Risco escondido: boom de IA pode fazer inflação disparar, alertam investidores

O entusiasmo com a inteligência artificial, que motivou aportes bilionários em empresas de tecnologia em 2025, pode estar deixando de lado um risco relevante: a possibilidade de um novo avanço da inflação, impulsionado justamente pelo volume crescente de investimentos no setor.
O entusiasmo com a inteligência artificial, que motivou aportes bilionários em empresas de tecnologia em 2025, pode estar deixando de lado um risco relevante: a possibilidade de um novo avanço da inflação, impulsionado justamente pelo volume crescente de investimentos no setor.
Analistas e gestores consultados pela agência Reuters alertaram que esse cenário pode interromper o ciclo de otimismo que sustenta as ações ligadas à IA. E as quedas já começaram a afetar algumas big techs.
Boom de IA aqueceu o mercado em 2025
Nos Estados Unidos, lar das big techs, um pequeno grupo de gigantes de tecnologia respondeu por cerca de metade dos lucros do mercado no último ano. O número de investimentos chegou a recordes históricos, impulsionado principalmente pelo entusiasmo em relação à inteligência artificial.A tendência se repetiu em outros locais, como na Ásia, onde as bolsas também se aproximaram de recordes.

No caso dos EUA, um dos fatores que ajudou nos investimentos foi o corte nas taxas de juros, que fizeram a inflação recuar no país e criaram um ambiente propício para apostar na bolsa.
Para 2026, espera-se que estímulos governamentais nos EUA, Europa e Japão sigam alimentando o crescimento global – mais uma vez, graças ao boom da IA. 
Inflação se tornou preocupação em 2026
Os mesmos fatores que criaram um ambiente favorável para investimentos em 2025 agora levam gestores a se posicionarem de forma mais cautelosa. A avaliação dos investidores consultados pela Reuters é que uma retomada das pressões inflacionárias pode forçar bancos centrais a encerrar ou até reverter os cortes de juros, restringindo o fluxo de capital que hoje alimenta investimentos de maior risco, especialmente no setor de tecnologia.Para alguns estrategistas, uma política monetária mais rígida seria o fator capaz de estourar a atual ‘bolha de IA’. Isso reduziria a procura por ações no mercado de tecnologia, que costumam ser mais especulativas. A consequência: elevação no custo de financiamento de projetos de IA e pressão nas empresas do setor tech.
O impacto seria ainda maior para companhias envolvidas na expansão acelerada da infraestrutura digital. Os chamados hiperescaladores, como Microsoft, Meta e Alphabet, lideram uma corrida bilionária para construir data centers e ampliar sua capacidade computacional. Segundo analistas, essa expansão tem efeito inflacionário direto, dada a elevada demanda por energia e chips avançados.
Ainda, bancos de investimento avaliam que os custos associados à IA tendem a subir, não a cair, pressionados pelo encarecimento de semicondutores e eletricidade.
Andrew Sheets, estrategista do Morgan Stanley, prevê que a inflação ao consumidor nos Estados Unidos fique acima da média do Federal Reserve até o final de 2027, um período considerado longo. 
Bolha de IA vai estourar?
Sinais iniciais de preocupação já começaram a aparecer nos mercados:- Recentemente, ações de empresas de tecnologia recuaram após alertas sobre aumento de gastos e baixas margens de lucro. Uma delas foi a Oracle, que aumentou gastos em IA e data centers, mas não arrecadou o esperado;
- Fabricantes de hardware, como a Intel e a HP, também indicaram que devem sentir o impacto nos preços – e nos lucros – à medida que os custos de componentes, como chips de memória, sobem com a demanda de data centers;
- Projeções de longo prazo reforçam o alerta para a inflação. Estimativas do Deutsche Bank apontam que os investimentos globais em data centers podem chegar a US$ 4 trilhões até 2030;
- No entanto, a rápida implementação desses projetos e os altos custos vão criar gargalos no fornecimento de chips e energia, elevando ainda mais os custos da tecnologia.
Fonte: Olhardigital




