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Fidelidade, decoro e respeito: Veja argumentos do MP Militar ao pedir perda de patente de Bolsonaro

Jovem Pan News05 de fevereiro de 2026
Fidelidade, decoro e respeito: Veja argumentos do MP Militar ao pedir perda de patente de Bolsonaro
© Foto: Ton Molina/STF / O MP militar justificou o pedido dizendo que Bolsonaro violou regras éticas básicas da caserna

O Ministério Público Militar enviou na terça-feira (3) representações ao Superior Tribunal Militar para perda de posto e patente de condenados na ação que apurou a trama golpista

O procurador-geral da Justiça Militar, Clauro de Bortolli, enviou na terça-feira (3) ao Superior Tribunal Militar (STM) representações para perda de posto e patente contra quatro generais condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na ação que apurou a trama golpista. O chefe do Ministério Público Militar elencou os motivos pelos quais entende que os sentenciados se tornaram indignos ou incompatíveis com o oficialato.

Na lista estão o general da reserva Walter Braga Netto, o almirante da reserva Almir Garnier, o general reformado Augusto Heleno e o general da reserva Paulo Sérgio Nogueira. O ex-presidente Jair Bolsonaro também violou regras éticas básicas da caserna e, segundo o Ministério Público, deve perder a patente de militar reformado.

Em todos os casos, o Ministério Público Militar sustenta que, além das condenações criminais, os oficiais violaram o preceito ético mais básico do Estatuto dos Militares: o dever de “amar a verdade e a responsabilidade como fundamento de dignidade pessoal”.

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Além disso, segundo o Ministério Público Militar, todos os militares também teriam descumprido os seguintes preceitos do Estatuto dos Militares:

  • Dever de probidade e proceder de maneira ilibada na vida pública;
  • Respeito à dignidade humana;
  • Cumprimento das leis e das ordens das autoridades competentes;
  • Acatamento das autoridades civis;
  • Cumprimento de seus deveres de cidadão;
  • Zelo pelo bom nome das Forças Armadas e de seus integrantes;
  • Dedicação e fidelidade à Pátria;
  • Probidade e lealdade;
  • Disciplina, respeito e decoro militar.
Por esses motivos, Bortolli sustenta que os generais devem ser punidos, ainda que estejam na reserva ou reformados.

O STM não reexaminará o mérito das condenações impostas pelo STF. Caberá ao Tribunal Militar apenas avaliar se as condutas descritas tornam os oficiais indignos ou incompatíveis com o oficialato.

Os pontos centrais das representações do MP Militar em cada caso:

  • Walter Braga Netto: ‘figura de gigantesca relevância’ na trama golpista
Segundo o Ministério Público Militar, o general da reserva Walter Souza Braga Netto atuou de forma decisiva para dar concretude ao plano golpista, tanto no campo político quanto no operacional.

“Como destacou o ministro Flávio Dino, o General-de-Exército Walter Souza Braga Netto é ‘figura de gigantesca relevância na trama golpista (…) exercia elevada influência sobre o então presidente Jair Bolsonaro e dezenas de agrupamentos e vetores golpistas’”, afirmou Bortolli.

Além dos preceitos descumpridos por todos os militares, o MPM também sustenta que Braga Netto violou deveres adicionais do Estatuto dos Militares ao associar militares que não endossavam o movimento golpista à figura de “traidores da pátria”, afrontando princípios como camaradagem e espírito de cooperação.

O general também teria violado a discrição em suas atitudes e linguagem, bem como as normas de boa educação, ao se referir ao então comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes, em mensagem escrita, como “cagão”.

“Agiu com descaso também para com a prática da ‘camaradagem’ e do ‘espírito de cooperação’ (…) e da discrição ‘em suas atitudes, maneiras e em sua linguagem escrita e falada’, bem como com a observância das ‘normas de boa educação’”, escreveu Bortolli.

  • Almir Garnier: apoio a ordens ilícitas e alinhamento ao projeto golpista
O almirante da reserva Almir Garnier, então comandante da Marinha, é descrito pelo MPM como integrante da organização criminosa liderada por Jair Bolsonaro.

“O ora representado Almirante-de-Esquadra Almir Garnier Santos se colocou ‘à disposição para executar as ordens ilícitas voltadas à ruptura do Estado Democrático de Direito’”, afirmou Bortolli.

O procurador-geral também sustentou que Garnier violou diversos preceitos do Estatuto Militar.

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