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Quebra de plataforma deixa geleira da Antártida mais vulnerável

Redação13 de agosto de 2026
Quebra de plataforma deixa geleira da Antártida mais vulnerável

O colapso de plataformas de gelo na Antártida pode alterar o ritmo de avanço das geleiras e, consequentemente, as projeções de elevação do nível do mar.

O colapso de plataformas de gelo na Antártida pode alterar o ritmo de avanço das geleiras e, consequentemente, as projeções de elevação do nível do mar. Pesquisadores do Caltech acompanharam esse processo durante nove anos com dados de satélites.

Publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, o estudo analisou a geleira Pine Island, na Antártida Ocidental. Os resultados mostram como o desprendimento de grandes blocos de gelo enfraquece estruturas que ajudam a conter seu fluxo.

Plataformas de gelo funcionam como freios naturais. Quando perdem força, a geleira pode avançar mais rapidamente rumo ao oceano. Imagem: Bernhard Staehli/Shutterstock

A barreira que perdeu força

A Pine Island é a geleira de fluxo mais rápido da Antártida e a maior contribuidora da região para o aumento do nível do mar. Parte desse avanço é contida pela plataforma de gelo que se estende sobre o oceano.

Essa estrutura funciona como uma espécie de rolha. Ao exercer pressão sobre o gelo, ela reduz sua velocidade antes que a massa alcance o mar.

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Em 2017, um grande bloco da plataforma se desprendeu e formou um iceberg. Depois do evento, a velocidade da Pine Island aumentou 20%. Desde 1973, o fluxo da geleira cresceu mais de 100%.

O gelo acumula danos

Para entender o processo, a equipe analisou imagens dos satélites de radar Sentinel-1, da Agência Espacial Europeia, registradas entre 2015 e 2024. O material permitiu acompanhar tanto o deslocamento da geleira quanto o estado de suas margens de cisalhamento, nas laterais.

Essas regiões funcionam como pontos de resistência. Quando perdem força, o gelo encontra menos oposição para avançar.

A sequência observada pelos pesquisadores foi:

  • danos já estavam presentes antes de 2017;
  • o desprendimento daquele ano intensificou as falhas;
  • a geleira ganhou velocidade;
  • o fluxo mais rápido aumentou a pressão nas margens;
  • em 2020, a geleira estava completamente desacoplada das margens danificadas.
"Após esse evento de desprendimento, os danos simplesmente se intensificam", afirmou Sarah Wells-Moran, autora principal do estudo. Segundo ela, o aumento da velocidade coloca mais força sobre as margens, gerando novos danos e acelerando ainda mais o gelo.
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Prever o nível do mar depende também de entender como geleiras antárticas respondem à perda de suas plataformas de gelo. – Imagem: Binkmann/iStock

Reflexos nas previsões

A Pine Island avança cerca de 4,8 quilômetros por ano. Parece pouco, mas ela já é a maior contribuidora da Antártida para a elevação do nível do mar.

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O comportamento observado oferece uma oportunidade para testar modelos que tentam prever o futuro da geleira. Ainda não se sabe, porém, exatamente como será o recuo nem qual será sua velocidade.
O futuro com níveis administráveis de elevação do nível do mar e os cenários extremos depende do comportamento da camada de gelo da Antártida Ocidental. Brent Minchew, professor de geofísica do Caltech, em nota.
A expectativa é que modelos mais precisos ajudem a antecipar mudanças na região e forneçam uma base mais confiável para o planejamento de comunidades e estruturas próximas ao litoral.

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Nível do marDerretimento de geleirasGeleirasAntártidaMudanças climáticasCiência e espaçoAquecimento global

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