Brasil pode levar até 30 anos para compensar redução da jornada de trabalho

Projeção da CNI considera cenário em que empresas absorvem diminuição nas horas trabalhadas sem desconto na remuneração
O Brasil pode levar de 17 a 30 anos para acumular o ganho de produtividade necessário para compensar uma eventual redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria), divulgada nesta 2ª feira (31.ago.2026).
A projeção considera que as empresas mantêm empregos e salários, absorvendo a diminuição nas horas trabalhadas sem desconto na remuneração. Nesse cenário, o total de horas trabalhadas cairia em cerca de 8%, e a eficiência por hora trabalhada precisaria aumentar de 8,3% a 8,5%.
De acordo com a CNI, de 1981 a 2024, a produção por hora trabalhada cresceu, em média, 0,5% ao ano. Nesse ritmo, seriam necessários cerca de 17 anos para acumular o ganho estimado. Com o desempenho dos últimos 6 anos, a média anual caiu para 0,28% ao ano, aumentando o período para cerca de 30 anos.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que a produtividade é essencial para a competitividade. "Não existe país que sustente sua competitividade sem produtividade. Ela é o que permite produzir mais e gerar mais valor com os recursos disponíveis", declarou.
A CNI também analisou outros cenários de adaptação à redução da jornada. No cenário de rejeição, onde as empresas não absorvem os custos, o número de empregos formais poderia cair mais de 50%. No cenário de acomodação, a adaptação ocorreria pela substituição de trabalhadores com jornadas superiores ao limite por aqueles com salários menores, resultando em uma queda da massa salarial de 2,9% a 6%.
Fonte: Poder360




