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Fóssil de ave com mais de 800 pedras na garganta intriga ciência

Redação05 de dezembro de 2025
Fóssil de ave com mais de 800 pedras na garganta intriga ciência

Fósseis são mais do que apenas ossos antigos.

Fósseis são mais do que apenas ossos antigos. Eles funcionam como cápsulas do tempo, que registram a vida e a morte de espécies antigas. No entanto, muitas vezes, os mistérios que essas peças guardam não são completamente entendidos pela ciência.

Foi o que aconteceu com uma recente descoberta que intrigou a comunidade paleontológica: uma nova espécie de ave foi encontrada com a garganta cheia de pedras. E ninguém sabe o motivo.

Ave é de uma espécie nova (Imagem: Dra. Jingmai O’Connor/Reprodução)

Ave antiga é um mistério

  • O achado foi publicado na revista Palaeontologica Electronica e levanta perguntas sobre comportamento, alimentação e a própria causa da morte do animal do fóssil;
  • Trata-se de uma ave com cerca de 120 milhões de anos, tamanho de um pardal e dentes grandes na ponta do bico. Ela foi batizada de Chromeornis funkyi;
  • No entanto, ao analisar o exemplar, a equipe liderada pela paleontóloga Jingmai O'Connor, do Museu Field de Chicago, se deparou com uma massa compacta de pedrinhas no esôfago, algo incomum para espécies deste tipo.
Ilustração de como a ave poderia ter sido (Imagem: Ilustração de Sunny Dror/Reprodução)

O que o fóssil revela

As pedras de moela (gastrólitos) são comuns em aves modernas e alguns répteis. Elas ajudam a triturar o alimento no sistema digestivo. No entanto, em aves fósseis próximas ao grupo da Chromeornis, esse registro é raro ou ausente.

No novo exemplar, a equipe contabilizou mais de 800 grânulos, alguns com densidade compatível com bolotas de argila.

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O arranjo e a preservação sugerem que o material não foi depositado após a morte. Em vez disso, a massa parece ter ficado alojada na garganta, possivelmente levando ao sufocamento. Segundo O'Connor, a hipótese inicial era de uma moela comum deslocada, mas perdeu força à medida que o número, o tamanho e a distribuição das pedras foram medidas e comparadas com bases de dados de gastrólitos em aves.

Leia mais:

Como os cientistas explicam o enigma do fóssil

Uma possibilidade levantada para explicar as pedras na garanta é doença: aves vivas, quando debilitadas, podem ingerir quantidades atípicas de material. Se a massa não avançou para o estômago e a ave tentou regurgitar, ela pode ter ficado presa no esôfago, obstruindo vias respiratórias.

Mas a resposta definitiva não é conhecida – e talvez nunca será. O mistério se soma a outros fósseis com "causas prováveis de morte".

Por exemplo, há precedentes de mortes súbitas registradas em fósseis, como os "dinossauros lutadores" da Mongólia (enterramento rápido por desabamento de duna) e o chamado "dragão adormecido" Mei long (associado a eventos vulcânicos). Ainda assim, encontrar pedras presas na garganta de um animal é algo fora do comum no registro paleontológico.

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FossilFósseisCiência e espaço

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