamento, dificultar o pagamento das minhas contas”, diz Rogério.

Pesquisas mostram que 34% dos jovens afirmam que precisariam parar de apostar para iniciar uma graduação em 2026, e 14% relataram atrasos nas mensalidades por conta dos gastos com apostas. O diretor-geral da Admes, Paulo Chanan, destaca que as instituições de ensino devem atuar em conjunto com outras áreas para enfrentar o problema.


*Sobrenome omitido a pedido dos entrevistados.

Fonte: Poder360

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