“Hoje Eu Não Tenho Mais Medo do Mundo”: um Guia de Sobrevivência para Mulheres Que Viajam Sozinhas

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
"Cada hora eu estou em um lugar e trazendo dois pontos: inspirar mulheres e quebrar estereótipos de países, mostrando que o mundo vai muito além dos Estados Unidos e a Europa tradicional", afirma Letícia Pavim, diretamente de seu treinamento de kung fu do outro lado do mundo, China.
A pesquisa foi realizada pelo Ministério do Turismo em parceria com a Unesco, que entrevistou 2.712 mulheres de todas as regiões do país, em 2025. O trabalho resultou no Guia para Mulheres que Viajam Sozinhas com orientações e dados para promover um turismo mais seguro para essa população.

Foi pensando nisso também, que a Forbes conversou com quatro mulheres que já conheceram dezenas de países sozinhas para entender a experiência por trás do ato de independência e coragem. Letícia Pavim, Alessandra Stockler,Gabriela Procopio e Daniela Filomena compartilham histórias, dicas e uma missão em comum: a vontade de inspirar outras mulheres a explorar o mundo sozinhas.
Qual o melhor destino para mulheres?
Antes mesmo de qualquer planejamento financeiro, logístico ou cultural, a preparação sempre começa com a escolha do destino. E sendo uma exploradora solo de primeira viagem, um dos fatores decisivos para essa decisão passa pela questão linguística. Ter a tranquilidade de que a comunicação será clara e eficiente deve ser uma das prioridades neste momento."O idioma realmente é uma barreira. Se você não consegue comunicar a sua ideia, o que quer ou o que pensa, isso vai te deixar aflita e insegura. Então, é importante estudar inglês, se você quer viajar sozinha", aconselha Letícia. 
"Temos sempre que vencer o preconceito. Todo mundo tem uma opinião sobre algum país sem nunca ter ido para lá", diz Alessandra. Mesmo em regiões com costumes mais rígidos e até mesmo considerados machistas, como a Arábia Saudita e o Irã, o respeito às culturas vem sempre em primeiro lugar. "Acho que quando visitamos um país, precisamos ser muito educados. Você vai para o Irã e eles pedem para usar hijab já no espaço aéreo. Então, eu vou lá e coloco", complementa a criadora de conteúdo Gabriela Procopio. 
Para sair dos destinos mais óbvios, confira a lista a seguir de países indicados pelas pioneiras para visitar:
- Vietnã
- Uruguai
- Noruega
- Costa Rica
- Estônia
- Tailândia
- África do Sul
Sozinha em algum lugar do mundo
Todas precisam começar com um salto de coragem. “Meu Deus, eu estou muito longe de casa e totalmente sozinha”. Esse foi o pensamento de Letícia em sua primeira viagem solo aos 18 anos para a Espanha. A exploradora confidencia que esse choque inicial foi comum até se acostumar com a experiência e obter confiança.Por isso, ela ressalta a importância de organizar esses primeiros momentos em outro país. "Uma coisa simples que ajuda muito mulheres que vão viajar sozinha é ter um transfer, por exemplo, uma pessoa com uma plaquinha com o seu nome. Isso só traz segurança, porque a gente chega muito vulnerável", diz. 
Alessandra também conta sobre uma prática pessoal que desenvolveu para obter informações com comunidades locais de mulheres. "Eu sempre busco me conectar com outras mulheres. Então, eu vou na manicure e ali é papo de salão. Não estou lá só fazendo a unha, eu estou lá por informação em um ambiente seguro entre mulheres", conta Alessandra.
Preparação e “mentirinhas do bem“
Essa forma de pesquisa de campo é adicional. Já a pesquisa teórica é obrigatória para qualquer mulher que pretende viajar sozinha. Daniela afirma com precisão: "A maior dica de segurança que posso dar é pesquisar muito bem o destino antes".

"Acho que a grande diferença da viagem solo feminina é que você aprende a equilibrar liberdade com atenção. Dá para viver experiências incríveis sem abrir mão de planejamento, informação e segurança", conta Daniela.
Se precaver não significa perder a espontaneidade, mantra o qual também se aplica às novas conexões feitas ao longo de cada jornada. Contrariando uma das primeiras lições aprendidas na vida ainda quando criança, a habilidade de mentir em situações necessárias se revela uma das mais úteis e necessárias. Intituladas "mentirinhas do bem", Gabriela comenta que essas práticas são aplicáveis em diversas situações, desde baladas até simples conversas em táxis. 
Experiências ao vivo e publicações assíncronas
Uma dica extra para aquelas que curtem compartilhar os registros de suas aventuras é nunca postar em tempo real. Para além de evitar possíveis stalkers em um país estrangeiro, o maior perrengue da vida de viajante solo de Letícia ilustra bem um dos perigos dessas publicações.Em sua visita à Angola em 2024, ao denunciar casos de corrupção entre policiais no país em suas redes sociais, um simples vídeo viralizado a deixou exposta em um país desconhecido. Por trás do caso que virou notícia em grandes noticiários e até provocou impactos na política local, estava uma mulher sozinha sem qualquer garantia de segurança.
"Se você odiou alguma coisa daquele país, fala sobre isso depois. Os angolanos me mandavam mensagem: 'Nossa, você é muito corajosa'. E eu não fui corajosa, eu só fui ingênua", conclui.
Jornada de autoconhecimento
Entrar nessa aventura sozinha não é só uma forma de enfrentar estereótipos em que as mulheres já estão expostas no mundo, como também de descobrir paixões e expandir capacidades que até então estavam adormecidas. A cada experiência, uma nova porta de entendimento do seu próprio limite e corpo se abre. "Existe um desprendimento muito interessante nisso. Você começa a se respeitar mais, no seu próprio tempo e desejo", reflete Daniela.Do outro lado do mundo, em seu acampamento de kung fu, a vivência planejada por Letícia seguia um objetivo: "Expandir a mente, corpo e espírito". Com uma rotina de treino de mais de 6h por dia de segunda a sábado — que envolvia quebrar bastões de madeira com a força do próprio corpo —, ela aprendeu literalmente o tamanho de sua força. "Vem sendo uma jornada muito transformadora e eu não quero ir embora", afirma.
Os resultados das viagens solo se revelam não só em força física, mas, sobretudo, na conquista de maior autoconfiança e autoconhecimento. Saber quando se impor, como ler o ambiente e até desenvolver um feeling próprio para possíveis perigos são algumas das habilidades que Gabriela adquiriu em seus anos de experiência.
Com a preparação correta e os cuidados indicados, qualquer mulher pode explorar o mundo com liberdade e segurança. "Hoje eu não tenho medo do mundo", garante Gabriela.
Guia de sobrevivência para mulheres que viajam sozinhas
- Escolha um destino, onde consiga se comunicar em algum idioma falado no país;
- Conheça e respeite a cultura local;
- Planeje bem a sua chegada no país até a hospedagem, esse é o momento de maior vulnerabilidade da viagem;
- Nunca diga que está sozinha para desconhecidos e aprenda a mentir quando necessário;
- Nã
Fonte: Forbes Brasil




