Por que chip cerebral da Neuralink preocupa cientistas?

O chip cerebral da empresa Neuralink, que pertence a Elon Musk, tem causado polêmica ao redor do mundo com a sua suposta capacidade de permitir aos seres humanos controlar o movimento de objetos com a mente.
O chip cerebral da empresa Neuralink, que pertence a Elon Musk, tem causado polêmica ao redor do mundo com a sua suposta capacidade de permitir aos seres humanos controlar o movimento de objetos com a mente. Apesar de animados com a novidade, cientistas também têm demonstrado preocupação com o dispositivo.
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O chip da Neuralink foi desenvolvido com o objetivo de ajudar pessoas com algum tipo de paralisia, como tetraplegia.
Falta transparência, dizem especialistas
Em entrevista à revista Nature, cientistas questionaram a transparência da companhia de Musk em relação ao experimento. Além do tuíte do bilionário, não houve confirmação de que os testes começaram. A maior parte de informação pública sobre o assunto é um panfleto de convite para que as pessoas participem do teste.O ensaio do teste do chip cerebral em humanos não foi registrado no repositório ClinicalTrials.gov, que conta com curadoria do Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos. O repositório serve de referência técnica a muitas entidades. Algumas universidades requerem o registro do teste em algum sistema do tipo antes de autorizarem o envolvimento de participantes. Revistas médicas também fazem desse registro uma condição para publicar os resultados de pesquisas.
Nessa fase de testes, especialistas esperam que a segurança seja a prioridade. Isso envolve observar possíveis efeitos de longo prazo nos pacientes para ter certeza de que não haverá sangramento, AVC, infecções ou dano vascular, como explica Denyson.
O panfleto da pesquisa afirma que os pacientes serão acompanhados durante cinco anos. Também diz que o ensaio irá avaliar a funcionalidade do chip cerebral e, por isso, os participantes devem usá-lo ao menos duas vezes por semana. Eles devem tentar controlar um computador e, depois, reportar a experiência à companhia.
Controvérsias na aprovação da FDA
A neurocientista do Centro Universitário Médico Utrecht na Noruega presidente da Sociedade BCI (Interface cérebro-computador), Mariska Vansteensel, quer saber se o sinal neurais diminuem com o tempo.O procedimento foi aprovado pela Food and Drugs Administration (FDA), a Anvisa dos Estados Unidos. "Minha suposição é de que a FDA e a Neuralink estão seguindo o manual até certo ponto", avalia a cientista. "Mas não temos o protocolo, então não sabemos disso", completa.
A agência estadunidense havia rejeitado um primeiro pedido da Neuralink para os ensaios em seres humanos do chip cerebral. Na época, as principais preocupações envolviam a bateria de lítio, a possibilidade de pequenos fios do implante migrarem para outras áreas do cérebro e se e como o dispositivo pode ser removido sem danificar o tecido cerebral.
Entre os problemas identificados estão: a falta de registros de calibração de materiais em alguns dos testes e a ausência da assinatura de funcionários de garantia qualidade no relatório final do estudo.
Pesquisadores questionam ética do chip cerebral
Antes dos testes em humanos começarem, pesquisadores expressaram preocupação em relação à ética do chip cerebral. Embora a proposta inicial seja ajudar pessoas com paralisia, o chip de Musk parece servir para outros processos, como controlar o computador com a menteA professora associada do Centro de Bioética e Humanidade da Universidade de Medicina SUNY, em Nova York, Dra. L. Syd Johnson, analisa que o mercado voltado para o chip cerebral, considerando apenas a função de ajudar pessoas tetraplégicas, é muito pequeno.
"Agora, se o objetivo for o uso dos dados cerebrais adquiridos para outras atividades — dirigir um Tesla, por exemplo — então existe um mercado muito, muito maior. Mas aí todos esses indivíduos usados na pesquisa, que são pessoas com necessidades especiais genuínas, estarão sendo explorados em um estudo arriscado, para o ganho comercial de outra pessoa", afirmou ela ao Daily Beast.
Fonte: Olhardigital
