Trabalhadores informais ganham mais prazo para renegociar dívidas; medida pode beneficiar alagoanos

Desenrola Adimplentes teve prazo ampliado até 26 de outubro e permite repactuação de débitos de até R$ 15 mil; em Alagoas, endividamento das famílias segue elevado
Trabalhadores informais que possuem dívidas em dia ou com atraso inferior a 90 dias ganharam mais 30 dias para buscar uma alternativa de renegociação por meio do Desenrola Adimplentes. O prazo, que terminaria no fim de setembro, foi estendido até 26 de outubro de 2026.
A medida interessa diretamente a uma parcela expressiva da população que depende de atividades informais, autônomas ou por conta própria para gerar renda. Em Alagoas, o cenário de endividamento reforça a importância da ampliação do prazo.

De acordo com levantamento da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgado pelo Instituto Fecomércio AL em parceria com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), 84,6% das famílias de Maceió tinham algum tipo de dívida em agosto. O percentual representa o maior nível da série recente da pesquisa. No mesmo período, 33,8% das famílias declararam possuir contas em atraso.
Quem pode participar
O Desenrola Adimplentes é direcionado a trabalhadores informais que não possuem vínculo pela CLT e que tenham operações de crédito pessoal sem garantia.
Para entrar na renegociação, é necessário ter pago pelo menos quatro parcelas do financiamento original. A dívida também precisa estar em dia ou apresentar atraso de, no máximo, 90 dias.
O programa permite renegociar saldo devedor de até R$ 15 mil por instituição financeira, com juros limitados a 1,99% ao mês. A proposta prevê a contratação de uma nova operação para quitar integralmente a dívida anterior.
Na prática, a medida busca alcançar justamente consumidores que ainda não chegaram a uma situação de inadimplência prolongada, mas que enfrentam dificuldades para manter as parcelas do crédito.
Por que a prorrogação interessa a Alagoas
O perfil do mercado de trabalho ajuda a explicar por que a medida pode ter impacto no estado.
Dados do IBGE mostram que Alagoas apresentou taxa de desocupação de 9,2% no primeiro trimestre de 2026, uma das maiores entre as unidades da Federação. A taxa composta de subutilização da força de trabalho chegou a 26,1% no período.
Esse contexto torna especialmente relevante a existência de alternativas de crédito para trabalhadores que não possuem renda formal ou têm dificuldade de comprovar ganhos regulares.
Além disso, dados recentes da Serasa apontaram que 47,87% dos adultos alagoanos estavam inadimplentes em agosto, considerando consumidores com contas em atraso há mais de três meses. O índice colocou Alagoas entre os estados nordestinos com maior proporção de consumidores inadimplentes.
Embora o Desenrola Adimplentes não seja destinado especificamente a pessoas já negativadas, a possibilidade de reorganizar uma dívida antes que ela avance para uma situação de inadimplência prolongada pode representar uma alternativa para determinados consumidores.
Programa começou com atraso

A prorrogação também está relacionada ao período necessário para colocar o programa em funcionamento.
A medida provisória que criou o Desenrola Adimplentes foi publicada em junho, mas as primeiras renegociações começaram efetivamente em 10 de agosto. Segundo o governo federal, ajustes nas regras de participação das instituições financeiras contribuíram para retardar o início das operações.
Entre as mudanças adotadas esteve a possibilidade de portabilidade de crédito, com o objetivo de ampliar a participação das instituições financeiras.
A justificativa apresentada pelo Ministério da Fazenda é que trabalhadores informais costumam enfrentar maiores dificuldades para comprovar renda e, por isso, podem ter acesso mais restrito a linhas de crédito com taxas menores.
Adesão e cenário do endividamento
A situação de endividamento não é exclusividade de Alagoas. Dados nacionais da Serasa mostram que 83,98 milhões de brasileiros tinham algum tipo de dívida em atraso em agosto de 2026. No mesmo período, o número de acordos de renegociação apresentou crescimento de 36% na comparação entre maio e agosto deste ano e o mesmo período de 2025.
Em Maceió, apesar do elevado percentual de famílias endividadas, houve uma pequena melhora no indicador de inadimplência entre julho e agosto, segundo a Fecomércio AL. O percentual caiu de 34% para 33,8%. Também recuou de 9,4% para 9,2% a parcela das famílias que afirmaram não ter condições de pagar suas dívidas.
Os números mostram, portanto, um cenário misto: o endividamento permanece elevado, mas parte dos consumidores vem conseguindo reorganizar suas contas.
Atenção para golpes
O Ministério da Fazenda alerta que a renegociação deve ser feita diretamente com as instituições financeiras participantes. A pasta afirma que não envia links, mensagens ou SMS oferecendo acesso ao programa e orienta os consumidores a desconfiarem de páginas que solicitem dados pessoais ou pagamentos antecipados.
Em Alagoas, consumidores que tiverem dúvidas ou enfrentarem problemas em uma negociação também podem procurar o Procon-AL, órgão responsável pela proteção e defesa dos consumidores no estado. O atendimento do órgão é realizado pelo telefone 151.
Prazo
Com a prorrogação, os trabalhadores que se enquadram nas regras do Desenrola Adimplentes têm até 26 de outubro para verificar junto à instituição financeira se possuem uma operação elegível e avaliar as condições oferecidas para a renegociação.
A extensão do prazo não significa que toda dívida será automaticamente renegociada. É necessário cumprir os critérios do programa e verificar a disponibilidade da instituição financeira.
Fonte: Redação com assessoria




