Arcebispo de Maceió faz alerta: 'quem vende o voto não pode comungar'

Durante missa em homenagem à Padroeira de Maceió, dom Carlos Alberto também fez um apelo aos candidatos
O arcebispo de Maceió, dom Carlos Alberto Breis Pereira, fez um alerta aos eleitores e candidatos durante a celebração da Festa de Nossa Senhora dos Prazeres, Padroeira de Maceió e da Arquidiocese, realizada na última quinta-feira (27). Em sua homilia, o religioso condenou a prática de compra e venda de votos e afirmou que o eleitor não deve trocar seu voto por benefícios ou vantagens pessoais; caso contrário, está proibido de ir para a fila da comunhão.
Dirigindo-se tanto às pessoas que participavam da missa quanto aos ouvintes da Rádio Imaculada, o arcebispo reforçou que o voto deve ser tratado como uma responsabilidade diante da sociedade.
Segundo ele, negociá-lo representa uma atitude grave, por comprometer um instrumento que pode ser utilizado para promover melhorias à população. "Não venda seu voto, é pecado, pecado grave. Quem faz isso não pode comungar", alertou dom Carlos.
A fala ocorreu diante de políticos que disputarão as próximas eleições. Sem transformar o altar em espaço de campanha, dom Breis afirmou que seu papel era também orientar e advertir aqueles que pretendem ocupar cargos públicos.
"Peço, especialmente, aos candidatos que, caso sejam eleitos, demonstrem compromisso efetivo com Alagoas. O exercício de uma função pública exige mais do que o desejo de representar a população: é necessário utilizar o poder e os recursos públicos em favor do interesse coletivo."
Durante a homilia, o arcebispo destacou que todos os alagoanos devem buscar o desenvolvimento e o bem-estar do Estado, mas ressaltou que essa responsabilidade é ainda maior para quem recebe da população um mandato para atuar nos Poderes Executivo ou Legislativo.
"Chamo a atenção para a necessidade de os futuros ocupantes de cargos públicos manterem os mais pobres no centro de suas decisões. A eleição deste ano ocorrerá em 4 de outubro, data dedicada a São Francisco de Assis, conhecido por sua ligação com os pobres e com a simplicidade; portanto, candidatos, não ignorem as pessoas em situação de vulnerabilidade."
Dom Breis ainda afirmou que a Igreja, ao longo de sua tradição, considera a atuação política uma forma elevada de serviço à sociedade. Ele citou a ideia de que a política pode ser entendida como uma “sublime forma de caridade”, justamente porque aqueles que administram recursos públicos têm condições de alcançar um número muito maior de pessoas por meio de suas decisões.
"Enquanto a caridade individual pode ser praticada por qualquer cidadão, quem ocupa uma função pública dispõe de instrumentos capazes de produzir ações de grande alcance social. Por isso, é preciso que o poder recebido por meio do voto seja utilizado em benefício da coletividade."
Ao concluir o alerta, dom Breis reforçou que os agentes públicos precisam ter consciência da responsabilidade que assumem diante da população e também diante de Deus. Para ele, o poder não deve ser utilizado em benefício próprio, mas colocado a serviço do bem comum.
Fonte: Gazetaweb




