Disputa em Minas amplia indefinição por palanque para Lula em estado decisivo

"Futuro governador": foi assim que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se referiu ao ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco, ao lado dele, durante um evento em Mariana, na região central de Minas Gerais, em junho de 2025.
"Futuro governador": foi assim que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se referiu ao ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco, ao lado dele, durante um evento em Mariana, na região central de Minas Gerais, em junho de 2025. A fala resumia a aposta que o petista fez por meses para que o aliado disputasse o comando do Executivo estadual e, assim, garantisse a ele um palanque em um colégio eleitoral importante para a disputa nacional. Um ano depois, porém, Pacheco encerrou as especulações ao anunciar que não concorrerá a cargo algum em 2026 e que deixará a política. A decisão ampliou a incerteza sobre quem será o nome de Lula no estado e abriu uma corrida pelo posto, que já tem oito candidatos, a pouco mais de um mês do início das convenções partidárias. 
A maioria desses nomes que tentam se colocar no páreo, no entanto, é desconhecida do eleitor. A exceção é Kalil, que consegue de 14% a 18% nos cenários pesquisados pelo Real Time Big Data em maio, muito longe dos quase 40% que tem Cleitinho Azevedo, o favorito na corrida. Kalil disputou o governo na eleição passada com o apoio de Lula, mas se distanciou do presidente após ser derrotado por Romeu Zema ainda no primeiro turno. Apesar das conversas entre PT e PDT, Kalil tem relutado em aceitar dividir o palanque com o petista novamente. Enquanto isso, os nomes mais fortes do PT também não demonstram disposição para entrar na corrida, apesar de a militância ter aprovado, na semana passada, uma resolução defendendo candidatura própria. Favorita para o Senado, a ex-prefeita de Contagem Marília Campos tem defendido uma aliança em torno de Gabriel Azevedo, movimento que também ajuda a aliviar a pressão para que ela própria dispute o Palácio Tiradentes. O vereador do MDB, porém, ainda aparece com números modestos nas pesquisas: entre 6% e 8% das intenções de voto. Já o deputado federal Reginaldo Lopes afirma não estar focado na eleição ao governo neste momento. "Nem o PT, nem o PL tem candidato ainda. O único nome que já está posto é o do Mateus Simões (governador do estado), mas ele não tem voto", afirma. 
De fato, a confusão no estado não ronda apenas o campo lulista, mas também o bolsonarismo. Mateus Simões filiou-se ao PSD, partido do presidenciável Ronaldo Caiado, mas segue alinhado a Romeu Zema, presidenciável do Novo, de quem foi vice até março. Flávio Bolsonaro, que esteve no estado há poucos dias, descartou aliança com Simões. "O palanque dele já está montado", afirmou. A prioridade do Zero Um é consolidar o apoio a Cleitinho, o que ainda não aconteceu. Embora apareça na dianteira, Cleitinho continua evitando confirmar ou descartar sua candidatura. A incerteza aumentou após ele afirmar publicamente que não confia plenamente no presidente de seu partido, Marcos Pereira, que respondeu dizendo que a sigla apoiará seu projeto, caso ele decida concorrer, mas que é o senador quem parece não saber o que quer — desde então, não voltaram a conversar e nem têm planos de fazê-lo, segundo o cacique. Caso Cleitinho não concorra, o plano B do PL é lançar um nome próprio, como o do empresário Flávio Roscoe.

O impasse mineiro destoa do que acontece nos outros estados mais populosos do país, onde os campos ligados ao governo federal e à oposição já têm candidaturas. O desfecho dessa situação tem relevância estratégica (Minas é o segundo maior colégio eleitoral do país, com 11% do eleitorado nacional) e simbólica, porque, há 76 anos, o candidato à Presidência que vence no estado é também quem triunfa na disputa nacional. 
Enquanto o cenário não fica claro, Lula evita ir ao estado, um dos que mais visitou em 2025. Há quatro anos, a vitória sobre Jair Bolsonaro em Minas foi por um triz: 50,2% a 49,8%. Agora, numa eleição que também promete ser difícil, Lula chega à reta final da pré-campanha sem um palanque. Com tantos nomes voando e nenhum nas mãos, o mais provável é que o drama só cresça até as convenções.
Publicado em VEJA de 12 de junho de 2026, edição nº 2999 Publicidade
Fonte: Veja Abril




