Avanços na educação antirracista são destacados em relatório do MEC

Os indicadores de equidade racial avançaram no Brasil nos últimos dois anos. É o que aponta o Diagnóstico Equidade 2026 divulgado este mês pelo Ministério da Educação (MEC).
Os indicadores de equidade racial avançaram no Brasil nos últimos dois anos, segundo o Diagnóstico Equidade 2026 divulgado pelo Ministério da Educação (MEC). O relatório mediu dados relacionados à Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-raciais e Educação Escolar Quilombola (Pneerq), como financiamento, formação de profissionais e materiais didáticos, protocolos de combate ao racismo, gestão, avaliação e monitoramento.
Entre 2024 e 2026, o percentual de redes de ensino com áreas específicas para coordenar ações de equidade racial saltou de 15% para 42% entre os municípios e alcançou 100% nas redes estaduais.
A secretária de Educação Continuada do MEC, Zara Figueredo, afirmou que o avanço mostra uma maturidade da gestão para a equidade.

“Isso é fundamental para conseguirmos reduzir as desigualdades raciais de aprendizagem, garantindo ação planejada e acompanhada de perto para ampliar as oportunidades educacionais dos estudantes negros”, explicou.
Declaração racial
As redes de ensino também aumentaram as campanhas para declaração racial, com crescimento de 66% para 86% nas redes municipais e de 63% para 93% nas redes estaduais.
A cofundadora do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades, Cida Bento, destacou a importância da declaração racial para entender as diferenças de desempenho entre estudantes negros e brancos, além de promover a conscientização sobre identidade.
Formação e combate ao racismo
O número de redes municipais que ofereceram formações sobre equidade racial aumentou de 48% em 2024 para 69% em 2026. As escolas também adotaram protocolos para casos de racismo, com crescimento de 59% para 93% nas redes estaduais e de 36% para 53% nas redes municipais.
Apesar dos avanços, desafios permanecem na universalização da Pneerq, incluindo a necessidade de que profissionais conheçam e apliquem os eixos da política.
“Um ponto de atenção para o próximo ciclo está na consideração de conhecimentos sobre educação para as relações étnico-raciais nos processos seletivos de professores e diretores escolares”, afirmou Zara Figueredo.
Pneerq
A Lei nº 10.639/2003 obriga as escolas a ensinarem história e cultura afro-brasileira e história da África. A implementação da lei se concretizou em 2024 com a criação da Pneerq, que até então tinha apenas 30% das secretarias de educação com programas voltados para o cumprimento da lei.
Cida Bento comemorou os avanços, afirmando que eles ajudam na democracia brasileira. “Quando a escola sinaliza para o aluno negro que está cuidando dele, isso é um pilar da democracia”, disse.
Fonte: Agência Brasil - Últimas




