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COP30, Seu Último Dia e a Auditoria Definitiva do Que É Inteligência Natural

Redação21 de novembro de 2025
COP30, Seu Último Dia e a Auditoria Definitiva do Que É Inteligência Natural

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Forbes, a mais conceituada revista de neg?cios e economia do mundo.

A Confer?ncia das Partes, realizada anualmente, h? muito tempo funciona como o cadinho da diplomacia clim?tica global. Ainda assim, com frequ?ncia essas c?pulas parecem menos marcos decisivos e mais rituais recorrentes, com grandes declara??es seguidas por uma eros?o lenta e previs?vel da ambi??o diante da in?rcia pol?tica. Isso j? n?o basta.

Hoje, sexta-feira (21), mais uma vez, uma COP est? em seu ?ltimo dia de negocia??es, desta vez em Bel?m. Mas este encontro tem sido fundamentalmente diferente. Ele trata menos de tra?ar um novo curso e mais de conduzir uma auditoria final da capacidade do mundo de executar o caminho que j? foi prometido.

O que est? em jogo j? n?o se mede em centavos futuros sobre cada d?lar, mas na perda irrevers?vel da habitabilidade do planeta. Hoje, sete dos nove pontos de inflex?o j? foram ultrapassados.

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Chegar a uma conclus?o consistente na COP30 e, mais importante, entregar os compromissos assumidos ? o teste definitivo para saber se a civiliza??o humana consegue navegar com ?xito por riscos sist?micos, com ou sem a ajuda de for?as tecnol?gicas aceleradas como a Intelig?ncia Artificial.

Falha sist?mica: abismo entre promessa e pr?tica

Durante anos, a resposta internacional ao clima sofreu de um descolamento, um abismo crescente entre ambi??o ret?rica e implementa??o mensur?vel, no terreno. O acordo da COP28 em Dubai para "fazer a transi??o para longe" dos combust?veis f?sseis foi saudado como hist?rico, mas dados posteriores mostram que o sistema global ainda n?o absorveu esse sinal.

A verdade dura ? que, enquanto as promessas aumentaram, a a??o ficou praticamente parada. Os dados mais recentes confirmam que as emiss?es globais de carbono provenientes de combust?veis f?sseis continuam a atingir n?veis recordes.

O Relat?rio sobre a Lacuna de Emiss?es de 2024 do Programa das Na??es Unidas para o Meio Ambiente ilustra a dimens?o dessa falha de execu??o.

O documento mostra que, mesmo que todas as promessas atuais condicionais e incondicionais (as Contribui??es Nacionalmente Determinadas, ou NDCs) sejam implementadas integralmente, o mundo continua caminhando para um aumento de temperatura de 2,6 °C neste s?culo, ultrapassando de forma significativa a meta de 1,5 °C do Acordo de Paris.

Para manter o rumo, as emiss?es globais precisam cair em impressionantes 42% at? 2030, uma taxa de redu??o que o mundo nunca alcan?ou fora de grandes crises econ?micas.

Esse d?ficit gigantesco ? consequ?ncia de uma falha sist?mica de governan?a. Criou-se uma estrutura global de responsabiliza??o baseada em compromissos volunt?rios, sem a for?a necess?ria para garantir o cumprimento diante de interesses econ?micos nacionais poderosos e de incumbentes dos combust?veis f?sseis.

O que talvez n?o seja t?o surpreendente, considerando que estes ?ltimos est?o entre os maiores grupos presentes na COP. A aus?ncia predominante de mecanismos de coer??o se traduz diretamente em risco financeiro e operacional acumulado em toda a paisagem de neg?cios global.

Em ess?ncia, o mundo se saiu muito bem em estabelecer metas (a fase da aspira??o), mas fracassou repetidamente na implementa??o, verifica??o e aplica??o (a fase da execu??o. O sistema atual ? otimizado para consenso e conforto pol?tico, n?o para a realidade f?sica da crise clim?tica. A COP30 deveria romper essa zona de conforto.

O que est? em jogo: clima como multiplicador de risco sist?mico na era da IA

Por muito tempo, lucro econ?mico e sa?de do planeta foram tratados em f?runs separados e tidos como temas opostos. Embora uma mudan?a em rela??o a essa perspectiva desequilibrada esteja em andamento, ainda predomina a ideia de vencedores versus perdedores dentro de uma equa??o em que o retorno sobre o investimento ? o principal indicador.

Isso est? ultrapassado e ? contraproducente. A qu?drupla linha de base que combina prop?sito, pessoas, lucro e planeta j? passou da hora. A mudan?a clim?tica n?o ? uma externalidade setorial, mas uma amea?a transversal que desestabiliza os alicerces das pessoas, do planeta e da economia global.

Constru?do sobre a suposi??o de estabilidade clim?tica previs?vel, o sistema financeiro est? cada vez mais vulner?vel a choques em cascata. Autoridades de bancos centrais, incluindo o Federal Reserve, identificam a mudan?a clim?tica como um dos riscos sist?micos centrais, capaz de ampliar vulnerabilidades do sistema financeiro por meio de duas vias principais:

Risco f?sico: eventos clim?ticos extremos repentinos, como enchentes devastadoras ou secas prolongadas, destroem ativos f?sicos, interrompem cadeias de suprimentos e elevam custos de seguros, levando a perdas diretas e a risco de cr?dito.

Risco de transi??o: mudan?as bruscas em pol?ticas, tecnologia ou sentimento do consumidor podem provocar a reprecifica??o repentina de grandes classes de ativos, como reservas de combust?veis f?sseis ou plantas industriais especializadas, que se tornam "encalhadas", desencadeando enormes baixas cont?beis e instabilidade de mercado.

O dano potencial estimado para os ativos financeiros globais em um cen?rio de aquecimento n?o mitigado supera o da crise financeira de 2008. Trata-se de um risco que n?o pode ser dilu?do pela diversifica??o, porque ? sist?mico.

A ascens?o da IA n?o oferece uma sa?da. Ela apenas acelera os prazos e amplia a complexidade da falha sist?mica se os sistemas naturais subjacentes entrarem em colapso. Navega-se em uma zona h?brida de ponto de inflex?o em que a acelera??o e a ado??o das nossas capacidades artificiais coincidem com o enfraquecimento da ag?ncia individual e o decl?nio do planeta.

Nossas m?quinas se tornam mais poderosas e exigentes, enquanto nossas habilidades pessoais e a disposi??o para us?-las com responsabilidade se enfraquecem.

Em um futuro h?brido, as efici?ncias otimizadas da IA s? t?m valor se forem aplicadas dentro de um contexto clim?tico e geopol?tico est?vel. Se eventos clim?ticos extremos desorganizam cadeias de suprimento de alimentos, destroem infraestrutura cr?tica ou desencadeiam migra??es em massa, a capacidade da IA de gerenciar log?stica ou otimizar algoritmos se torna irrelevante.

Solu??es de IA dependem de redes de energia est?veis, centros de dados seguros e mercados funcionando, todos sob amea?a direta e acelerada por um aquecimento descontrolado. N?o podemos depender da intelig?ncia de sil?cio para resolver uma crise nascida da falta de compromisso humano. O modelo de IA mais sofisticado n?o consegue recongelar as calotas polares ou restabilizar o regime de mon??es.

O ingrediente ausente: intelig?ncia natural

Para sair da ret?rica e chegar ? realidade, ? preciso reconhecer que o desafio central da execu??o clim?tica n?o ? tecnol?gico nem financeiro, mas psicol?gico e sociol?gico. O ingrediente que falta para garantir a aplica??o dos acordos da COP ? a Intelig?ncia Natural (NI).

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NI ? a capacidade coletiva da consci?ncia humana que a sociedade deve aprender a aproveitar. Ela abrange a combina??o de aspira??es, emo??es, pensamentos e sensa??es em n?vel individual, que impulsionam a??es que se somam em sistemas comunit?rios, nacionais e planet?rios.

Por tempo demais, a a??o clim?tica foi tratada como um problema de otimiza??o t?cnica, uma s?rie de an?lises de custo-benef?cio, or?amentos de carbono e desafios de engenharia. Essa abordagem contorna as motiva??es humanas enraizadas que s?o necess?rias para uma mudan?a sist?mica duradoura, dif?cil e ampla.

O mecanismo de aplica??o mais eficaz n?o ? uma multa imposta por um ?rg?o distante, mas um mandato impulsionado por uma vontade humana coletiva internalizada.

Aspira??es e pensamentos: ? necess?rio mudar a aspira??o coletiva, saindo da busca por um cumprimento marginal, que ? o m?nimo exigido por uma NDC, para o objetivo de prosperidade regenerativa, uma vis?o de economia p?s-carbono que seja intrinsecamente melhor, mais saud?vel e mais lucrativa do que a que ela substitui. Isso exige pensamento claro e verdadeiro sobre benef?cio de longo prazo em compara??o com custo de curto prazo.

Emo??es e sensa??es: a coer?ncia moral ? indispens?vel para a aplica??o. Quando o p?blico, consumidores e funcion?rios internalizam de fato o senso de urg?ncia, indigna??o ou mesmo esperan?a associada ? a??o clim?tica, surge um mandato emocional para que l?deres pol?ticos e corporativos ajam com firmeza. Essa press?o emocional ? o mecanismo mais poderoso e escal?vel para superar o lobby corporativo e pol?tico que procura adiar medidas.

A??o individual como alavanca sist?mica: as pessoas precisam deixar de se ver como receptoras passivas de pol?ticas e passar a atuar como tomadoras de decis?o essenciais para o sistema planet?rio e dentro dele.

Isso significa investidores exigindo divulga??o de risco clim?tico, funcion?rios se recusando a trabalhar para empresas sem planos de transi??o consistentes e consumidores premiando inovadores de baixa emiss?o.

Essa press?o distribu?da, de baixo para cima, ? o que d? for?a a mecanismos de governan?a de cima para baixo, como os acordos da COP. Sem NI impulsionando a demanda por execu??o, todos os instrumentos regulat?rios de puni??o e incentivos financeiros fracassar?o.

O mandato da COP30: das promessas ? fiscaliza??o

A COP30 em precisa marcar a mudan?a definitiva da negocia??o para a aplica??o. Situada na Amaz?nia, o sucesso da c?pula n?o ser? medido por novas promessas, mas pelo rigor da execu??o.

As negocia??es hoje se apoiam em quatro pilares que exigem a??o imediata e verific?vel:

O roteiro de combust?veis f?sseis do "Mutir?o": com base no impasse de anos anteriores, a decis?o final do "Mutir?o" precisa impor um cronograma concreto e com prazos definidos para a elimina??o dos combust?veis f?sseis. A coaliz?o de mais de 80 pa?ses que defende esse roteiro precisa conseguir substituir a linguagem vaga de "transi??o" por marcos cient?ficos inegoci?veis.

Fechar a lacuna de financiamento: o patamar de US$ 300 bilh?es (R$ 1,60 trilh?o) definido em Baku para a "Nova Meta Quantificada Coletiva" (NCQG) ? amplamente visto como insuficiente diante dos US$ 1,3 trilh?o (R$ 6,93 trilh?es) que de fato s?o necess?rios. A COP30 precisa tornar operacional o "Roteiro de Baku a Bel?m", garantindo que fluxos de capital, em especial para adapta??o, sejam audit?veis e cheguem a pa?ses em desenvolvimento agora, n?o em 2035.

Integridade da informa??o: transpar?ncia ? o ?nico ant?doto contra a crise de "desinforma??o clim?tica". O texto final precisa incorporar a rec?m-lan?ada Declara??o sobre Integridade da Informa??o, estabelecendo mecanismos independentes para verificar declara??es de empresas e governos. Sem um padr?o de verdade, n?o existe responsabiliza??o poss?vel.

Teste de estresse das novas NDCs: com mais de 120 pa?ses tendo apresentado suas Contribui??es Nacionalmente Determinadas de 2025, o foco passa da entrega dos planos para a verifica??o. O resultado em Bel?m precisa rejeitar planos que estejam matematicamente desalinhados com o limite de 1,5 °C e exigir legisla??o dom?stica para sustentar cada promessa internacional.

Se a COP30 n?o institucionalizar esses mecanismos de aplica??o, o Acordo de Paris corre risco de virar pe?a de museu. Em um cen?rio geopol?tico marcado por retra??o e volatilidade, o cumprimento volunt?rio deixou de ser estrat?gia vi?vel. A integridade do sistema clim?tico global depende agora de uma conclus?o que seja execut?vel, audit?vel e vinculante.

4 li??es pr?ticas para aplicar NI na sua esfera de influ?ncia

Um futuro h?brido, no qual intelig?ncias natural e artificial se refor?am e se ampliam mutuamente, voltado para o florescimento de pessoas e do planeta, ? poss?vel. Se isso vai acontecer depende da nossa capacidade de cultivar nossos ativos naturais agora.

Para as lideran?as empresariais , o chamado ? a??o ? pragm?tico e sist?mico:

Transi??o de promessas para gest?o de portf?lio: pare de tratar a??o clim?tica como algo acess?rio ou um custo de conformidade e passe a incorporar diretamente o risco sist?mico de fracasso clim?tico na estrat?gia financeira central.

Exija responsabiliza??o da sua cadeia de valor: use contratos de compras e decis?es de financiamento para impor padr?es rigorosos de desempenho alinhados a 1,5 °C a todos os fornecedores, parceiros e investimentos. Transforme a execu??o clim?tica verific?vel em condi??o inegoci?vel para fazer neg?cios.

Inclua o risco de NI no pre?o: modele o custo de longo prazo da ina??o, que ? o risco sist?mico, em compara??o com o custo da transi??o, que ? o capex. Se voc? n?o est? considerando a reprecifica??o iminente de ativos em fun??o de riscos f?sicos e de transi??o, n?o est? gerindo seu portf?lio com intelig?ncia.

Ative a intelig?ncia das partes interessadas: aproveite a NI dentro da sua organiza??o. D? poder a funcion?rios, sua fonte mais direta de aspira??o e motiva??o, para impulsionar a descarboniza??o e a defesa sist?mica. Quando pensamentos e emo??es coletivos da for?a de trabalho se alinham a uma meta compartilhada e urgente, transforma??es genu?nas e irrevers?veis se tornam poss?veis, garantindo que o futuro h?brido n?o seja apenas tecnologicamente avan?ado, mas efetivamente digno de ser vivido.

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