terça-feira, 13 de outubro de 202618:43:55
Chuva 61%
TV Alagoas
PolíticaArthur Lira e a arte de esperar: o senador que não tem pressa porque já sabe aonde quer chegarSaúde49% dos municípios estão em alerta ou risco para Aedes aegyptiPolíticaAncine institucionaliza Malha Fina como modelo permanente de análiseCulturaCírio de Nazaré reúne 2,3 milhões de pessoas em BelémCulturaQueijo Minas Artesanal: tradição e saberes em Paracatu (MG)EducaçãoMarisqueira celebra matrícula dos filhos em creche bilíngue em MaceióPolíticaPiaçabuçu: votação de Lelo Maia se multiplica por dez durante gestão interina questionada na Justiça.SaúdeSaúde convoca beneficiários do Bolsa Família para acompanhamentoPolíticaTSE suspende atualizações e novos seguidores do canal Exército do LulaPolicialPolícia Civil de SP prende três suspeitos de exploração de apostasGeralEspecialistas defendem cultura de prevenção em desastres naturaisPolicialGoverno lança programa para bloquear celulares em presídios

Arthur Lira e a arte de esperar: o senador que não tem pressa porque já sabe aonde quer chegar

Wanessa Costa13 de outubro de 2026
Arthur Lira e a arte de esperar: o senador que não tem pressa porque já sabe aonde quer chegar
© Assessoria

Arthur Lira chega ao Senado sem pressa pela presidência da Casa, e é justamente essa paciência que revela o tamanho da sua estratégia

Diz o sertanejo que quem planta tâmaras não colhe tâmaras. A tamareira demora tanto a dar fruto que o homem semeia para o filho, às vezes para o neto. Em Alagoas, pouca gente entende esse provérbio tão bem quanto a família Lira, e talvez ninguém o pratique com tanta elegância quanto Arthur.

Basta olhar o calendário. Em 2010, Biu de Lira foi eleito senador e o filho Arthur chegou à Câmara. Dezesseis anos depois, a cena se repete com outra geração: Arthur vai ao Senado com votação recorde, e Alvinho, aos 20 anos, torna-se o deputado federal mais jovem da história do país, o mais votado de Alagoas, com mais de 172 mil votos, superando uma marca que pertencia ao atual presidente da Câmara, Hugo Motta. Isso não é sorte nem acaso de urna. É obra de quem planta com método e sabe esperar a estação certa.

E é esse mesmo método que explica por que Arthur não vai disputar a presidência do Senado em fevereiro de 2027. Quem assume nessa data governa por dois anos e não pode ser reconduzido na mesma legislatura. Para muitos, seria a glória imediata. Para Lira, seria colher a fruta verde. Ele prefere chegar, conhecer a Casa, ocupar os espaços onde as decisões de verdade amadurecem, como a CCJ, que conhece bem desde os tempos de Câmara, e tecer as alianças uma a uma, com a paciência de quem borda à mão.

Publicidade
Cesmac

Há um personagem que Tolstói imortalizou em Guerra e Paz: o marechal Kutuzov, comandante russo diante de Napoleão. Enquanto os generais jovens queriam batalha a qualquer custo, o velho Kutuzov repetia que os dois guerreiros mais fortes do mundo são a paciência e o tempo. Foi chamado de lento, de hesitante, de velho demais. Napoleão entrou em Moscou e se sentiu vitorioso. Semanas depois, o inverno e a estratégia do marechal mostraram quem de fato estava jogando. Kutuzov não venceu porque correu. Venceu porque soube quando não correr.

Arthur Lira tem algo desse marechal. Presidiu a Câmara em anos de tempestade e saiu respeitado por gregos e troianos, coisa rara num país onde até pastel de feira divide opinião. Conversa com o plenário e com o mercado na mesma língua, e a Faria Lima o enxerga como interlocutor confiável, alguém que entende de orçamento tanto quanto de voto. Não é homem de castelo de cartas, desses que caem no primeiro vento de Brasília. Suas escolhas têm alicerce, e alicerce, como todo pedreiro sabe, é a parte da obra que ninguém vê e que segura todas as outras.

Enquanto muitos em Brasília já discutem quem vai sentar na cadeira em 2027, Arthur parece olhar mais adiante, para o momento em que a fruta estiver no ponto. Tem quem chame isso de frieza. O sertão chama de sabedoria: o apressado come cru, e o paciente escolhe a mesa.

O resto é microfone.

Continue Lendo