Fraude em financiamentos de motos teria causado prejuízo milionário em AL

Investigação aponta obtenção irregular de mais de 30 motocicletas
Um suposto esquema de fraude em financiamentos de motocicletas é investigado pela Polícia Civil de Alagoas, com prejuízo estimado em mais de R$ 1 milhão às instituições financeiras. Segundo informações encaminhadas pela 10ª Vara Criminal da Capital ao Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), mais de 30 motocicletas teriam sido adquiridas mediante apresentação de informações falsas sobre a renda de pessoas recrutadas para contratar os financiamentos. As informações foram publicadas nesta sexta-feira, 16, em diário oficial.
As investigações, conduzidas pela Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos da Capital, apontam que os suspeitos utilizavam documentos de renda supostamente falsificados, incluindo comprovantes de pró-labore, para obter a aprovação dos contratos. Após a retirada das motocicletas das concessionárias, os veículos eram repassados a terceiros, enquanto as dívidas permaneciam em nome das pessoas utilizadas nas operações.
Em agosto, a Polícia Civil solicitou a prisão preventiva de dois investigados, apontados como envolvidos na obtenção e comercialização das motocicletas. Conforme os autos, um deles teria admitido participação em 15 a 21 operações, recebendo entre R$ 7 mil e R$ 9 mil por veículo negociado. A investigação também aponta que ele teria alertado o outro suspeito sobre a operação policial e solicitado que escondesse as motocicletas.

As prisões preventivas foram decretadas em 22 de agosto pela Justiça durante o plantão judiciário. Um dos investigados foi preso no dia 25 daquele mês. O segundo, vinculado a um estabelecimento comercial em Arapiraca, não foi localizado durante diligência realizada em 28 de agosto. Posteriormente, apresentou pedido de revogação da prisão e colocou-se à disposição da polícia para prestar esclarecimentos e entregar veículos que estavam em seu poder.
Em 3 de setembro, o investigado compareceu à delegacia e apresentou duas motocicletas Honda Biz, que foram apreendidas. Apesar disso, o Ministério Público manifestou-se pela manutenção da prisão preventiva, alegando risco à investigação e à aplicação da lei penal. A defesa pediu a revogação da medida ou sua substituição por outras restrições cautelares. O mandado de prisão desse investigado permanecia sem cumprimento na data das informações encaminhadas ao tribunal.
O caso chegou ao TJAL por meio de um pedido de habeas corpus, cuja liminar foi negada. Em resposta ao tribunal, a 10ª Vara Criminal informou que ainda não havia analisado o pedido de revogação da prisão preventiva do segundo investigado e reconheceu falhas nas intimações de seus advogados, determinando a regularização do cadastro. O inquérito policial apura possíveis crimes de estelionato, furto mediante fraude, falsificação de documento público e receptação qualificada. O processo tramita sob o número 0702142-87.2026.8.02.0067.
Fonte: Jornal Extra




