Nem Trump nem Europa freiam a China: exportações verdes saltam 52%

Nem as tarifas impostas pelos Estados Unidos nem as barreiras comerciais da União Europeia frearam o avanço da indústria chinesa de tecnologias limpas.
Nem as tarifas impostas pelos Estados Unidos nem as barreiras comerciais da União Europeia frearam o avanço da indústria chinesa de tecnologias limpas.
As exportações de veículos elétricos, baterias de lítio e células solares cresceram 51,6% no primeiro semestre, para US$ 118,4 bilhões, consolidando esses setores como um dos principais motores da economia chinesa.
Os dados, divulgados pela Administração Geral das Alfândegas da China, mostram que as chamadas “novas três” indústrias continuam ganhando espaço na pauta exportadora do país. Continua após a publicidade
É uma estratégia de Pequim para reduzir a dependência do setor imobiliário e fortalecer segmentos considerados estratégicos para a disputa tecnológica com o Ocidente.
Carros elétricos puxam crescimento
Os veículos elétricos lideraram a expansão.
As exportações do setor avançaram 75,1% no primeiro semestre, alcançando US$ 52,1 bilhões. Apenas em junho, os embarques superaram a marca de 1 milhão de unidades pela primeira vez.
As baterias de lítio registraram crescimento de 42,7%, para US$ 48,7 bilhões. Já as exportações de células solares aumentaram 24%, somando US$ 16,5 bilhões no semestre e voltando ao terreno positivo em junho, após um período de excesso de oferta e queda dos preços internacionais.
O desempenho reforça a liderança chinesa na cadeia global da transição energética. Continua após a publicidade
Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), o país concentra mais de 80% da capacidade mundial de fabricação de painéis solares, cerca de 70% da produção de baterias de íons de lítio e domina a cadeia de processamento de minerais críticos usados na eletrificação da economia.
Inteligência artificial impulsiona indústria
A expansão não se limitou às tecnologias verdes.
A demanda global por infraestrutura para inteligência artificial impulsionou as exportações chinesas de circuitos integrados, que cresceram 96,1% no primeiro semestre. As vendas de computadores avançaram 41,3%.
Segundo analistas, parte desse crescimento reflete a venda de equipamentos de maior valor agregado, diante da corrida global por data centers, chips e infraestrutura para inteligência artificial.
China busca novos mercados
O avanço ocorre em um momento de crescente pressão comercial sobre a indústria chinesa. Continua após a publicidade
Estados Unidos e União Europeia elevaram tarifas sobre veículos elétricos fabricados na China, alegando concorrência desleal provocada pelos subsídios concedidos por Pequim.
Em resposta, fabricantes chineses aceleraram a diversificação dos mercados de destino.
Em junho, as exportações para os países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) cresceram 36,8%. As vendas para a Índia avançaram 40,8%, enquanto os embarques para países africanos aumentaram 28%.
As exportações para os Estados Unidos continuaram crescendo, mas em ritmo menor, enquanto os embarques para a União Europeia voltaram a acelerar apesar das disputas comerciais.
Brasil ganha peso na estratégia chinesa
O Brasil também vem assumindo um papel cada vez mais relevante nessa expansão. Continua após a publicidade
Além de permanecer como o principal fornecedor chinês de soja, minério de ferro e petróleo entre os países latino-americanos, o mercado brasileiro tornou-se um dos principais destinos da indústria automotiva chinesa.
O crescimento das importações de veículos eletrificados foi impulsionado pela expansão de montadoras como BYD, GWM e Geely.
Também entra na equação a corrida de importadores para antecipar embarques antes da elevação gradual das tarifas de importação sobre carros elétricos.
Dados recentes mostram que o Brasil se consolidou entre os maiores compradores mundiais de veículos produzidos na China.
Ao mesmo tempo, a relação comercial entre os dois países segue em patamar recorde. Continua após a publicidade
A China continua sendo, com ampla vantagem, o principal parceiro comercial do Brasil, respondendo por cerca de um terço das exportações brasileiras, enquanto amplia sua participação nas importações de bens industriais e de maior intensidade tecnológica.
Exportações sustentam economia chinesa
O desempenho reforça o papel das exportações como um dos principais pilares da economia chinesa.
Com o consumo interno ainda enfraquecido e o mercado imobiliário distante dos níveis anteriores à crise, Pequim intensificou os investimentos em manufatura de alta tecnologia para sustentar o crescimento econômico.
Analistas do Citic Securities avaliam que a vantagem de custos da indústria chinesa deve continuar impulsionando as exportações no segundo semestre.
No entanto, as negociações comerciais com a União Europeia e a persistência das tensões geopolíticas no Oriente Médio mantenham riscos para o comércio internacional e para as cadeias globais de suprimentos. Publicidade
Fonte: Veja Abril




