Stefany Higino pode virar secretária de JHC e abrir a porta das mulheres no novo governo.

Bueno Higino foi o primeiro prefeito a apoiar JHC e um dos que mais mobilizou a campanha. Agora, o nome da esposa, Stefany Higino, pode inaugurar a presença feminina no novo governo
Diz o povo do agreste que quem carrega o andor quer ver a santa de perto. E poucos carregaram o andor de JHC com tanto suor quanto Bueno Higino.
Quando o projeto de João Henrique Caldas para o Palácio República dos Palmares ainda era aposta, o prefeito de Coité do Nóia já estava no palanque. Foi o primeiro prefeito a declarar apoio e, dali em diante, virou uma espécie de caixeiro-viajante da candidatura, batendo de porta em porta atrás de novos integrantes para o grupo. Nem quando parte da imprensa descreveu o evento de maio em sua cidade como de "clima gelado" ele afrouxou. Dobrou a aposta.
No domingo (4), a aposta pagou. JHC venceu no primeiro turno, com 52,09% dos votos válidos, e Renan Filho voltou para casa com 47,48%. Agora começa a fase mais delicada de toda vitória: montar o governo sem deixar aliado de cara amarrada na fila do cafezinho.

A conta da gratidão
Sêneca escreveu um tratado inteiro, Sobre os Benefícios, para ensinar que quem dá deve esquecer e quem recebe nunca tem o direito de esquecer. Na política alagoana, a regra costuma ser outra: a gratidão tem prazo de validade menor que leite de caixinha aberto fora da geladeira. Por isso os bastidores olham com atenção para o nome de Stefany Higino.
Esposa de Bueno e parceira dele na mobilização, Stefany não chega à mesa como enfeite de composição. É enfermeira, vereadora de Taquarana, tem trajetória na assistência social e é mãe atípica, o que quer dizer que conhece por dentro, sem cartilha, a peregrinação de uma família atrás de terapia, laudo e vaga. Se for confirmada numa secretaria, será o primeiro nome feminino da equipe de JHC. E isso, por si só, já diz muito.
O fantasma de Paulo Dantas
Aqui mora a pergunta que incomoda. Na Prefeitura de Maceió, presença feminina no primeiro escalão nunca foi bandeira da gestão JHC. Já Paulo Dantas, o governador que ele vai suceder, fez do tema marca de governo: assumiu em 2022 com mulheres no comando de 12 das 23 pastas e passou a repetir que tinha o maior secretariado feminino do país.

Não foi detalhe de cerimonial. Alagoas passou a ter o maior secretariado feminino do país, e isso virou marca de gestão, régua de comparação e cobrança para quem vier depois. Símbolo, em política, pesa mais do que planilha.
JHC, que já tem uma mulher como vice, Célia Rocha, está diante de uma escolha que vai além de pagar a dívida com um aliado. Pode repetir o padrão da prefeitura e montar um primeiro escalão de paletó e gravata, ou pode mostrar que o governo que começa em 2027 também tem rosto de mulher. Seria, aliás, o jeito mais barato de desarmar a comparação com o antecessor antes mesmo da posse.
Stefany pode ser o primeiro passo. A dúvida é se será o único.
O resto é microfone.




