Trump evita falar sobre chips da Nvidia em encontro com Xi, mas anuncia trégua

O esperado encontro entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, na Coreia do Sul terminou com promessas de redução de tarifas e retomada de cooperação econômica.
O esperado encontro entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, na Coreia do Sul terminou com promessas de redução de tarifas e retomada de cooperação econômica. Mas sem avanço no tema que virou termômetro da rivalidade entre as duas potências: os chips de inteligência artificial (IA) da Nvidia.
Apesar de ter dito que "poderia falar com Xi sobre o Blackwell", Trump admitiu após a reunião que o assunto "não chegou a ser discutido". Isso frustrou expectativas de alguma flexibilização nas restrições de exportação americanas.
Entre trégua e tensão: o que ficou do encontro entre Trump e Xi
O encontro entre Donald Trump e Xi Jinping marcou a primeira conversa presencial entre os dois desde o retorno do republicano à Casa Branca.Apesar do tom conciliador e de alguns avanços concretos (como a redução de tarifas e a manutenção do fluxo de terras raras), o diálogo mostrou que as diferenças estruturais permanecem, especialmente nas áreas de IA e chips de ponta, que seguem no centro da disputa entre as potências.
A corrida pelos chips: o tema que ficou fora da mesa
Um dia antes da reunião com Xi, o republicano havia elogiado publicamente o chip Blackwell, que ajudou a Nvidia a atingir o valor histórico de US$ 5 trilhões (cerca de R$ 27 trilhões). E chegou a sugerir que poderia abordá-lo no encontro. Mas, segundo ele, "o assunto não chegou a ser tratado".
O acesso chinês a chips de ponta é hoje um dos pontos mais sensíveis nas relações entre Washington e Pequim. O governo americano mantém restrições de exportação para conter o avanço militar da China em áreas estratégicas. 
Do outro lado, Pequim tem desestimulado empresas locais a comprar da Nvidia e incentivado rivais nacionais, como a Huawei. O impasse faz parte de uma disputa maior pela liderança em IA e semicondutores, setores vistos como o novo campo de poder global.
Ao evitar o tema, Trump sinalizou que, mesmo num momento de trégua comercial, a competição tecnológica entre as potências continua intacta.
Trégua comercial: tarifas, fentanil e terras raras
O principal resultado concreto da reunião foi a redução das tarifas sobre produtos chineses, que caíram de 57% para 47%, segundo Trump.Em contrapartida, Xi Jinping se comprometeu a retomar a compra de soja americana, manter o fluxo de exportação de terras raras – insumos essenciais para tecnologias como smartphones, carros elétricos e equipamentos militares – e reforçar o combate ao comércio ilegal de fentanil, droga sintética responsável por uma epidemia de overdoses nos Estados Unidos. 
Para Xi, as equipes econômicas dos dois países "alcançaram um consenso fundamental" e agora precisam evitar "um ciclo vicioso de retaliações". A mensagem reforça o tom de trégua comercial, ainda que cercada de cautela.

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Entre gestos diplomáticos e disputas estratégicas
Além da pauta econômica, o encontro teve espaço para temas geopolíticos. Trump afirmou que a guerra na Ucrânia "surgiu com força" nas conversas e disse que os dois países "vão trabalhar juntos para buscar progresso" no conflito.No entanto, o republicano disse que o assunto Taiwan "não foi discutido", apesar das tensões recentes em torno da ilha. A postura de Trump foi vista como uma tentativa de preservar o diálogo com Pequim em meio a um cenário global fragmentado. E de evitar atritos adicionais que possam afetar o comércio.
Ao fim da reunião, Trump descreveu o encontro como "incrível" e deu nota "12 em uma escala de 10", enquanto Xi destacou "boas perspectivas de cooperação em inteligência artificial".
O tom mais amistoso repercutiu nos mercados: as bolsas chinesas e o yuan se valorizaram logo após o encontro, o que reforça a expectativa de que as potências tentem equilibrar competição e cooperação nos próximos meses. Mas a rivalidade por liderança global, sobretudo em tecnologia, segue como pano de fundo.
(Essa matéria usou informações de G1, The Guardian e Reuters.)
Fonte: Olhardigital




