Petroleiras contestarão na Justiça extensão do imposto de exportação

Grandes petroleiras que atuam no Brasil preparam uma nova ofensiva na Justiça contra a decisão do governo de renovar o imposto de exportação de petróleo cru, instituído por medida provisória em março e estendido por mais 60 dias pelo Gecex (Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior) na 5ª feira (9.
Grandes petroleiras que atuam no Brasil preparam uma nova ofensiva na Justiça contra a decisão do governo de renovar o imposto de exportação de petróleo cru, instituído por medida provisória em março e estendido por mais 60 dias pelo Gecex (Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior) na 5ª feira (9.jul.2026).
A decisão do comitê foi tomada na mesma data em que a MP perderia vigência, em reunião convocada no dia anterior, sem aviso prévio ao setor. Como mostrou o Poder360, as petroleiras foram pegas de surpresa pela manutenção da taxa. Executivos que atuavam pela derrubada do imposto de 12% haviam sido informados por integrantes do Planalto que o tributo caducaria sem renovação.
Poucas horas após o anúncio do Gecex, as empresas já haviam decidido mover uma 2ª ação na Justiça contra a medida. A 1ª, iniciada em abril, chegou a receber liminar favorável, mas acabou derrubada pelo TRF-2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região).

Agora, a avaliação do setor é que a nova decisão do governo é mais frágil juridicamente e abre mais chances para contestação nos tribunais. Enquanto o tributo instituído em março veio por meio de medida provisória, a renovação da última 5ª feira (9.jul) ocorreu por via administrativa, aproveitando a competência do Gecex de mexer em impostos regulatórios.
Embora esteja prevista na legislação, a deliberação do comitê ligado ao Ministério da Indústria não tem a mesma força do que uma medida provisória, segundo o entendimento dos advogados que preparam a nova ação.
Para as petroleiras, o uso do novo instrumento corrobora a teoria de que a medida do governo tem caráter arrecadatório –posição defendida pelas empresas desde março. As equipes jurídicas pretendem argumentar que, se a intenção do Planalto com o imposto fosse meramente regulatória, a taxa teria sido imposta via Gecex desde o princípio.
PETROLEIRAS ATUAM CONTRA TAXA
As petroleiras, representadas pelo IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis), atuam desde março contra a taxa imposta pela MP 1.340, baixada pelo governo no pacote de intervenções no mercado de combustíveis com o objetivo de mitigar os efeitos da guerra no Oriente Médio.O IBP afirma que o tributo é ilegal porque utiliza um mecanismo que deveria ser regulatório com o objetivo puramente de aumentar a arrecadação federal. A avaliação do setor é que a medida tem caráter arrecadatório, traz insegurança jurídica e afasta investimentos estrangeiros na indústria petrolífera brasileira.
O governo argumenta que o imposto serve para proteger o mercado interno de combustíveis. A medida foi adotada para desestimular a venda do óleo cru ao exterior, que se torna mais atraente durante cenários de alta do petróleo. Havia expectativa de que o imposto fosse ser retirado ao fim da vigência da MP 1.340, mas a retomada das ofensivas entre EUA e Irã fez o Planalto adotar uma postura de cautela, mantendo parte das medidas implementadas no início da guerra.
Outra justificativa do Executivo é garantir matéria-prima para que as refinarias brasileiras abasteçam o país. As petroleiras, no entanto, rebatem esse argumento, e afirmam que o Brasil exporta petróleo porque não possui capacidade de refino suficiente, e não por falta de produto. Não existe, na visão da indústria, qualquer possibilidade ou risco de falta de petróleo para o mercado interno.
As empresas também rejeitam a posição de que o aumento de receita trazido pelo imposto ajuda a pagar as subvenções e desonerações criadas pelo governo. Avaliam que a arrecadação com royalties e participações especiais já existente seria suficiente para cobrir as medidas para combustíveis, sem a necessidade de um novo imposto de exportação.
Fonte: Poder 360




