Bradesco Lucra R$ 7,05 Bi no Segundo Trimestre; Alta de 16%

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
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Na quarta-feira (5), o Bradesco confirmou lucro líquido recorrente de R$ 7,05 bilhões no segundo trimestre. O resultado representa alta de 16,2% frente ao mesmo intervalo de 2025.
A melhora reflete ganhos de rentabilidade e um ritmo mais forte de concessão de crédito, ainda que o banco tenha reforçado o discurso de cautela para os próximos meses.
O presidente-executivo Marcelo Noronha resumiu o momento em nota enviada à imprensa. “Em cenário de guerra e às vésperas de eleições, seguiremos com moderação em nosso apetite ao risco. Nossas despesas operacionais estão controladas e continuamos a ganhar eficiência”, disse.
A instituição também apontou piora na percepção de riscos no Brasil. Segundo o banco, os juros altos seguram a inflação, mas já pesam sobre empresas de diferentes tamanhos. O comprometimento de renda das famílias, em trajetória de alta, foi citado como outro ponto de atenção, somado à instabilidade macroeconômica global.
Carteira de crédito mantém ritmo forte
O Bradesco preservou a projeção de crescimento da carteira expandida em 2026, entre 8,5% e 10,5%. Ao fim de junho, o volume total chegou a R$ 1,1 trilhão, avanço de 11,6% em doze meses e de 4,3% sobre março.
O desempenho variou por segmento. Na comparação anual, pessoas físicas cresceram 8,4%, grandes empresas avançaram 12,7% e as micro, pequenas e médias empresas lideraram com expansão de 16,1%. No trimestre, o destaque ficou com as grandes companhias, que saltaram 7,8%, enquanto o crédito pessoa física cresceu de forma mais discreta, 1,2%.
O índice de atrasos acima de 90 dias avançou para 4,3%, ante 4,1% um ano antes e 4,2% no primeiro trimestre deste ano. A instituição explicou que operações de capital de giro com garantia, que têm ritmo próprio de recuperação, elevaram o indicador de MPME em 0,4 ponto percentual. Já entre pessoas físicas, a inadimplência chegou a 5,5%, movimento que o Bradesco associou ao cenário macroeconômico mais apertado.
A distribuição da carteira por estágio de risco também mudou. O estágio 1 somava R$ 727,3 bilhões em junho, o estágio 2 alcançava R$ 46 bilhões e o estágio 3 totalizava R$ 60,2 bilhões. Três meses antes, esses números eram R$ 715,7 bilhões, R$ 40 bilhões e R$ 57,4 bilhões, respectivamente.
O banco disse ter intensificado renegociações dentro do novo Desenrola Brasil, mas informou que a fatia de crédito reestruturado no total da carteira não se alterou.
Rentabilidade acima de 16%
O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) chegou a 16,2%, ante 14,6% um ano atrás e 15,8% no primeiro trimestre. O número superou a mediana das estimativas compiladas pela LSEG, que previam lucro de R$ 7 bilhões e ROE de 16,08%.
As receitas totais somaram R$ 37,6 bilhões, alta de 10,3% na comparação anual. As receitas de prestação de serviços tiveram desempenho mais tímido, com crescimento de 1,7%, para R$ 10,5 bilhões. Já as despesas operacionais avançaram 3,4%, para R$ 16,4 bilhões, enquanto o índice de eficiência melhorou 3,4 pontos percentuais, para 46,5%.
O Bradesco fechou junho com 1.844 agências, 698 unidades de negócios e 1.565 postos de atendimento. Em março, eram 1.938 agências, 706 unidades e 1.723 postos, o que confirma a continuidade do movimento de enxugamento da rede física.
Margem financeira e seguros puxam resultado
A margem financeira líquida cresceu 9,9% em doze meses e 4,8% no trimestre, para quase R$ 10,9 bilhões. A margem com clientes somou R$ 20,2 bilhões, alta de 13,8% na comparação anual.
Já a margem com o mercado saltou para R$673 milhões, ante R$ 288 milhões um ano antes e R$ 553 milhões no primeiro trimestre.
O braço de seguros também deu contribuição relevante. O lucro líquido recorrente do grupo segurador somou R$ 2,9 bilhões, avanço de 28,3% em relação ao ano anterior, com retorno sobre patrimônio de 22,8%.
Fonte: Forbes Brasil




