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Quem recebeu dinheiro do ataque hacker? Banco Central suspende mais três empresas suspeitas

Redação05 de julho de 2025
Quem recebeu dinheiro do ataque hacker? Banco Central suspende mais três empresas suspeitas

O Banco Central suspendeu na noite de sexta-feira (04) mais três instituições financeiras do sistema Pix suspeitas de terem recebido dinheiro desviado a partir do ataque hacker à C&M Software.

O Banco Central suspendeu na noite de sexta-feira (04) mais três instituições financeiras do sistema Pix suspeitas de terem recebido dinheiro desviado a partir do ataque hacker à C&M Software. O BC já havia suspendido outras três instituições durante o dia de ontem, totalizando seis empresas.

As suspensões são cautelares, com duração máxima de 60 dias. As companhias envolvidas passarão por uma investigação para entender se há alguma relação com o ataque.

Banco Central comunicou suspensou de seis empresas por suspeita de rececbimento do dinheiro desviado (Imagem: Brenda Rocha – Blossom / Shutterstock.com)

Banco Central já suspendeu seis empresas

Na tarde de ontem, o Banco Central suspendeu as empresas Transfeera, Soffy e Nuoro Pay por suspeita de terem recebido valores desviados da C&M Software (CMSW). O Olhar Digital deu os detalhes aqui.

Durante a noite, o BC suspendeu mais três: Voluti Gestão Financeira, Brasil Cash e S3 Bank.

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As suspensões são cautelares, por no máximo 60 dias, e estão previstas na “lei do Pix”. A lei estabelece que o Banco Central pode “suspender cautelarmente, a qualquer tempo, a participação no Pix do participante cuja conduta esteja colocando em risco o regular funcionamento do arranjo de pagamentos”.

Em nota, a Transfeera confirmou que está suspensa do sistema do Pix, desativando a funcionalidade em sua plataforma. Os outros serviços continuam em funcionamento.

O Olhar Digital entrou em contato com a Voluti Gestão Financeira, a Brasil Cash e a S3 Bank, e atualizará a nota mediante retorno.

Ataque hackr aconteceu na quarta-feira (Imagem: @Freepik/Freepik)

O que sabemos sobre o ataque hacker?

O ataque hacker aconteceu na quarta-feira (02) e atingiu a C&M Software (CMSW), empresa de tecnologia que atua na comunicação entre instituições financeiras. Ela é usada por bancos e outras instituições conectadas ao Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), incluindo operações via Pix.

O ataque hacker aconteceu na quarta-feira (02) e atingiu a C&M Software (CMSW), empresa de tecnologia que atua na comunicação entre instituições financeiras. Ela é usada por bancos e outras instituições conectadas ao Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), incluindo operações via Pix.

Apesar de não ter sido afetado diretamente, o BC determinou o desligamento do acesso das instituições financeiras às infraestruturas operadas pela C&M Software e iniciou uma apuração do caso. No dia seguinte, na quinta-feira (03), a terceirizada obteve autorização para reestabelecer as operações do Pix, sob regime de produção controlada.

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Por sua vez, o Banco Central disse ter substituído a suspensão cautelar da empresa por uma parcial, indicando que as operações da CMSW seguem sob controle externo.

pix
Suspensão vale apenas para o serviço Pix das empresas (Imagem: Photo For Everything / Shutterstock.com)

Prejuízo supera os R$ 540 milhões

A Polícia Civil de São Paulo informou que a BMP foi uma das seis instituições afetadas pelo ataque hacker. Sozinha, ela perdeu R$ 541 milhões.

A BMP é uma instituição de soluções financeiras, bancárias e tecnológicas para outras empresas. Ou seja, não tem clientes físicos, apenas jurídicos.

Ainda de acordo com a Polícia de SP, o valor foi desviado em menos de três horas através de transferências Pix. O crime está sendo considerado como o "maior golpe sofrido pelas instituições financeiras pela internet".

Por enquanto, a empresa é a única a se declarar vítima do golpe, mas outras cinco instituições também foram afetadas. Segundo representantes da polícia, as autoridades trabalham para identificar as demais. O prejuízo total do crime ainda está sendo contabilizado. A TV Globo estima que a quantia pode chegar a R$ 800 milhões. Já a Folha de São Paulo fala em R$ 1 bilhão.

Holograma de cadeado aberto
Um suspeito de envolvimento com o crime já foi preso (Imagem: Song_about_summer/Shutterstock)

Suspeito deu detalhes sobre o ataque hacker

Durante a investigação do caso, a terceirizada informou que os criminosos usaram credenciais de clientes (como senhas de acesso) para entrar no sistema e realizar os desvios.

O suspeito preso pela Polícia Civil de São Paulo é João Nazareno Roque, operador de TI na C&M Software. Ele prestou depoimento e revelou detalhes sobre o ataque hacker:

  • O operador trabalhava na empresa há cerca de três anos. Em março, ao sair de um bar em São Paulo, foi abordado por um homem que sabia de sua profissão;
  • Segundo Nazareno, o homem ofereceu R$ 5 mil para conhecer o sistema da C&M Software;
  • Cerca de 15 dias depois, em um segundo contato, ele subiu a proposta para R$ 10 mil, para que o operador executasse comandos dentro da plataforma. O pagamento foi feito em dinheiro vivo, em cédulas de R$ 100;
  • Nazareno revelou que os comandos foram executados em maio e que, a cada vez, os hackers faziam contato por um número de telefone diferente. Eles só se comunicavam por mensagem e ligação no WhatsApp;
  • O operador revelou que chegou a conversar com quatro hackers diferentes por ligação no dia da fraude. O único contato presencial foi com o homem que o convidou para o crime.
Leia mais: Os advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, representantes da BMP, elogiaram a condução da Polícia Civil no caso. Ao g1, eles afirmaram que a empresa "busca recuperar os valores milionários desviados, bem como identificar e prender toda essa extensa rede da organização criminosa por trás desses crimes".

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Banco centralAtaque hackerSegurança e privacidade

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