Sua pesquisa no Google pode virar prova? STF decide e placar já tem maioria

O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou, nesta quarta-feira (24), o julgamento que vai definir os limites para a quebra de sigilo de buscas realizadas na internet para identificar usuários em investigações criminais.
O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou, nesta quarta-feira (24), o julgamento que vai definir os limites para a quebra de sigilo de buscas realizadas na internet para identificar usuários em investigações criminais. O caso está diretamente relacionado às investigações sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorrido em 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro (RJ).
A discussão ocorre no âmbito do Recurso Extraordinário (RE) 1301250, apresentado pelo Google contra uma ordem judicial que obrigou a empresa a fornecer registros de endereços de IPs e identificadores de dispositivos de usuários que pesquisaram termos relacionados a Marielle e a locais frequentados por ela entre os dias 10 e 14 de março de 2018.

O Google argumenta que esse tipo de quebra de sigilo, baseada em palavras-chave, viola direitos fundamentais previstos na Constituição, como a privacidade, a proteção de dados e a liberdade de comunicação, além de atingir pessoas inocentes e abrir brechas para medidas semelhantes em qualquer contexto investigativo. A empresa considera ilegal a prática por se tratar de uma quebra de sigilo genérica, sem indicação prévia de suspeitos.
Como está a votação no STF
- Até o momento, o placar da votação no STF está em 4 a 2 a favor da autorização da chamada “busca reversa” — a quebra de sigilo de um grupo indeterminado de usuários, desde que observadas condições específicas;
- Votaram nesse sentido os ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Nunes Marques e Gilmar Mendes. Já os ministros André Mendonça e Rosa Weber (antes de sua aposentadoria) se manifestaram contra;
- Os ministros que compõem a maioria destacaram que a medida deve ser restrita a investigações de crimes hediondos e equiparáveis, condicionada à autorização judicial, com limitação temporal e temática, e com a obrigação de inutilizar dados de pessoas sem relação com os crimes investigados;
- "A limitação da medida parece essencial para garantir que o menor número de sujeitos não relacionados ao crime sofra essa restrição", afirmou Gilmar Mendes;
- Ele também ressaltou que "a busca reversa deve ser limitada a termos pertinentes para a investigação criminal e à janela temporal da medida, de modo a abranger apenas o momento anterior ao cometimento do crime".

"Entendo que nós estamos construindo um precedente muito perigoso para os direitos fundamentais, a liberdade e a intimidade das pessoas. Estamos abrindo um caminho para um Estado de polícia, e é um caminho sem volta", disse.
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Ainda faltam votar os ministros Cármen Lúcia, Edson Fachin, Dias Toffoli e Luiz Fux. O ministro Flávio Dino não participa da votação, pois assumiu a vaga deixada por Rosa Weber. O presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, declarou-se impedido.
O julgamento tem repercussão geral reconhecida, o que significa que a decisão tomada pelo STF servirá de parâmetro para todos os tribunais do país.

Caso Marielle Franco segue em curso
Paralelamente, o processo criminal sobre o assassinato de Marielle e Anderson segue em andamento. Em maio deste ano, a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou alegações finais ao STF, pedindo a condenação dos acusados de envolvimento no crime.Entre os denunciados estão o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), Domingos Brazão, o ex-deputado federal Chiquinho Brazão, o ex-chefe da Polícia Civil do Rio Rivaldo Barbosa, o major da Polícia Militar Ronald Alves de Paula e o ex-policial militar Robson Calixto. Todos estão presos preventivamente, e a data do julgamento ainda não foi definida.
Fonte: Olhardigital




