JHC promete a Lula que não concorrerá nem ao governo nem ao Senado, diz site

O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PL), conhecido como JHC, sinalizou ao governo do presidente Lula (PT) que permanecerá no cargo até o fim do mandato e não disputará nem o Governo de Alagoas nem o Senado Federal em 2026.
Em contrapartida, o governo federal deve nomear sua tia, a procuradora de Justiça de Alagoas Maria Marluce Caldas Bezerra, para uma vaga no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Com a permanência de JHC na prefeitura, abre-se espaço para que o deputado federal Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara, dispute uma cadeira no Senado. Lira é o relator da proposta que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais — uma das principais apostas do Palácio do Planalto para a campanha de reeleição de Lula em 2026.
O governo temia que, caso o prefeito insistisse em entrar na disputa pelo Senado, atrapalhasse os planos de Lira e, em retaliação, o parlamentar dificultasse ou alterasse a tramitação do projeto de lei.
No mês passado, Lula recebeu JHC no Palácio da Alvorada, reforçou a preferência por Marluce e ouviu do prefeito um pedido para adiar a decisão, de modo a organizar o cenário político local.
JHC tinha um acerto político com Lira: deixaria a prefeitura em abril de 2026 para disputar o governo do estado, servindo como palanque para o ex-presidente da Câmara na corrida ao Senado. Como o atual governador Paulo Dantas (MDB) não pode se reeleger, JHC era visto como um dos nomes mais fortes para o Executivo estadual.
Entretanto, o prefeito se aproximou do governo Lula com o objetivo de garantir a nomeação de sua tia ao STJ. Marluce figura há nove meses na lista tríplice destinada à vaga do Ministério Público na Corte, ao lado de Sammy Barbosa Lopes e Carlos Frederico Santos.
Essa articulação também envolve apoio ao ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), em uma eventual candidatura ao governo de Alagoas. Nesse arranjo, JHC poderia concorrer ao Senado na chapa do MDB, ao lado do senador Renan Calheiros (MDB), que tentará a reeleição. Essa composição, no entanto, deixaria Lira fora da disputa majoritária.
Em 2026, cada estado elegerá dois senadores. Além de Renan, estará em jogo a vaga atualmente ocupada por Eunice Caldas (PL), mãe de JHC, que assumiu o mandato após a saída de Rodrigo Cunha (Podemos), hoje vice-prefeito de Maceió.
Procurado pela Folha, Renan Calheiros afirmou que não discutiu diretamente com JHC sobre a desistência de sua candidatura:
“Se ele deixar a prefeitura, será meu candidato ao Senado. São duas vagas. Não somos nós que queremos impedi-lo de concorrer”, disse o senador, que tem se posicionado contra qualquer composição com Arthur Lira.
Segundo fontes próximas à negociação, JHC teria prometido tanto a Lula quanto a Lira que não será candidato em 2026, em troca da nomeação de sua tia. A reportagem procurou o prefeito, mas ele não comentou o assunto até o fechamento.
Apesar disso, aliados e adversários expressam ceticismo quanto ao acordo. Apontam que os termos ainda são vagos e que o prefeito já teria descumprido compromissos anteriores. Avaliam também que seu nome continua forte para o governo estadual e que, mesmo com a nomeação de Marluce, ele ainda pode mudar de posição até abril.
Para o governo federal, a aproximação com JHC representa um ganho estratégico na corrida presidencial. Filiado ao PL, o prefeito é uma das principais lideranças da direita no Nordeste. Alagoas foi o único estado da região em que Jair Bolsonaro (PL) superou Lula nas urnas. Caso a aliança com o petista se concretize, JHC deve migrar de volta ao PSB.
Outro fator que reforça o acordo é o andamento do projeto do Imposto de Renda. Arthur Lira deve apresentar seu relatório até a próxima segunda-feira (14), e o governo espera votar a matéria na comissão especial antes do recesso parlamentar, que começa em 18 de julho — o que daria impulso à agenda de Lula rumo à reeleição.
Fonte: Cada Minuto



