Tarifaço americano: Empresários de Brasil e Estados Unidos tentam evitar o pior

A possibilidade dos Estados Unidos anunciarem um novo tarifaço na quarta-feira da semana que vem (25% e 12,5%) sobre produtos brasileiros mobilizou parte do setor privado dos dois países.
A possibilidade dos Estados Unidos anunciarem um novo tarifaço na quarta-feira da semana que vem (25% e 12,5%) sobre produtos brasileiros mobilizou parte do setor privado dos dois países.
A carta
Em meio ao avanço da investigação conduzida pelos americanos com base na Seção 301, a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a U.S. Chamber of Commerce enviaram uma carta aos governos brasileiro e americano defendendo uma saída negociada para evitar o agravamento das tensões comerciais.Tom preocupado, mas pragmático
O tom do documento é de preocupação, mas também de pragmatismo. As entidades afirmam que uma escalada tarifária prejudicaria cadeias produtivas integradas entre os dois países e defendem um acordo de curto prazo que preserve o comércio bilateral.Proposta
A proposta prioriza o acesso a mercados para insumos industriais, bens de capital, produtos ligados à segurança energética, infraestrutura para inteligência artificial e a ampliação da cooperação em minerais críticos, áreas consideradas estratégicas para as duas economias.Importância dos setores
Na avaliação do economista Igor Lucena, doutor em relações internacionais, a iniciativa das entidades aumenta as chances de uma solução negociada justamente pelo peso político das empresas envolvidas. “Essas empresas possuem um lobby legalizado e muito poderoso nos Estados Unidos”, afirma.Segundo ele, há interesse direto do setor produtivo americano em evitar uma ruptura porque boa parte da cadeia industrial depende de insumos brasileiros para concluir a produção em território americano. Continua após a publicidade
Mais isenções
Lucena que falou ao programa Mercado nesta sexta (10) acredita que o desfecho mais provável não seja a retirada completa das tarifas, mas a ampliação da lista de produtos beneficiados por isenções. “O foco da negociação deve ser aumentar o rol de isenções”, diz.Café, laranja e carnes
O economista lembra que itens como café, laranja e carnes já pressionam a inflação dos alimentos nos Estados Unidos, o que cria resistência interna à adoção de barreiras comerciais mais amplas. Para ele, o embate atual “não é econômico em si, é muito mais político ideológico”.Política de estado
O especialista em comércio internacional Felipe Cima avalia que a estratégia tarifária americana deixou de ser apenas uma política de governo para se consolidar como uma política de Estado, independentemente de quem ocupe a Casa Branca.China e Estados Unidos
Na visão dele, a investigação baseada na Seção 301 também funciona como instrumento de negociação para que os Estados Unidos preservem sua posição estratégica diante da China e evitem perder espaço nas relações comerciais com o Brasil. Continua após a publicidadeEmpresas de tecnologia e minerais críticos
Cima entende que Washington busca ampliar seu poder de barganha em temas considerados sensíveis, como o etanol de milho, futuras regulamentações envolvendo grandes empresas de tecnologia e a tributação de serviços digitais.“Os Estados Unidos querem abrir espaço para negociar pautas que já estavam na mesa há bastante tempo”, afirma. Assim como Lucena, ele acredita que o caminho mais viável passa por acordos específicos e pela concessão de isenções para setores considerados estratégicos.
Tentativa de evitar uma guerra tarifária
A mobilização das entidades empresariais reforça a percepção de que a disputa ultrapassa o campo político e pode produzir impactos relevantes sobre investimentos, inflação e competitividade nos dois países.Ao defender uma negociação imediata, Amcham, CNI e U.S. Chamber procuram evitar que o conflito comercial avance para uma guerra tarifária mais ampla, preservando uma das mais importantes relações econômicas das Américas. Publicidade
Fonte: Veja Abril




