Día de Los Muertos: aquecimento global ameaça flor que ‘guia as almas’ no México

Neste domingo (2), enquanto o Brasil lembra seus entes queridos no Dia de Finados, o México celebra de forma festiva o Día de Los Muertos.
Neste domingo (2), enquanto o Brasil lembra seus entes queridos no Dia de Finados, o México celebra de forma festiva o Día de Los Muertos. Altares coloridos, velas e o brilho alaranjado do cempasúchil – símbolo da data – representam a ligação entre vivos e mortos. Mas essa tradição pode estar ameaçada: a flor que "guia as almas" está desaparecendo com o avanço do aquecimento global.
Em resumo:
- O cempasúchil é uma das tradições do Día de Los Muertos, no México;
- Ele é a flor mais usada em homenagem aos mortos;
- A crença popular diz que essa flor "guia as almas";
- Seu cultivo é ameaçado pelo aquecimento global, sendo afetado por secas e enchentes;
- Agricultores enfrentam perdas econômicas e temem o desaparecimento da espécie;
- Cientistas armazenam e resgatam sementes nativas mais resistentes às mudanças climáticas;
- Mesmo com dificuldades, comunidades rurais seguem cultivando a flor para manter viva sua herança cultural.
México tem imensas plantações de "flor dos mortos" destruídas
Nos canais de Xochimilco, ao sul da Cidade do México, o tom vibrante do cempasúchil vem desbotando sob o impacto de secas prolongadas, chuvas intensas e enchentes cada vez mais comuns. Essas mudanças no clima afetam o solo, reduzem a produtividade e favorecem pragas que atacam as raízes. Para os agricultores, o prejuízo é duplo – econômico e cultural.Lucia Ortíz, de 50 anos, cultiva o cempasúchil há três décadas em um terreno herdado da família. Hoje, teme pelo futuro. "Perdemos muito este ano. Houve momentos em que não tínhamos dinheiro nem para comprar fertilizante", contou à agência Associated Press. "Com o cempasúchil, às vezes ficamos sem nada." Casos como o dela se repetem em diversas regiões. 
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Cempasúchil: valor espiritual e mercado milionário
Mais do que um ornamento, o cempasúchil tem forte valor espiritual. Suas pétalas intensamente alaranjadas são usadas, segundo a crença local, para traçar o caminho das almas e enfeitam ruas e altares por todo o país. Além disso, o cultivo movimenta cerca de R$14 milhões por ano, sendo essencial para milhares de famílias rurais.
A bióloga Clara Soto Cortés, responsável pelo projeto, explica que a substituição das variedades locais por sementes híbridas importadas dos EUA piorou a situação. "As sementes nativas são mais adaptadas ao clima mexicano. As híbridas não têm a mesma diversidade genética e sofrem mais com o calor e a umidade".Enquanto esperam apoio, Ortíz e outros agricultores, como Carlos Jiménez, de 61 anos, buscam formas de continuar produzindo. Ele estuda usar estufas para proteger as plantas das variações do clima. "Quando a safra se perde, vai junto parte da nossa história". Mesmo com prejuízos, Jiménez diz que desistir não está nos planos: "O cempasúchil representa nossos antepassados. Precisa resistir."
Fonte: Olhardigital




