segunda-feira, 07 de setembro de 202615:31:47
Sol
TV Alagoas
PolíticaJustiça Federal suspende mina de lítio em Minas GeraisPolíticaFachin aguarda explicações de ministros sobre crise no STFGeralPúblico acorda cedo para assistir ao desfile de 7 de Setembro em BrasíliaPolíticaHenrique Chicão é investigado pelo Ministério Público Eleitoral por suposta ocultação de patrimônioGeralBLOG GG SAMPAIO | ALAGOAS PRECISA PENSAR ALÉM DO AGORAPolíticaAfD conquista vitória histórica nas eleições estaduais da Saxônia-AnhaltPolíticaAgenda dos presidenciáveis para o feriado de 7 de SetembroInternacionalAcidente com avião de carga em Miami deixa 5 mortosCulturaRádio Nacional lança série especial do programa No Mundo da BolaEconomiaSenado aprova MP que zera imposto sobre compras internacionais até 50 dólaresGeralMega-Sena acumula e prêmio chega a R$ 48 milhões; veja os númerosGeralIBGE lança mapas-múndi inéditos a partir de amanhã, 7 de setembro

Azul Fecha Acordo com Credores. É o Fim da Turbulência para os Acionistas?

Redação08 de outubro de 2024
Azul Fecha Acordo com Credores. É o Fim da Turbulência para os Acionistas?

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Quando a pandemia do coronavírus chegou, as empresas aéreas pensaram ter chegado ao fundo do poço. Com os aeroportos lacrados e boa parte dos aviões impedidos de voar, o setor passou por uma das piores turbulências de sua história, cujas consequências podem ser sentidas até hoje — com dívidas que colocam em dúvida a saúde financeira e a continuidade das operações.

Leia também

Forbes Agro

Cooxupé se une à Master Expresso para atuar em cafés para empresas

Ints Kalnins/Reuters
Forbes Money

Equinor Compra Participação de 9,8% da Orsted, Avaliada em R$ 13,71 Bi

Divulgação
Forbes Agro

SLC Agrícola Compra Participação em Controlada Indireta por R$ 525 Milhões

Aeromexico, LATAM e Gol, que entrou com o pedido nos Estados Unidos, foram algumas das companhias que passam ou passaram por processos de recuperação judicial. Diversas empresas menores quebraram e deixaram de operar.

As ações até chegaram a voltar a subir durante a pandemia, conforme estímulos econômicos, monetários e a flexibilização de viagens foram anunciados. No entanto, os problemas não acabaram por aí.
Companhias aéreas são uma categoria sensível: as dívidas com credores são, em sua maioria, feitas em dólar, assim como os fornecedores e o abastecimento das aeronaves. Slots, ou seja, as vagas ocupadas pelas empresas nos aeroportos, também são caros. Isso não seria um problema se a receita também entrasse no caixa no formato da moeda americana, mas não é o que acontece.

Publicidade
Cesmac

Receita em real e dívida em dólar é uma combinação fatal para companhias que atuam em países com o câmbio desvalorizado. Em 2020, a moeda chegou a bater na casa dos R$ 5,90, em seu maior valor nominal histórico. Atualmente, ela segue em um patamar considerado elevado, por volta dos R$ 5,50.

Some isso a meses de milhões de dólares sendo gastos para que os aviões não decolassem do chão e temos a receita perfeita para uma crise financeira de proporções catastróficas no setor. Divulgação/AzulDivulgação/Azul

Com o acordo com arrendadores e fabricantes, a Azul garante o funcionamento das suas operações

Azul: nuvens carregadas no céu

Antes do início do isolamento social, a Azul (AZUL4) se encontrava perto de sua máxima histórica na B3 — com ações valendo mais de R$ 61. Menos de dois meses depois, os papéis estavam na casa dos R$ 11. Hoje, mesmo com a pandemia superada, o valor dos ativos é ainda menor: cerca de R$ 6,30.

Os problemas começaram a ficar mais explícitos no ano passado. A demanda pós-pandêmica cresceu de forma mais lenta do que o esperado, mas as dívidas seguiram se acumulando.

A companhia já tentou diversas negociações com os credores, como a utilização de sua subsidiária Azul Cargo como garantia, emissão de novas ações e alongamento de prazos — tentativas para evitar que a situação escale.A companhia também implementou o plano Eleva, com iniciativas de melhor desempenho operacional e de receita, otimização da frota, maior produtividade e utilização de aeronaves, além de redução de custos financeiros. Segundo a própria companhia, o objetivo é gerar mais de R$ 1 bilhão em valor incremental.

Segundo o balanço do segundo trimestre de 2024, a Azul tem uma dívida bruta de R$ 28,4 bilhões. O valor representa um crescimento de 15% frente aos primeiros três meses do ano. A companhia também reverteu o lucro e teve prejuízo líquido de R$ 3,8 bilhões no mesmo período.

Fim da turbulência?

O cenário de nuvens pesadas no céu da companhia deixou uma marca na valorização das ações: queda de quase 60% só em 2024.

Hoje, no entanto, foi dia de recuperação. AZUL4 terminou o dia em alta de 7,48%, aos R$ 6,18. A valorização é expressiva, mas está longe da máxima do dia, quando chegou a subir perto dos 20%.

Publicidade
Cesmac

O motivo é um novo acordo feito com 92% de seus credores, anunciado na noite de ontem. Segundo a empresa, cerca de R$ 3 bilhões em dívidas serão trocados por emissão de 100 milhões de novas ações, o que implica um valor de R$ 30 para cada papel — muito acima dos valores atuais.

Com a nova proposta aceita, o acordo anterior será engavetado. No ano passado, a empresa havia combinado fazer pagamentos trimestrais de ações, com cada ativo valendo R$ 36.

Em entrevista à Reuters, no meio da tarde, o presidente da companhia disse que a empresa buscará levantar capital no mercado para continuar aliviando as preocupações com as dívidas.

“Nós tínhamos que resolver este problema primeiro [dívidas com arrendadores], que já está resolvido. Agora podemos levantar capital”, disse John Rodgerson em entrevista.
Segundo ele, a expectativa é que a companhia levante US$ 400 milhões (R$ 2,2 bilhões), retomando a ideia de utilizar a Azul Cargo como garantia para emissão de dívidas conversíveis.
Segundo cálculos do Goldman Sachs, o novo acordo prevê um valor de mercado de cerca de R$ 13,4 bilhões para a companhia, que hoje é negociada em torno de R$ 2 bilhões.

O que pensa o mercado

O JP Morgan aponta que o acordo resultará em uma diluição da base acionária de cerca de 25%. Ou seja, os atuais acionistas terão o seu percentual na companhia reduzido. Isso impacta o poder de votos em assembleias e a concentração de eventuais dividendos que possam ser pagos pela empresa.

"Recebemos o anúncio com boas-vindas, pois ele elimina a pressão de curto prazo relacionada a um possível pedido de recuperação judicial. O temor havia resultado em uma queda de 17 pontos percentuais desde o final de agosto", explicam os analistas do banco.

O valor da nova negociação, no entanto, é visto como positivo. Caso fosse utilizado o valor de mercado atual, a diluição do capital poderia chegar a 60%.

Além disso, analistas também apontam que a decisão tira a "corda do pescoço" da companhia. Manter relações com os arrendadores de aviões evita que aeronaves sejam confiscadas e haja uma disrupção na operação da Azul, deixando o caminho aberto para que novas medidas de captação de dinheiro avancem.

Para os analistas da Genial Investimentos, a renegociação vai ajudar a fortalecer tanto a geração de caixa quanto a estrutura de capital da Azul. “É importante destacar que outros desafios permanecem, como a alta nos preços do petróleo, acima do esperado para 2024-2025, pressionando os custos da companhia, além da recente valorização do dólar frente ao real”, apontam.

Recentemente, as agências de classificação de risco Moody’s e S&P Global rebaixaram as notas de crédito da empresa. Todos os bancos de investimentos citados nesta matéria mantêm uma recomendação neutra para os papéis, o que indica que, apesar de positivo, há dúvidas sobre o potencial de longo prazo.

  • Siga o canal da Forbes e de Forbes Money no WhatsApp e receba as principais notícias sobre negócios, carreira, tecnologia e estilo de vida
Para o acionista, ainda que a diluição ocorra, o risco imediato sai do radar. A turbulência acalmou, mas há um longo caminho a ser percorrido até se ver novamente o azul do céu.

Escolhas do editor

Foto ilustrativa de um foguete
Escolhas do editor

Como Empresa Brasileira Irá Construir Maior Foguete do País

Getty Images
Escolhas do editor

As Cidades Mais Fáceis para se Viver, Segundo Estudo

Foto ilustrativa de iPhones 16. Crédito: Getty Images
Escolhas do editor

iPhone 16 Pro Frustra Expectativas — Mas a Apple Tem Um Plano B para Recuperar Vendas

Tags:
Recuperação judicialEmpresasForbes moneyAzul4AzulAcordo de credores

Continue Lendo