O anúncio da Anthropic sobre falha de segurança com suas IAs

A Anthropic, startup criadora do Claude, anunciou nesta quinta-feira, 30, que modelos em teste da empresa escaparam de seus ambientes controlados e, ao entrarem em contato com sistemas externos, conseguiram invadir três organizações diferentes.
A Anthropic, startup criadora do Claude, anunciou nesta quinta-feira, 30, que modelos em teste da empresa escaparam de seus ambientes controlados e, ao entrarem em contato com sistemas externos, conseguiram invadir três organizações diferentes. A informação vem pouco mais de uma semana após a OpenAI, criadora do ChatGPT e principal rival na corrida pela IA da Anthropic, anunciar uma situação similar, em que seus modelos também teria escapado de um ambiente segurado e invadido os sistemas da Hugging Face, biblioteca de modelos para inteligência artificial.
De acordo com o comunicado da empresa, após o anúncio da OpenAI, a Anthropic decidiu analisar todas as instâncias em que modelos em treinamento poderiam ter causado invasões similares. Após verificar mais de 140 mil instâncias em que o modelo poderia ter acessado a internet, a empresa encontrou três situações em que isso aconteceu. Segundo eles, a falha de segurança ocorreu durante um exercício de "roube a bandeira", técnica para treinamentos de cibersegurança em que uma IA é instigada a pegar uma informação que está em outra máquina de uma rede.
Nos casos da Anthropic, a empresa explicou que esse tipo de avaliação é feita em parceria com uma outra empresa, a Irregular, e que por um "erro de comunicação" entre as duas os três testes que deveriam ser feitos sem acesso à internet deixaram essa brecha para os modelos, o que permitiu que eles "escapassem". O comunicado explica que o Claude opera nesse tipo de teste com a ideia de que não há acesso real à internet, por isso os modelos teriam considerado uma invasão real como parte da "brincadeira".

Os incidentes envolveram três modelos do Claude: o Opus 4.7, o Mythos 5 e um modelo de pesquisa interno da empresa que, segundo eles, foi criado apenas para trabalhos internos. O primeiro incidente aconteceu em abril, e duas das três empresas afetadas foram avisadas e responderam, uma delas ainda não firmou contato com a Anthropic. A startup não revelou quais foram as empresas reais afetadas.
Ainda segundo a empresa, todos os modelos seguiram o trabalho de teste sob a ideia de que eles não estavam realmente conectados à internet. Ainda assim, cada modelo agiu de forma diferente a partir do momento em que identificou dicas de que eles estavam realmente conectados à internet. O Opus 4.7 reconheceu que havia chegado à sistemas de produção reais, mas continuou o ataque da mesma forma. O Mythos 5 "intuiu" que havia acessado a internet, mas se convenceu de que ainda estava em uma simulação, tendo em vista o que foi dito a ele pelo teste. O modelo interno, por sua vez, também considerou que os alvos do teste eram reais, e quando confirmou o fato, interrompeu o ataque.
O anúncio vem menos de uma semana após a OpenAI lançar ao mundo algo similar. Na semana passada, a criadora do ChatGPT explicou que alguns de seus modelos em teste em um ambiente simulado escaparam do espaço e invadiram os sistemas internos da biblioteca de modelos de IA e machine learning Hugging Face. O ocorrido gerou comoção no mundo da tecnologia, e o CEO da empresa afetada pediu por transparência na situação. O novo "aviso" da Anthropic marca mais um capítulo da corrida das IAs, e esse tipo de evento cibernético fortalece a imagem já propagada pelas empresas de que elas detém os modelos mais fortes do mercado. Publicidade
Fonte: Veja Abril




