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Relatório detalha violência sexual durante ataque do Hamas em 7 de outubro

Redação13 de maio de 2026
Relatório detalha violência sexual durante ataque do Hamas em 7 de outubro

NOTA DO EDITOR: Esta reportagem contém detalhes de agressão e violência sexual.

NOTA DO EDITOR: Esta reportagem cont?m detalhes de agress?o e viol?ncia sexual.

Militantes do Hamas e seus aliados estupraram, agrediram e torturaram sexualmente suas v?timas durante e ap?s o ataque terrorista de 7 de outubro de 2023 no sul de Israel "para maximizar a dor e o sofrimento", concluiu um novo relat?rio.

Compartilhado em primeira m?o com a CNN, o relat?rio apresenta o conjunto de evid?ncias mais abrangente at? o momento sobre viol?ncia sexual e de g?nero contra mulheres, homens e crian?as, que descreve como "sistem?tica, generalizada e parte integrante" do ataque.

"A descoberta mais importante ? o fato de que a viol?ncia sexual em 7 de outubro e contra ref?ns em cativeiro foi uma estrat?gia calculada pelo Hamas", disse ? CNN a autora principal e especialista em direitos humanos, Cochav Elkayam-Levy.

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O relat?rio inclui depoimentos em primeira m?o de mais de 10 sobreviventes que sofreram viol?ncia sexual extrema e abuso sexual durante o ataque, o sequestro ou enquanto estavam em cativeiro em Gaza.

Alguns deles, incluindo os ex-ref?ns Romi Gonen, Rom Braslavski, Arbel Yehud, Amit Soussana, Ilana Gritzewsky e outros, falaram publicamente sobre o seu sofrimento. Outras v?timas s? compartilharam suas experi?ncias confidencialmente com especialistas, investigadores e equipe m?dica.

Mas o relat?rio tamb?m inclui alega??es at? ent?o desconhecidas, incluindo o caso de dois menores que, enquanto mantidos ref?ns em Gaza, afirmam ter sido abusados ​​sexualmente.

Alguns desses detalhes s? vieram ? tona ap?s a publica??o de alguns relat?rios anteriores, inclusive ap?s a liberta??o de ref?ns em Gaza. Alguns foram obtidos por meio de depoimentos prestados diretamente aos pesquisadores, enquanto outros foram coletados em diversas reuni?es com especialistas m?dicos, advogados que representam algumas das v?timas e outras pessoas.

O relat?rio detalha, entre outros, incidentes separados de estupro no local do Festival de M?sica Nova, perto do per?metro de Gaza, citando uma sobrevivente que estava escondida nas imedia??es do ataque.

"Ouvi um estupro… Ela provavelmente estava ferida, a julgar pelos seus gritos ? gritos que voc? nunca ouviu em lugar nenhum", disse a sobrevivente, segundo o relat?rio.

O relato ? corroborado por outra sobrevivente, que tamb?m relatou ter ouvido os estupros, bem como por outras pessoas que posteriormente viram os corpos das v?timas, com as roupas rasgadas.

Pelo menos outros seis incidentes de pessoas que testemunharam diretamente estupros e estupros coletivos s?o descritos no relat?rio, com todas as testemunhas relatando que as v?timas foram mortas a tiros.

Elkayam-Levy afirmou que o objetivo do relat?rio ? e de um arquivo digital que cont?m todas as evid?ncias coletadas pela equipe ? ? garantir que o sofrimento suportado pelas v?timas n?o seja "negado, apagado ou esquecido".

Assim como outros arquivos desse tipo, o material n?o estar? acess?vel ao p?blico por um per?odo determinado para proteger a privacidade das v?timas. A CNN n?o conseguiu verificar todo o conte?do do arquivo, mas teve acesso a grande parte do material visual inclu?do.

O relat?rio recebeu o apoio p?blico de diversos especialistas e ativistas de renome, incluindo Sheryl Sandberg e Hillary Clinton.

A equipe passou mais de dois anos coletando, revisando e catalogando meticulosamente as evid?ncias do ataque. Eles afirmam ter realizado centenas de entrevistas e reuni?es com sobreviventes, socorristas, peritos forenses e m?dicos especialistas, e dedicado cerca de 1.800 horas ? an?lise de mais de 10 mil fotografias e v?deos do ataque, incluindo horas de material perturbador gravado pelos agressores.

A Comiss?o Civil, que se descreve como um grupo n?o governamental independente, foi criada por Elkayam-Levy para documentar e preservar as evid?ncias do ataque.

Seu relat?rio identificou o que os autores consideram ?evid?ncias claras e convincentes? de ?padr?es? de abuso sexual e de g?nero que ocorreram em m?ltiplas ocasi?es e em diversos locais.

Eles afirmam que a natureza repetitiva da viol?ncia sexual indica que isso foi parte integrante do ataque e de suas consequ?ncias, cometido contra mulheres e homens.

O relat?rio afirma que muitos dos corpos das v?timas foram mutilados em 7 de outubro.

Os pesquisadores analisaram fotografias de muitos dos corpos e entrevistaram especialistas forenses, bem como pessoas que trabalharam nas identifica??es na base Shura das For?as de Defesa de Israel, para onde a maioria dos corpos foi levada.

Elkayam-Levy disse acreditar que isso foi parte deliberada do ataque. "A viol?ncia sexual tem como objetivo torturar e humilhar. Eles mutilaram os ?rg?os ?ntimos das v?timas, queimaram suas ?reas genitais, causando uma dor e um sofrimento que ser?o lembrados por gera??es", disse.

"A v?tima ? um s?mbolo de uma na??o. ? o impacto coletivo disso, o trauma coletivo que isso causa, o sofrimento coletivo", afirmou.

Combatendo as nega??es

A quest?o da viol?ncia sexual e de g?nero em 7 de outubro tornou-se altamente politizada ap?s o ocorrido, em parte porque alguns relatos de viol?ncia horr?vel compartilhados por autoridades imediatamente ap?s o ataque foram posteriormente considerados falsos.

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Para refutar poss?veis negacionistas, Elkayam-Levy afirmou que todas as evid?ncias inclu?das no relat?rio foram cuidadosamente verificadas e checadas.

Cada caso citado foi corroborado por testemunhas, incluindo os socorristas que estiveram no local. Ela afirmou que a equipe respons?vel pelo relat?rio ? composta por cerca de 25 especialistas e colaboradores ? tamb?m trabalhou com um grupo de pesquisadores que geolocalizaram fotos e v?deos do local, identificando a localiza??o de cada v?tima e cruzando as informa??es com outras evid?ncias.

Os autores afirmam que decidiram n?o se basear em nenhuma informa??o obtida por meio de interrogat?rios estatais ? uma pr?tica padr?o na elabora??o de tais relat?rios, visando preservar a independ?ncia do trabalho. O Hamas negou repetidamente que tenha ocorrido viol?ncia sexual e de g?nero durante os ataques ou contra pessoas mantidas em cativeiro.

As negativas persistiram, apesar de a representante especial das Na??es Unidas para viol?ncia sexual em conflitos, Pramila Patten, ter conclu?do, ap?s uma miss?o de apura??o dos fatos, que havia "motivos razo?veis ​​para acreditar que ocorreu viol?ncia sexual relacionada a conflitos, incluindo estupro e estupro coletivo".

Patten disse que n?o conseguiu encontrar nenhuma sobrevivente durante sua visita, mas sua equipe visitou os locais dos ataques e entrevistou dezenas de testemunhas e autoridades.

A Associa??o de Centros de Apoio a V?timas de Estupro em Israel, um grupo independente de pesquisadores israelenses conhecido como Projeto Dinah, e diversas investiga??es da m?dia nacional e internacional tamb?m conclu?ram que estupro e abuso sexual fizeram parte do ataque. O novo relat?rio vai al?m, classificando a viol?ncia como sistem?tica e premeditada.

O Hamas j? havia negado que seus militantes cometeram estupro durante o ataque de 7 de outubro.

O Tribunal Penal Internacional solicitou mandados de pris?o contra tr?s l?deres do Hamas por sua suposta responsabilidade por crimes de guerra, incluindo estupro e outras formas de viol?ncia sexual. No entanto, os tr?s foram mortos no ataque israelense a Gaza, e o tribunal encerrou o processo.

Alguns funcion?rios israelenses criticaram organismos internacionais por n?o darem a devida aten??o ? quest?o da viol?ncia sexual e de g?nero, argumentando que isso se devia ao antissemitismo.

Enquanto isso, alguns cr?ticos de Israel negaram que o ataque tenha ocorrido e acusaram o pa?s de usar as alega??es como desculpa para sua brutal guerra em Gaza. Mais de 72 mil palestinos foram mortos em Gaza desde o in?cio da guerra, h? dois anos e meio, segundo o Minist?rio da Sa?de palestino.

Aqueles que questionaram as alega??es concentraram-se na aus?ncia de depoimentos em primeira m?o das v?timas imediatamente ap?s os ataques. As autoridades israelenses afirmam que isso se deve ao fato de muitas delas terem sido assassinadas em 7 de outubro.

Foi somente quando peritos forenses examinaram os corpos e analisaram fotografias e v?deos do ataque, encontrando claros ind?cios de viol?ncia sexual, que os pesquisadores conseguiram reconstituir o ocorrido.

Outro fator foi que, imediatamente ap?s o ataque inicial ? com os combates ainda em curso na ?rea ? algumas equipes de emerg?ncia violaram o protocolo policial, deixando de coletar provas forenses e examinar as v?timas no local. Quase n?o havia registros ou fotografias das cenas do crime como foram encontradas.

Poucos dias ap?s os ataques, enquanto as equipes de emerg?ncia ainda recolhiam os corpos, as autoridades israelenses levaram jornalistas, incluindo da CNN, a alguns dos locais. O acesso era praticamente irrestrito, com dezenas de pessoas autorizadas a percorrer as cenas do crime em resid?ncias particulares.

Quando a CNN questionou anteriormente sobre a coleta de provas, as autoridades israelenses e as equipes de emerg?ncia alegaram as restri??es de seguran?a de trabalhar em uma zona de combate ativa, bem como a necessidade de identificar e enterrar as v?timas.

Isso n?o ? incomum em casos de viol?ncia sexual, disse Elkayam-Levy. O que foi incomum foi a instrumentaliza??o da falta de provas forenses para desacreditar as alega??es.

"Qualquer pessoa que j? tenha representado v?timas de viol?ncia sexual sabe que questionamentos e nega??es surgem quase imediatamente. Mas o que mais me d?i n?o foi a hesita??o do p?blico, e sim dos especialistas que disseram: 'Mostrem-me as provas'", disse Elkayam-Levy.

"Em meus 20 anos de experi?ncia, n?o me lembro de ter ouvido uma acad?mica feminista chegar e dizer a uma v?tima de viol?ncia sexual: 'Mostrem-me as provas'", acrescentou.

Alguns dos primeiros a responder eram volunt?rios sem treinamento formal sobre como lidar com provas. Muitos estavam sobrecarregados e traumatizados, e alguns deram relatos de coisas que viram e que depois se revelaram falsas ? mas n?o antes de serem amplamente divulgadas na m?dia, por autoridades israelenses e, em um caso, pela pr?pria Elkayam-Levy.

Ela foi criticada publicamente por alguns colegas, bem como por autoridades governamentais an?nimas citadas na m?dia israelense e internacional questionando suas motiva??es.

Essas ocorr?ncias foram posteriormente usadas ​​por alguns cr?ticos para desacreditar outras alega??es, mesmo quando as evid?ncias eram claras e corroboradas por m?ltiplas fontes.

Elkayam-Levy rapidamente se tornou uma das defensoras mais atuantes das v?timas. Ela foi agraciada com o Pr?mio Israel de 2024, amplamente considerado a maior honraria civil do pa?s.

Como muitos defensores das v?timas de viol?ncia sexual, Elkayam-Levy recebeu amea?as, inclusive de morte, relacionadas ao seu trabalho ? trabalho que ela acredita valer a pena.

"Esses homens e mulheres, v?timas de viol?ncia sexual, foram silenciados da pior e mais cruel maneira poss?vel. Esperamos que o que fizemos tenha posto um fim a isso", concluiu.

Fonte: CNN Brasil

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