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“Praga de Justiniano”: origem da primeira pandemia da história é identificada

Redação30 de agosto de 2025
“Praga de Justiniano”: origem da primeira pandemia da história é identificada

Pesquisadores encontraram evidências da bactéria que causou a "Praga de Justiniano", considerada a primeira pandemia da História.

Pesquisadores encontraram evidências da bactéria que causou a "Praga de Justiniano", considerada a primeira pandemia da História. O grupo analisou restos de DNA encontrados nos dentes das vítimas para traçar a origem dessa doença, que se espalhou pela Europa e deixou mais de 30 milhões de vítimas no século VI d.C.

Segundo os registros históricos, os primeiros casos ocorreram em Pelúsio, no Egito, em 541 d.C. Logo a praga se espalhou por todo o Império Bizantino, que se estendia da Península Ibérica até a Pérsia (atual Iraque), e infectou o Imperador Justiniano I, que dá nome à doença.

Justiniano se recuperou, mas o surto devastou a população do império ao longo dos meses. As principais estimativas indicam entre 30 e 50 milhões de vítimas ao total. Com o aumento do número de cadáveres, o imperador ordenou que fossem sepultados em valas, torres e nas paredes da cidade.

Mosaico com o retrato do Imperador Justiniano I, que governou o Império Bizantino de 527 até 565 d.C. (Imagem: Petar MiloÅ¡ević / Wikimedia Commons)

Pesquisa encontrou "peça que faltava" na história da "Praga de Justiniano"

Em uma antiga arena transformada em vala comum, pesquisadores localizaram vestígios do agente responsável pela epidemia. As análises do DNA ancestral preservado em oito dentes demonstraram que a Yersinia pestis, uma bactéria que ainda habita a Terra, foi a responsável.

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“Esta descoberta fornece a tão esperada prova definitiva da presença da Y. pestis no epicentro da Praga de Justiniano", disse Rays H. Y. Jiang, líder dos estudos e professor associado da Faculdade de Saúde Pública da Universidade do Sul da Flórida, em um comunicado.

As amostras foram encontradas no hipódromo da cidade de Gérasa, na atual Jordânia, a 320km de Pelúsio. Segundo os pesquisadores, a cidade era um dos grandes centros comerciais do Império Bizantino e se destacava por suas construções monumentais.

Pesquisadores analisaram o DNA preservado em oito dentes para encontrar a origem da doença. (Imagem: Universidade do Sul da Flórida / divulgação)
Leia Mais: Os cientistas encontraram cepas similares de Y. pestis em todas as vítimas, um indício de que a bactéria estava nos primeiros momentos do surto. As descobertas estão disponíveis em dois estudos nas revistas científicas Genes e Pathogens.

“Durante séculos, confiamos em relatos que descreviam uma doença devastadora, mas não tínhamos evidência biológica concreta da presença da peste. Nossas descobertas fornecem a peça que faltava nesse quebra-cabeça, oferecendo a primeira janela genética direta para entender como essa pandemia se desenrolou no coração do império", explicou Jiang.

Estudo pode ajudar no combate à cepa atual da praga

Em um segundo estudo, os pesquisadores compararam o Y. pestis moderno com genomas ancestrais datados do Império Bizantino, do Neolítico e da Idade do bronze. A equipe constatou que as linhagens causadoras de pandemias não surgiram de uma cepa única, mas sim em diversos momentos da evolução dessa bactéria.

Agora, os cientistas farão análises de amostras em Lazzaretto Vecchio, conhecida como “ilha da peste” de Veneza, na Itália, onde indivíduos doentes eram isolados durante surtos. O grupo irá estudar como essa doença, atualmente discreta, segue fazendo vítimas.

“Temos lutado contra a praga há alguns milhares de anos e pessoas ainda morrem por causa dela hoje. Assim como a COVID, ela continua a evoluir, e as medidas de contenção evidentemente não conseguem eliminá-la. Temos que ter cuidado, mas a ameaça nunca desaparecerá", concluiu Jiang,

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