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STF proíbe que mulheres vítimas de violência sexual sejam desqualificadas em julgamentos

Redação26 de maio de 2024
STF proíbe que mulheres vítimas de violência sexual sejam desqualificadas em julgamentos

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O STF (Supremo Tribunal Federal) definiu por unanimidade, nesta quinta-feira (23), que é proibido desqualificar mulheres vítimas de violência sexual durante julgamentos.

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O STF (Supremo Tribunal Federal) definiu por unanimidade, nesta quinta-feira (23), que é proibido desqualificar mulheres vítimas de violência sexual durante julgamentos.

Desta forma, partes envolvidas no caso e integrantes do Ministério Público não poderão trazer elementos sobre a experiência sexual pregressa da vítima ou de seu modo de vida durante as audiências.

Os ministros consideraram que questionar o histórico da vida sexual da vítima nestas ocasiões fere a Constituição e, caso isto ocorra, o julgamento poderá ser anulado. A posição valerá para todos os casos sobre o tema.

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O colegiado também definiu que os juízes responsáveis pelo julgamento desses crimes têm o dever de impedir tal prática durante a investigação, sob pena de responsabilização administrativa e penal. Além disso, não podem considerar a vida sexual da vítima no momento em que fixar a pena do réu.

A ministra Cármen Lúcia, relatora do caso, afirmou que apesar dos avanços na legislação para garantir a proteção das mulheres, essas condutas continuam sendo reproduzidas na sociedade.

A relatora disse que, além de perpetuar a discriminação e a violência de gênero contra vítimas de agressões sexuais, essas práticas foram construídas em um discurso que distingue mulheres entre as que "merecem e não merecem ser estupradas".

"Estas práticas se firmaram como forma de relativizar práticas de violência e tolerância na sociedade aos estupros praticados contra mulheres, com comportamentos que fugissem ou destoassem do que era desejado pelo agressor", afirmou.

Já o ministro Alexandre de Moraes afirmou disse ser "lamentável que, terminando o primeiro quarto do século 21, nós ainda tenhamos esse machismo estrutural, inclusive em audiência perante o Poder Judiciário".

"Não há possibilidade de tratar isso com meias medidas. É importante que o STF demonstre que não vai tolerar mais isso", declarou.

O presidente da corte, ministro Luís Roberto Barroso, disse que o Supremo tem dado a contribuição possível "para enfrentar uma sociedade patriarcal e de machismo estrutural, que se manifesta na linguagem, nas atitudes e nas diferenças no mercado de trabalho".

A ação foi apresentada pela PGR (Procuradoria-Geral da República), que alegou que este tipo discurso é discriminatório e revitimiza a mulher vítima de estupro ou de violência sexual.

Fonte: Notícias ao minuto

Tags:
Justiça

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