Potência limpa: o mapa da geração de energia no Brasil mudou

Quando VEJA nasceu, em 1968, segurança energética significava sobretudo ter petróleo.
Quando VEJA nasceu, em 1968, segurança energética significava sobretudo ter petróleo. As grandes economias dependiam de combustíveis fósseis, e crises de abastecimento eram capazes de desorganizar países inteiros. Meio século depois, num mundo que busca conciliar crescimento e descarbonização, o Brasil ocupa uma posição rara: a de potência energética apoiada sobretudo em fontes renováveis. A inauguração de Itaipu, em 1984, marcou o ápice da aposta nacional nas hidrelétricas e firmou um modelo construído sobre abundância hídrica. Enquanto boa parte do mundo industrializado permaneceu atada a carvão, petróleo e gás, o sistema brasileiro cresceu tendo a água como espinha dorsal — e foi essa escolha feita décadas atrás que hoje coloca o país em vantagem numa corrida que o restante do mundo tenta, a duras penas, começar a disputar. Nos últimos anos, porém, o mapa da geração mudou. As fontes renováveis já respondem por 88% da matriz elétrica brasileira — enquanto a média global é de 32%. O avanço da energia solar e eólica, sobretudo no Nordeste brasileiro, abriu uma nova fronteira econômica, apoiada em ventos constantes, alta incidência solar e notáveis ganhos tecnológicos. Complexos como Lagoa dos Ventos, no Piauí, simbolizam essa transformação. Ao mesmo tempo, a abundância de energia de baixo carbono abriu espaço para novas cadeias industriais, como a de biocombustíveis. O desafio agora é converter essa vantagem natural em mais competitividade e mais riqueza.
Publicado em VEJA de 19 de junho de 2026, edição nº 3000 Publicidade
Fonte: Veja Abril




